lahoreNos últimos anos, o Partido dos Trabalhadores Awami tem lamentado e condenado muitos ataques terroristas. Hoje, com o coração partido, voltamos a condenar mais um.

Ontem, mais de 72 mulheres, crianças e homens foram mortos, e mais de 200 ficaram feridos, em uma explosão suicida no parque Gulshan-e-Bagh em Lahore. Numa cidade e num país onde os ricos podem adquirir segurança privada para proteger suas famílias – eles não precisam deixar o conforto de seus lares para realizar piqueniques dominicais – o parque Gulshan-e-Bagh foi o único jardim que nos restou. Um lugar, para aqueles de nós que não podem comprar o luxo da segurança particular. E um espaço, onde nós poderíamos trazer nossas famílias trabalhadoras e de classe média – nossas crianças, parceiros e avós – para brincar e amar em espaço aberto. Na noite passada, nossos filhos e filhas morreram, nossos entes queridos ficaram sem suas vidas. Não palavras para terrível perda daqueles que já não contam mais com uma mãe ou um pai, uma irmã ou um irmão, uma filha ou um filho. Nossos corações sangraram pelos mortos e feridos. A Liga Muçulmana do Paquistão [LMP-N, partido oficialista] precisa perceber o fato de que este fogo também vai se espalhar pelo LMP-N de Lahore.

O AWP chama a unidade de todos aqueles que se levantam em choque e em condenação a este ataque. Essa unidade é sobretudo o mais importante na medida em que 20 mil homens, seduzidos pela extrema-direita islâmica, marcham sobre a capital com demandas que ameaçam mudar nossas vidas e as vidas daqueles que nós amamos para sempre. Eles querem impor a Sharia; implementar completamente a lei da blasfêmia; enforcar Asia Bibi (uma paquistanesa cristã condenada à morte por infringir regras islâmicas) e outros condenados por blasfêmia; expurgar a comunidade islâmica Ahmadi de posições estatias; e muito, muito mais.

Nós temos suportado por décadas o fato do estado e dos militares terem promovido forças islâmicas para servir a seus interesses pessoais e políticos dentro das esferas doméstica e exterior. Nós temos suportado um estado e um exército que têm conscientemente culpado os “poderes externos” – seja ele o Research and Analytics Wing (serviço de inteligência externo da Índia), a CIA ou a MOSSAD – e voltado as armas contra nosso próprio povo, colocando a culpa pelos problemas que eles mesmos criaram sobre os ombros dos pobres e vulneráveis – sejam eles Pashtuns, Baloch, Sindhi, Punjabi, Siraiki, ou outras etnias. O estado e o exército vão utilizar este ataque como uma desculpa para alimentar ainda mais o ciclo de violência, fazendo de conta que eles não tem nada a ver com as forças islâmicas que eles deram vida e alimentaram nestes muitos anos. Isso será um grave erro. Nós não podemos permitir que o establishiment militar, seus militantes subsidiários e os partidos de extrema-direita definam e dirijam a agenda de segurança de nossos entes queridos e das massas em geral. É hora de talhar uma nova narrativa de paz e igualdades radicais a partir das ruínas do passado violento.

Todas as forças progressistas, seculares e democráticas devem levantar-se juntas, sob a bandeira de paz radical, justiça e igualdade para todos.
Farooq Tariq
Secretário-Geral do Awami Workers Party
Tradução Charles Rosa.