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30 anos da morte de Moreno: ato-debate organizado pelo MES em São Paulo

Por Gustavo Rego

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No dia 26 de janeiro de 2017, o MES realizou um ato-debate em homenagem aos trinta anos da morte do dirigente trotskista Nahuel Moreno. Nascido em 24 de abril de 1924, em Buenos Aires, Moreno foi fundador do maior partido trotskista da história da América Latina, o MAS (Movimiento al Socialismo) da Argentina. Entretanto, como internacionalista dirigente da IV Internacional, sua atuação não esteve restrita a esse país, mas foi fundamental para a estruturação de organizações revolucionárias por todo o continente. Além disso, produziu diversas obras extremamente valiosas sobre teoria marxista. Seu trabalho político e teórico é parte fundamental da tradição do trotskismo e de toda a esquerda latinoamericana.

A atividade, realizada em São Paulo, recebeu saudações de algumas organizações que reivindicam a tradição de Moreno. Da Venezuela,  Gonzalo Gomez Freire enviou um vídeo, representando a Coordenação Nacional do MAREA Socialista, enquanto, da Argentina, o Movimiento Socialista de los Trabajadores (MST) prestigiou o ato com uma fala gravada do dirigente Carlos Maradona. Os companheiros peruanos do Movimento pela Grande Transformação (MPGT) contribuíram com o evento, através de uma nota assinada por Tito Prado, da mesma forma que Anatoly Matveenko, do CMOT bielorrusso, compartilhou reflexões sobre o legado de nosso mestre. Do Brasil, Fernando Assunção (militante da Corrente Socialista dos Trabalhadores) e Narciso Soares (dirigente sindical do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) vocalizaram presencialmente os cumprimentos e perspectivas de suas respectivas organizações.

Nas exposições, o sociólogo Israel Dutra, dirigente do MES, destacou o esforço contínuo que Moreno realizou para unificar e coesionar as diferentes tendências de esquerda, tendo como objetivo manter a organização atrelada aos distintos movimentos e frações da classe trabalhadora. Além disso, lembrou que a prática política revolucionária de Moreno esteve atrelada ao seu trabalho como teórico – muito influenciado pela dialética hegeliana e, sem desviar-se para ecletismos, aberto a estudar as diferentes formas do conhecimento.

O alto nível da cerimônia teve prosseguimento, quando o historiador e dirigente do MAIS, Valério Arcary – que teve a oportunidade de conhecê-lo e trabalhar pessoalmente com ele desde a época da Revolução dos Cravos em Portugal – iniciou sua fala destacando a importância e o sentido de se homenagear Moreno: um ato de reflexão histórica e defesa de um legado, e não o culto à personalidade do estalinismo, que associava ao “líder” supostas capacidades extraordinárias para sufocar toda crítica à burocracia. Da mesma forma, lembrou como no difícil contexto do século XX foi fundamental a existência de um dirigente trotskista que corajosamente reivindicasse o socialismo revolucionário em oposição às direções traidoras do reformismo e do estalinismo.

Por último, encerrando com chave de ouro o ato-homenagem, interveio Pedro Fuentes, dirigente internacionalista do MES que militou junto a Morena por décadas. Sua fala não se desviou para uma exaltação saudosista como se as ações do dirigente supostamente infalível devessem ser constantemente corroboradas e repetidas. Ao contrário, iniciou lembrando que, tão grave quanto o culto à personalidade, é reivindicar experiências pretéritas como padrão a ser repetido nas ações do presente. Dessa forma, fez questão de apontar diversos erros táticos ou desvios sectários que sua organização cometeu ao longo dos anos – dentre os mais graves, sem dúvida o de ter caracterizado a conjuntura do final dos anos 1980 como “situação revolucionária”. Entretanto, evidentemente lembrou também das indispensáveis virtudes do dirigente trotskista: o internacionalismo militante como princípio estratégico; a obstinada dedicação a construir o partido revolucionário e mantê-lo atrelado à classe trabalhadora; a defesa corajosa do marxismo contra as falsificações estalinistas; o rigor científico e teórico nas elaborações; a busca constante pelas “janelas de oportunidade histórica”. O caráter dialético dessa fala explica-se pela busca de Pedro Fuentes por evitar dois erros crassos na maneira como uma corrente encara sua própria história: com dogmatismo ou destruindo suas próprias tradições. Pois a tradição é a espinha dorsal de uma corrente. Não apenas carrega a sua experiência, aprendizado e construção, como é aquilo que nos motiva e apaixona.

Em uma conjuntura histórica de crise, organizar a classe trabalhadora internacionalmente e aproveitar as “janelas de oportunidade” são tarefas imprescindíveis. Que a tradição de Nahuel Moreno possa seguir ganhando corações e mentes!

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1 Comment

  1. Martha Brizio

    PEDRO um grande abraço .Que bom que continuas firme . Saudades Martha Brizio

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