A luta do povo curdo e a política na Turquia

CURDAS

A luta do povo curdo e a política na Turquia

Frederico Henriques*

No último dia 24 de janeiro, o PSOL participou como único partido convidado das Américas do 2º Congresso do Partido Democrático dos Povos (Halkların Demokratik Partisi – HDP), da Turquia. A delegação do partido foi composta por Luiz Araújo, Presidente Nacional do PSOL, Frederico Henriques, membro da Secretaria de Relações Internacionais do partido e Juliano Medeiros, representando a Fundação Lauro Campos.

O texto pretende expor um pouco do aprendizado e acúmulo dessa viagem, além de apontar tarefas que podem fazer do PSOL protagonista na discussão política do Oriente Médio no Brasil, em especial, como porta vozes do movimento curdo em defesa do processo de negociação de paz e dos direitos humanos na Turquia. Por isso se faz necessário avançar neste debate e propor tarefas a serem cumpridas no próximo período. A ideia deste texto é apontar alguns elementos ao debate internacional a partir das experiências dessa visita.

A ascensão de Edorgan até o início da Primavera Árabe

1 – Assim como aconteceu em todos os países emergentes, o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, a Turquia sofreu com uma grande crise econômica e questionamento do seu regimento político. A principal consequência política foi a criação do AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento), organização com a sua origem no movimento social conservador, com atuação nas ruas e escolas religiosas. Além disso, tem  consegue combinar ética empresarial com devoção religiosa e parlamentarismo de linha pró-muçulmana convencional. Apesar das relações islâmicas,  sua linha pró União Europeia e as visitas frequentes aos Estados Unidos nunca assustou as potências ocidentais.

2 – A tradição de ponte entre o Ocidente e o Oriente se manteve com o novo governo da Turquia. Sua posição na Otan assim como sua permissão de instalar bases americanas na Turquia para a empreitada americana no Iraque, não apenas alinhava o país junto ao imperialismo como dava folego às negociações para sua entrada na União Europeia. Para o ocidente, a Turquia sempre serviria como modelo para o Oriente médio: uma democracia parcial, com liberalização dos mercados e padrões de consumo ocidental que legitimava as intervenções imperialistas nesta região.

3 – O carácter secular da ideologia kemalista, assim como a dominação do antigo império romano sempre dificultou as relações comerciais e políticas com os seus vizinhos na região. Porém após a derrota da entrada na UE em 2007 Edorgan vê a possibilidade e a necessidade de expansão comercial no Oriente Médio e Mesopotâmia. Sua origem religiosa e a política de “Zero Problemas” foi a fórmula para multiplicar o comércio na região. Além da entrada massiva de divisas das monarquias, em especial a saudita, o mercado imobiliário, a expansão das empreiteiras turcas e o financiamento do governo AKP foram principais vetores de crescimento. O auge da política se dá com o inicio da criação de área de livre comércio entre Turquia, Síria, Líbano e Jordânia.

4 – Porém a expansão neoliberal no continente não foi diferente na Turquia do que aconteceu em todo mundo Árabe e Persa. O aumento da desigualdade e os limites da expansão do consumo começaram a atingir de forma significativa o país otomano. A solução inicial foi a criação de inimigos internos como distração para os problemas econômicos. A punição da cúpula militar por problemas de corrupção em 2010, assim como a investida contra os Curdos no leste foram as primeiras intervenções nesse sentido.

5 – O início da primavera Árabe intensificou a crise na região. A Turquia volta como mediadora dos interesses do ocidente no Oriente Médio, porém a intensificação das relações comerciais com a dinastia Riad (saudita) e a explosão da guerra civil na Síria faz com que a Turquia se posicione de forma mais contundente alinhada aos governos Sunitas da região. As relações do governo de Edorgan com Israel não se deterioram mesmo com o ataque à flotilha humanitária turca enviada à Gaza, em 2010. A demora de solução das guerras na região, o enfraquecimento econômico e o crescimento de inimigos internos faz com que em 2013 o AKP inicie uma negociação com os Curdos que durou até Junho de 2015.

6 – Crise social e econômica, especulação imobiliária, a islamização da educação infantil e principalmente a violência policial e a falta de democracia fez surgir o levante do parque de Gezi, em 2013. A região de encontro de jovens seria alvo do mercado imobiliário e do governo para a instalação de Shopping e monumentos em memória do império otomano. A partir da violência policial, a resistência à destruição do Parque se transformou num levante de milhões que rapidamente se espalhou por todas as grandes cidades do centro – oeste turco. Dentre as mais diversas reivindicações, as principais eram por mais democracia e a manutenção do parque.

7 – A instabilidade do governo aumentou e a crise econômico piorou. O armistício com os Curdos e o levante de Gezi fizeram com que um dos principais pilares do governo, o movimento Gülen (um movimento islâmico moderado e nacionalista que atua a partir do ensino religioso, presente em todo o Estado e  sociedade civil turca) rompesse com o governo. A piora da crise na Síria, assim como a aposta dos EUA na resistência Curda iraquiana (peshmega), fez com que o governo perdesse mais força. A vitória do AKP nas eleições locais de 2014 deram uma sobrevida ao governo que passa a ter como principal eixo a centralização do poder e o presidencialismo.

8 – A partir de outubro de 2014 é o momento do leste da Turquia estourar em um grande levante a partir da luta por Kobane (abaixo no mapa). A luta por uma das três maiores cidades curdas da Síria, não apenas fez com que centenas de jovens turcos fossem engrossar as fileiras do YPG/YPJ (Unidades de Proteção Popular) como também muitos jovens começaram a se manifestar e cobrar nas cidades curdas da Turquia mais autonomia e democracia. A vitória sobre o Daesh (Estado Islâmico do Iraque e da Síria) em Janeiro de 2015 fez com que não apenas os Curdos sírios consolidassem a sua posição, como as comunas, as ocupações e o avanço da juventude no leste da Turquia prosperassem.

9 – Nas eleições de Junho de 2015 Edorgan esperava atingir a maioria para conseguir implementar o presidencialismo, centralizar o poder e tomar as rédeas de uma situação cada vez mais crítica. O restabelecimento das relações com os militares e as vitórias nas eleições do ano anterior dava certa segurança. Porém a manutenção do espaço dos sociais democratas, Partido Republicano do Povo (CHP), e a vitória do Partido Democrático dos Povos (HDP) sepulta a pretensão centralizadora inicialmente e muda de patamar a conjuntura.

A Revolução dos Curdos

10 – As diversas tribos Curdas, assim como a divisão do Império Otomano pelas potências vencedoras da primeira guerra mundial, sempre fizeram com que os Curdos tivessem dificuldade de se organizar enquanto nação e enfrentar os problemas nos diferentes territórios de forma unificada. A vitória de vários movimentos de libertação nacional contra o neocolonialismo fez com que no final da década de 1970 surgisse o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), inicialmente como uma guerrilha na Turquia de tradição vietnamita maoista, mas depois disseminada por todos os países que hoje compõem o Curdistão, nas mais distintas formas. O seu principal líder é Abdullah Öcalan, que se encontra preso desde 1999.

11 – A primeira mudança após a prisão de Öcalan foi focar o grupo político no debate das mulheres. O Oriente Médio sempre teve dificuldades de lidar com os direitos das mulheres e a partir dos anos 2000 esse passa ser um trabalho central das organizações ligadas ao PKK. Inicialmente num trabalho em tempos de paz, até 2004, e em seguida a partir de guerrilhas auto organizadas de mulheres até o cessar fogo de 2012. A segunda mudança vem a partir de 2005 com a criação da Confederação dos Povos do Curdistão (KCK) onde o grupo abandona a ideia da criação de um Estado Nacional, tendo em vista os desdobramentos no Curdistão Iraquiano e suas profundas relações com os Estados Unidos, e passa a trabalhar com a ideia de confederalismo e autonomia. A tática está em aproximar os mais diversos partidos Curdos que existiam nos quatro Estados do Curdistão.

12 – As sucessivas derrotas do PKK para o Estado turco, assim como o avanço da Primavera Árabe fez com que a estratégia mudasse novamente, em especial na Turquia. A criação do Congresso Democrático dos Povos (HDK) em Outubro de 2011 é uma resposta ao que acontecia no norte da África e no oriente médio. A ideia do congresso é a de juntar todos os povos e minorias oprimidas, não apenas os Curdos, de uma forma que todos se sentissem representados sem princípios muito amarrados, para conseguir unificar a todos. No ano seguinte, o congresso se torna partido, o HDP, e conta com expressiva participação no levante de Gezi, tornando-se assim referência em toda a Turquia.

13 – A crise na Síria colocou a possibilidade de se criar uma zona liberada curda e influenciar toda a região. Muitos militantes do PKK saíram da Turquia rumo à Síria, enquanto o cessar fogo estava em vigor no território turco. A vitória contra o Daesh (EI) em Kobane foi a vitrine internacional para a causa Curda fortalecendo não apenas o PYD (colateral do Partido dos Trabalhadores do Curdistão na Síria), como criando expectativa em todos os territórios do Curdistão. A atuação contra o Estado Islâmico se consolida nas duas frentes Curdas em Rojava (Síria) e com os Peshmegas do Iraque.

Após Junho as eleições gerais de 2015

14 – O HDP consegue alcançar 13% nas eleições gerais de junho de 2015, fazendo com que Erdogan já não possuísse mais a maioria no parlamento. Essa derrota foi um grande baque para o AKP, que reorganiza as forças e fecha o regime a fim de derrotar os adversários. Com a perda do apoio do Gülen, Edorgan se restabelece plenamente com os militares e cria um departamento para processar e prender oposicionistas, com destaque na Turquia Ocidental para jornalistas e acadêmicos. Faz jogo duplo para ampliar o apoio internacional permitindo a Otan liderar ataque aéreos ao Daesh da Turquia, e apoia o Estado Islâmico estabelecendo rotas para escoar a produção de petróleo em troca de ataques sistemáticos aos Curdos. Retoma a guerra ao PKK a fim de fechar o Regime e atacar de forma sistemática a esquerda, seja com prisões, seja direcionando atentados contra o povo Curdo e o HDP.

15 – Com a conquista do HDP e não havendo maioria parlamentar o governo de Edorgan chama novas eleições para o fim do ano com o objetivo de recuperar o espaço perdido. A estratégia para intimidar os eleitores perpassa por ataques fascistas nas sedes do HDP e diversos atentados, como o de Outubro de 2015 aonde morreram 100 ativistas e mais de 400 ficaram  feridos em Ancara. Nas eleições de novembro o AKP retoma a sua maioria através da política do medo, mesmo assim o HDP superar a clausula de barreira de 10% e mantém sua representatividade no parlamento. Desde então o massacre ao povo Curdo no leste continua com alguma resistência das unidades de autodefesa. Censores e advogados estão processando todos os opositores e Edorgan está colocando em frente o projeto de centralizar o poder e se tornar presidente.

16 – A principal bandeira da oposição, e do HDP, é a volta da mesa de negociação com vistas à paz e a retomada do ambiente democrático. O clima de guerra, real e psicológica, toma conta da sociedade e a esquerda, assim como os poucos sindicatos oposicionistas, não conseguem fazer frente ao avanço do fascismo. As principais vozes de oposição são os dois líderes do HDP no parlamento, já na sociedade civil apenas o Curdistão turco tem mobilização com densidade contra o governo. Sabendo que não tem como se manter num regime democrático, Edorgan apresenta o problema do forjado sistema de terrorismo e a guerra da Síria como agenda para centralizar o poder.

17 – Dentre os motivos da comunidade internacional, em especial a Europa, em fazer vista grossa aos ataques aos Direitos Humanos e a Democracia na Turquia está a crise dos refugiados. A principal passagem daqueles que fogem da Guerra na Síria é o território turco, que desde outubro de 2015 firmou um acordo de 3 bilhões de Euros para manter os imigrantes na Turquia, além de facilitar os vistos de cidadão turco para Europa e negociar a volta da adesão do país otomano na UE. Hoje mais de 2 milhões de refugiados encontram-se nos territórios do Curdistão da Turquia em condições degradantes sem perspectivas nenhuma de solução para a situação.

18 – A guerra da Síria tem mudado de forma muito rápida seus contornos. A entrada da Rússia de forma enérgica, assim como a retirada dos embargos do Irã, deram novos rumos à guerra contra o Estado Islâmico e a geopolítica na região. O regime de Assad tem retomado territórios, enquanto a oposição junto com Arábia Saudita, Otan e EUA batem cabeça nos termos de negociação, como bem visto na última semana em Genebra. Enquanto isso aumenta a ameaça sobre Rojava. Além dos ataques sistemáticos dos Turcos, Assad e a oposição síria junto com a OTAN questionam estes territórios e colocam PYD como terrorista. Esta situação dificulta cada vez mais o reconhecimento internacional de Rojava, e assim, a inserção dos curdos nas rodadas de negociação da paz na Síria.

19 – O Curdistão do Norte, localizado na Turquia, se encontra sobre forte ataque de Edorgan em busca de autonomia e paz. O Curdistão Iraquiano mantém sua resistência na principais cidades, mas deixou as pequenas vilas a mercê sem condições de enfrentar o ISIS, especialmente depois que o EUA começou a intensificar o apoio a oposição Síria e tirou o pé do Iraque. E Rojava é território liberado, organizado por assembléias populares, nas quais se elegem delegados para as regionais e nacionais. No território sírio todas as representações de lideranças são compartilhadas, 50% para homens e 50% para mulheres. Em termos de estrutura produtiva e organização econômica está bem debilitado pelo Estado de Guerra. Apesar do front com o Daesh estar bem guardado, o avanço do Estado turco, assim como a posição das potências ocidentais de considerar o PYD como grupo terrorista ameaça a consolidação do território.

Tarefas

  1. a) Campanha contra o ataque aos direitos humanos e a prisão de curdos, jornalistas e intelectuais pelo governo fascista de Edorgan.
  2. b) Campanha pela volta da negociação de paz, a fim de restabelecer a ordem de antes de Junho de 2015.
  3. c) Campanha pelo fim do isolamento total de Öcalan e sua libertação.
  4. d) Propaganda de Rojava e da revolução das mulheres.
  5. e) Apresentação de um Projeto de lei pela liderança do PSOL que proíba a venda de armamentos, letais ou não letais, para áreas de conflitos, especialmente naquelas que os Direitos Humanos não são respeitados.

O PSOL tem todas as condições para ser protagonista na luta em defesa da autodeterminação dos povos, defesa dos direitos humanos e no avanço da luta dos Curdos no Brasil. O próximo período será de grandes avanços e estreitamentos destes laços a partir da divulgação destes enfrentamentos em nosso país e em toda América Latina.

(*) Fred Henriques é um membro da direção do MES / PSOL. Esteve na Turquia junto Juliano Medeiros (membro da direção nacional do PSOL) e Luiz Araujo (Presidente nacional do PSOL) no Congresso do Partido Democrático do Povo. Em seguida, seguiu para para o Curdistão Curdo convidado pelo PKK e mais tarde para Istambul.

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Algunas notas sobre la revolución kurda y la política en Turquía

Fred Henriquez (*)

Dell ascenso de Edorgan hasta el comienzo de la primavera árabe

1 – Al igual que ocurrió en todos los países emergentes, a finales de 1990 y principios del 2000, Turquía sufrió una gran crisis económica y el cuestionamiento de su casta política. El resultado principal fue la aparición del AKP, con su origen como movimiento social conservador, con lazos con los Hermanos Musulmanes, los movimientos en la calle, las escuelas religiosas, combinado con la ética empresarial, la devoción religiosa y el sistema parlamentario con una línea pro-musulmana convencional. Sin embargo, su línea pro UE y las frecuentes visitas a los Estados Unidos nunca asustaron a las potencias occidentales.

2 – El puente de tradición entre Oriente y Occidente se mantuvo con el nuevo gobierno de Turquía. Su posición dentro de la OTAN, así como su autorización  para instalar bases americanas en Turquía, por la agresión  estadounidense en Irak, no apenas estaba alienando el país con el imperialismo como también alentando las negociaciones para la entrada en la Unión Europea. Para Occidente Turquía siempre serviría como modelo para el Oriente Medio, una democracia parcial, con la liberalización de los mercados de consumo occidentales y padrones que legitiman la intervención imperialista en la región.

3 – El carácter secular de la ideología kemalista, siempre obstaculizaron las relaciones comerciales y políticas, pero después de la derrota de la entrada en la UE en 2007, Edorgan ve la posibilidad y la necesidad de ampliar el comercio con sus vecinos. Por venir de un movimiento de carácter religioso y su política de “cero problemas” con el Medio Oriente fue el eje de la multiplicación del comercio en la región. Además de la entrada de divisas de monarquías extranjeras, en particular Arabia Saudita, el mercado de la vivienda, la expansión de los contratistas turcos y la ascensión del gobierno del AKP fueron los principales motores de la expansión. El auge de la política se produce con el inicio de la creación de la zona de libre comercio entre Turquía, Siria, Líbano y Jordania.

4 – Pero la expansión neoliberal en el continente no fue diferente en Turquía de lo que sucedió en todo el mundo árabe y persa. El aumento de la desigualdad y los límites de la expansión del consumo comenzaron a alcanzar de manera significativa el país otomano. La solución inicial fue la creación de enemigos internos como una distracción de los problemas económicos, el castigo de la cúpula militar por los problemas de corrupción en 2010, así como el ataque contra los kurdos en el este fueron la primera solución.

5 – La explosión de la primavera árabe intensificó la crisis en la región. Turquía se vuelve como un mediador de los intereses de Occidente en la región, pero la intensificación de las relaciones comerciales con la dinastía Riad, Arabia Saudita, y el estallido de la guerra civil en Siria hace que Turquía se  posicione con más fuerza alienada con los gobiernos sunitas en la región. Incluso el ataque a la flota humanitaria que iba a Gaza por parte de Israel no perturba la relación de Occidente con Edorgan y su papel en la región. El retraso en la solución de las guerras en la región, el declive económico y el crecimiento de los enemigos internos, hace que el AKP se siente a negociar con los kurdos desde el año 2013 hasta junio de 2015.

De Gezi a Kobane

6 – La crisis social y económica, la especulación inmobiliaria, la islamización de la educación de la primera infancia y especialmente la violencia policial y la falta de democracia provocó el levantamiento del parque de Gezi. La Destrucción del lugar de encuentro de la juventud de la región tenía como objetivo responder a los intereses de la especulación inmobiliaria. La represión  a la ocupación del parque por los jóvenes se convirtió en un levantamiento de millones que se extendió rápidamente a todas las ciudades importantes en el centro – oeste de Turquía. Las diversas demandas fueron más democracia y el mantenimiento del parque.

7 –Al aumentar la inestabilidad del gobierno la crisis económica empeoró. El armisticio con los kurdos y el ascenso partir de Gezi minaron uno de los principales pilares del gobierno: el movimiento Gülen – un movimiento islámico y nacionalista moderado que opera desde la enseñanza religiosa, y que está presente en el estado y en toda la sociedad civil turca – rompió con el gobierno. El empeoramiento de la crisis en Siria, así como la apuesta de Estados Unidos en la resistencia kurda (peshmega) de Irak, provocó que el gobierno pierda más fuerza. La victoria del AKP en las elecciones locales de 2014 dio una sobrevida para el gobierno que pasa a tener como eje principal la centralización del poder y el presidencialismo.

8 – En  octubre de 2014 es el momento de estallar un gran levantamiento por Kobane. La lucha por una de las tres principales ciudades kurdas en Siria, no sólo hizo que cientos de jóvenes turcos se unieran a las filas del YPG / YPG sino también a muchos jóvenes empezaron a manifestar y la fractura en las ciudades kurdas en Turquía, exigiendo más autonomía y la democracia. La victoria sobre Daesh (ISIS) en enero el año 2015 llevó no sólo a los kurdos sirios consolidar su posición, sino a prosperar las ocupaciones de las comunas y el avance jóvenes en el este de Turquía.

9 – En las elecciones de junio el año 2015 Edorgan esperaba llegar  a la mayoría para poder implementar el sistema presidencial, centralizar el poder y tomar las riendas de una situación cada vez más crítica. El restablecimiento de las relaciones con los militares y la victorias en las elecciones le dio cierta seguridad. Pero el mantenimiento del espacio socialdemócrata, Partido Republicano del Pueblo (CHP), y la victoria del Partido Democrático de los Pueblos (HDP) sepulta las intenciones de Erdogan y cambia la coyuntura.

La revolución de los kurdos

10 – Las diversas tribus kurdas, así como la división del Imperio Otomano por las potencias vencedoras de la Primera Guerra Mundial, significó que los kurdos tuvieran eran dificultades para organizarse como nación y abordar los problemas en diferentes territorios de una manera unificada. Con la victoria de muchos movimientos de liberación nacional contra el colonialismo, realizado a finales del 1970 surgió el Partido de los Trabajadores del Kurdistán, en primer lugar como un guerrillero maoísta en Turquía de tradición vietnamita, y luego se extendió por todos los países que hoy en día constituyen el Kurdistán, en las más diversas formas. Su principal líder  Abdullah Öcalan, fue preso en un operativo internacional en 1999 en Kenia.

11 – El primer cambio después de la detención de Öcalan es que el PKK empieza a tomar el debate de las mujeres. La región siempre ha tenido dificultades en el trato con los derechos de la mujer y de la década de 2000 pasa a ser un trabajo central. Inicialmente un trabajo en tiempos de paz, hasta 2004, y luego de auto-organización de las mujeres guerrilleras hasta el alto el fuego de 2012. El segundo cambio se produce a partir de 2005 con la creación de la Confederación del Pueblo de Kurdistán, KCK, donde el grupo abandona la idea de crear un estado nacional, en vista de los acontecimientos en el Kurdistán iraquí y sus profundas relaciones con los Estados Unidos, y comienza a trabajar con la idea del confederalismo y la autonomía. La táctica de este enfoque consiste en aproximar los diversos partidos kurdos que existían en los cuatro estados de Kurdistán.

12 – Las sucesivas derrotas del PKK en el estado turco, así como el avance de la primavera árabe hizo que la estrategia cambiara nuevamente, en especial en Turquía. La creación del Congreso Democrático Popular (HDK) en octubre de 2011 es una respuesta a lo que estaba ocurriendo en el norte de África y Oriente Medio. La idea del Congreso es reunir a todos los pueblos y minorías oprimidas, no sólo a los kurdos, de manera que todos se sientan representados y sin las manos atadas, para lograr unificar todos. Al año siguiente, toma la forma de partido, HDP, que y tiene una importante participación en Gezi y se convierte en una referencia en todos los levantamientos en el Kurdistán turco.

13 – La crisis en Siria colocó la posibilidad de crear una zona kurda liberada e influenciar en toda la región. Muchos militantes del PKK descendieron hacia Siria mientras que el alto el fuego estaba ocurriendo en Turquía. La victoria contra Daesh (ISIS) en Kobane fue la vitrina internacional para la causa kurda y el fortalecimiento no sólo del PYD, la colateral del PKK en Siria, como también creando expectativas en todas las áreas del Kurdistán. A pesar de las diferencias políticas, vale la pena destacar la alianza en diferentes momentos de Rusia con el Kurdistán de Siria (Rojava), así como las buenas relaciones con el Peshmegas de Irak.

Después de las elecciones generales

14 – La derrota de las elecciones generales del mes de junio 2015 representaba un duro golpe para el AKP, que reorganiza sus fuerzas y cierra el sistema con el fin de derrotar a sus oponentes. Con la pérdida de apoyo de Gülen, Edorgan restablece plenamente los acuerdos con los militares y crea un departamento para procesar y encarcelar a la oposición, sobre todo en el oeste de Turquía a periodistas y académicos. Hace un doble juego para ampliar el apoyo internacional. Por un lado permitiendo a la OTAN llevar adelante los ataques aéreos contra el Daesh de Turquía, y apoya el Estado Islámico establecer rutas para el transporte de la producción de petróleo a cambio de ataques sistemáticos contra los kurdos. Reanuda la guerra contra el PKK con el fin de cerrar el régimen la junta y el ataque sistemático a la izquierda, ya sea con prisiones o ataques que envuelve sobre el pueblo kurdo y el HDP

15 – La estrategia represiva Edorgan con ataques fascistas en la sede de la HDP y el bombardeo octubre de 2015 en Ankara, donde murieron más de 100 y hubo más de 400 heridos, condujo a la victoria electoral del AKP en noviembre, a pesar de la HDP superar 10% cláusula de barrera. Desde la matanza del pueblo kurdo en el este continúan la resistencias  con algunas guerrillas, con destaque que al final del invierno la guerra de invierno debe intensificarse. Censores y abogados están enjuiciando a todos los oponentes y Edorgan y están planteando un proyecto para centralizar el poder y convertirlo en presidente con plenos poderes.

16 – La principal bandera de la oposición, y el HDP es un retorno a la mesa de negociaciones con miras a la paz y la vuelta al ambiente de libertades democráticas. El clima de guerra, real y psicológica, se encarga de la sociedad y de la izquierda, y los pocos sindicatos de oposición, no pueden hacer frente al avance de los métodos fascistas. Las principales voces de la oposición son los dos líderes HDP en el Parlamento y en la sociedad civil sólo el Kurdistán turco ha movilizado con densidad en contra del gobierno. Sabiendo que no hay manera de mantener un sistema democrático parlamentarista, Edorgan presenta el “problema” del terrorismo y la guerra en Siria como una agenda para centralizar el poder.

17 – Entre las razones de la comunidad internacional, especialmente en Europa, para hacer la vista gorda a los ataques contra los derechos humanos y la democracia en Turquía está la crisis de refugiados. El pasaje principal de los que huyen de la guerra en Siria es territorio de Turquía, que desde octubre de 2015 tienen firmado un acuerdo de 3 mil millones de euros (€) para mantener a los inmigrantes en Turquía, además de facilitar el ciudadano turco visado a Europa, y  de negociar la vuelta de la adhesión del país otomano en la UE. Hoy en día más de 2 millones de refugiados se encuentran en los territorios kurdos de Turquía en condiciones de degradación y sin ninguna perspectiva de solución.

18 – La guerra en Siria ha cambiado muy rápidamente sus contornos. La entrada de Rusia con vigor, así como la retirada del embargo a Irán dieron nuevos los contornos a la guerra contra el Estado islámico y la geopolítica de la región. El régimen de Assad ha retomado territorios, mientras que la oposición junto con Arabia Saudita, la OTAN y de Estados Unidos golpeó la cabeza en la fase de negociación, así como se vio e en la última semana en Ginebra. Mientras tanto aumenta la amenaza a Rojava. Además de los ataques sistemáticos de los turcos, Assad y la oposición ponen al PYD como terrorista, por lo que no tiene un acuerdo sobre que ellos entren en las rondas de negociación. Además del Kurdistán de Irak y el PKK, sólo Rusia, sobre todo después del derribo su aviones por el gobierno turco, mantiene una relación con el Kurdistán sirio.

19 – El Kurdistán del Norte, que se encuentra en Turquía y que busca la autonomía y la paz, está bajo fuerte ataque Edorgan. El Kurdistán iraquí mantiene su fuerza en las grandes ciudades, pero dejó a merced pequeños pueblos incapaces de hacer frente a la ISIS, sobre todo después de los EE.UU. comenzó a aumentar el apoyo a la oposición siria y puso su pie en Irak. El Kurdistán sirio es territorio liberado, organizado por las asambleas populares, en los que eligen a los delegados a nivel regional y nacional. En el Kurdistán sirio todas las representaciones son compartidas por división de género. En términos de producción y de la estructura de organización económica es muy débil por el estado de guerra. Pero a pesar de eso el frente contra el ISIS se mantiene, aunque el avance del estado turco, así como la posición de las potencias occidentales de considerar el PYD como un grupo terrorista, es una  amenaza a la consolidación del territorio.

20 – Tareas

  1. a) Campanha contra o ataque aos direitos humanos e a prisão de curdos, jornalistas e intelectuais pelo governo fascista de Edorgan.
  2. b) Campanha pela volta da negociação de paz, a fim de restabelecer a ordem de antes de Junho de 2015.
  3. c) Campanha pelo fim do isolamento total de Öcalan e sua libertação.
  4. d) Propaganda de Rojava e da revolução das mulheres.
  5. e) Apresentação de um Projeto de lei pela liderança do PSOL que proíba a venda de armamentos, letais ou não letais, para áreas de conflitos, especialmente naquelas que os Direitos Humanos não são respeitados.

O PSOL tem todas as condições para ser protagonista na luta em defesa da autodeterminação dos povos, defesa dos direitos humanos e no avanço da luta dos Curdos no Brasil. O próximo período será de grandes avanços e estreitamentos destes laços a partir da divulgação destes enfrentamentos em nosso país e em toda América Latina.

(*) Fred Henriquez es membro de la dirección del MES/PSOL. Estuvo en Turquia junto con Juliano Medeiros miembro del CE del PSOL y Luiz Araujo (Presidente) en el Congreso del PHD Partido Democrático del Pueblo. Luego se trasladó al Kurdistan Kurdo invitado por el PKK y posteriormente a Estambul.

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