Vai ter golpe? Nota do Secretariado Nacional do MES [BRASIL]

Delcídio-Amaral-Edison-Lobão-Luiz-Inácio-Lula-da-Silva-e-Renan-Calheiros-810x540

PORTUGUÊS

Nota do Secretariado Nacional do MES, tendência do PSOL

O filósofo e professor Vladimir Safatle escreveu certa vez que a política é a arte de afetar os corpos e levá-los a impulsionar determinadas ações. Neste contexto, o medo e a esperança são afetos altamente mobilizadores na política. Pessoas com medo ou esperançosas se paralisam ou se movem em função destes sentimentos.
Não por acaso o chamado pela “esperança vencer o medo” teve uma força determinante na primeira vitória de Lula. O PT precisava, naquele momento, convencer as pessoas a superaram o medo do desconhecido. E conseguiu. A política do medo foi vencida pela esperança de mudanças para melhor.

Ontem foi a vez do PT usar o medo, e desta vez para tentar, desesperadamente, reaglutinar sua base social atordoada pelas denúncias de corrupção e por uma política econômica que provoca desemprego e desmonte das precárias melhorias sociais da última década.

Para levar gente para as ruas o PT apelou para a ideia de que estamos a beira de um golpe. O medo do golpe, e então a mobilização pela democracia é o sentimento que moveu milhares no dia de ontem.

Se de fato estivéssemos a beira do golpe teríamos que unir a todos e até pensar na autodefesa popular. Se o golpe fosse para derrubar o governo seria correto defender o governo contra a tentativa fascista de derrubá-lo.

Mas que golpe é esse que o PT quer nos fazer acreditar que está prestes a acontecer?

A OAB, que sempre foi vista como baluarte da defesa do “Estado Democrático de Direito”, e acaba de manifestar-se a favor do impeachment, é parte da conspiração golpista?
Seria o golpe do Poder Judiciário, hoje aplicando para as castas políticas e empresariais o mesmo sistema penal violador de direitos que não foi mexido em 13 anos de PT no poder?
Um golpe chancelado pelo STF cuja maioria dos ministros foi nomeada por Lula ou Dilma? Sim, Lula e Dilma nomearam a maioria dos ministros!

Não, não vai ter golpe. O que sim pode ter é o impeachment. Sim, sem dúvida Temer está conspirando para entrar no lugar de Dilma. Mas não estamos diante da possibilidade e da iminência de um golpe contra revolucionário agora. A precária democracia que temos continuará burguesa e precária. Sabemos que a Rede Globo já foi golpista no passado e estará entre as primeiras a apoiar um golpe contra revolucionário quando a burguesia fizer esta escolha. Mas a escolha pelo impeachment, já feita, não tem sinal de igual a golpe “no estado democrático de direito”. Ou, para usar os conceitos marxistas e não a fraseologia pequeno burguesa e burguesa, o impeachement nao ameaça a nossa precária democracia burguesa. Vale lembrar, aliás, que a Globo recebeu muito dinheiro dos governos petistas, e Gilmar Mendes, foi louvado por petistas de diferentes quilates ao longo dos últimos 13 anos. Estas lembranças nos são caras: afinal, os ataques a Rede Globo feitos por Luciana Genro na campanha presidencial ou seu apelo à luta pelo impeachment de Gilmar Mendes, quando era ainda deputada ,não receberam nenhum apoio dos dirigentes petistas. Vale lembrar que o PMDB foi até partido quase majoritário no condomínio do poder nos governos petistas.

Por isso o único golpe foi e tem sido dado no povo. A decepção com o PT é resultado deste golpe. O que fez o governo do PT perder toda legitimidade e estar as portas do impeachement nao foi a ação de reacionários de direita que existem, mas o fato do partido que se forjou na luta contra a corrupção das elites estar mergulhado em escândalos inomináveis. Foi o fato do partido da luta por direitos do passado aplicar medidas que prejudicam os mais pobres e a classe média, que por tanto tempo votaram e acreditaram no PT. Por isso o governo não tem força e teve que apelar a mentira do golpe para tentar mobilizar pelo medo aqueles que já não tem esperança no próprio governo. Por isso a dinâmica é o impeachment se impor. O governo já não tem força para ficar de pé. Aqui queremos fazer dois alertas.

Primeiro alerta. Há um golpe sim em preparação: um golpe contra a Operação Lava Jato

Um golpe pactuado entre PMDB e PSDB para tirar Dilma e abafar toda a corrupção, que começa a chegar neles com força. Nisto há acordo entre governo e PSDB. Ambos querem acabar com a Lava Jato, a diferença é que o PT quer fazer isso derrotando o impeachment, apelando para a unidade pela democracia.

Mas o PSOL não pode ceder a este “canto de sereia”. Temos que apoiar a Lava Jato, mesmo críticos aos excessos de Sérgio Moro, excessos típicos em nosso sistema penal, que agora são cometidos em desfavor das elites.
Segundo alerta. De fato ha uma direita e uma extrema direita que cresce. O melhor caminho para combate-los é construir uma esquerda que seja de oposição ao governo federal. Ha indignação contra o governo que é irreversível e justa e se este sentimento não encontrar nenhum canal pela esquerda, ele irá cada vez mais para a direita. O apoio a Lula e a Dilma dado por setores de esquerda autentica que deveriam se postular como alternativa e não o fazem, deixa setores de massas abandonados, sem outra referência, um vazio que acaba ocupado pela direita e até os Bolsonaros crescem neste espaço porque as bases populares que o PT perdeu não voltarão para o PT. Muito menos a classe média. Apoiar atos dirigidos pelo PT e Lula apenas dilui a esquerda, apaga sua existência e assina embaixo uma falsa polarização trágica no seu resultado: esquerda está com o governo e a direita na oposição. Nós devemos afirmar que existe a esquerda que não está com o governo. Indo no ato deles é impossível.

Quem pensa, portanto, que a tarefa central é defensiva, em defesa da democracia, que o faça ações independentes. Ações dirigidas pelo PT , como as de ontem, acabam é defendendo Lula e Dilma. Acabam fortalecendo a operação para abafar o trabalho da Lava Jato, marco histórico na luta contra a corrupção ao colocar os maiores empreiteiros do país atrás das grades.

Como bem disse nosso deputado Chico Alencar, “apoiamos a Lava Jato em suas investigações, sem seletividade e sem arbitrariedades; indo fundo nos muitos indícios que envolvem PT, PMDB, PSDB, PP e outros partidos e figurões políticos, além de empresários e todos os que participam do condomínio histórico do poder e da corrupção. Nenhuma norma do Estado Democrático de Direito, que tanto nos custou conquistar, pode ser desrespeitada, seja por quem for – juiz, promotor, parlamentar ou governante”

Por fim, uma caracterização e uma proposta. A caracterização é que o impeachment será aprovado. Quando o PT aderiu aos métodos que sempre criticou, quando Dilma esqueceu o que havia dito no segundo turno e assumiu o programa de Aécio Neves, o governo perdeu legitimidade.

Um governo eleito que já não mais representa os interesses dos que o elegeram perdeu a legitimidade. O pouco que ainda tinha foi liquidado na Delação Premiada de Delcídio do Amaral, o Pedro Collor do governo atual que revelou todas as sujas entranhas do governo. E governos que se proclamam de esquerda e perderam a legitimidade só fortalecem a direita. A direita que domina o congresso, por sua vez, não quer mais o PT governando e pretende assumir se legitimando no Congresso. Um Congresso presidido por um corrupto notório dá ao judiciário uma força que ele não deveria ter.

Para garantir resistir contra isso e defender um ambiente minimamente democrático é preciso devolver ao povo a soberania de decidir e não deixar nas mãos do Congresso a decisão sobre o poder. Por isso seguimos defendendo a necessidade de eleições gerais, ideia também recentemente defendida por Vladimir Palmeira, um dos líderes da resistência à ditadura militar.

A defesa de eleições é o melhor contraponto à política burguesa de defesa de Temer. É claro que os petistas tem direito de defender a continuidade de Dilma. Mas quem é de esquerda não tem por que fazer isso a medida que, se Dilma continuasse a governar, aplicaria mais ajustes contra o povo. Mas tudo indica que ela não vai continuar. Seus dias no governo podem estar terminando. Antes que se consuma o impeachment e a posse de Temer, é hora de lutar por eleições gerais, único caminho para impedir está saída. Os mais defensores do governo podem até lançar Lula candidato. Estariam dizendo para o povo julgar seu líder. Então a defesa das eleições também pode ser uma saída para quem acha que é preciso enfrentar a direita e que se trata de um golpe o que está ocorrendo. É claro que já se ouviu até, nestes tempos de confusão, quem diga que eleições é golpe. Mas daí já é demais, sobretudo quando este argumento direitista é usado por quem se diz de esquerda.

Apoiamos também a proposta do Senador Randolfe da Rede de referendo revogatório. Confiar ao povo o direito de decidir é o único caminho para pavimentar o futuro na construção de uma democracia real e começar a forjar uma alternativa de esquerda coerente.

19 de março de 2016

****

CASTELLANO

Declaración del Secretariado del MES

¿Va  haber golpe en Brasil?

Por elecciones generales

El filósofo y profesor Vladimir Safatle escribió cierta vez que la política es el arte de afectar los cuerpos y llevarlos a empujar determinadas acciones. En este contexto el miedo y la esperanza son afectados altamente y movilizadores en la política. Personas con miedo o esperanzadas se paralizan o se mueven en función de estos sentimientos

No fue por acaso que el llamado por la “esperanza vencer el miedo” tuvo una fuerza determinante en la primera victoria de Lula. El PT precisaba en aquel momento convencer a las personas a superar el miedo a lo desconocido. Y consiguió. La política del miedo fue vencida por la esperanza de cambios para mejorar la vida.

Ayer viernes fue la vez del PT de usar el miedo, y esta vez para intentar desesperadamente reaglutinar su base social aturdida por las denuncias de la corrupción y por una política económica que provoca desempleo y desmonte de las precarias mejoras sociales de la última década.

Para llevar gente para las calles el PT pasa la idea de que estamos al borde del golpe. Su consigna es: ¡No va a tener golpe! Y el miedo al golpe hizo que la movilización de ayer (de apoyo a Dilma y Lula) moviera millares.

Si de hecho estuviéramos al borde del golpe tendríamos que unir a todos y hasta pensar en la autodefensa popular. Si el golpe sería para derribar al gobierno sería correcto defender al gobierno de la tentativa fascista de tirarlo.

¿Pero qué golpe es ese que el PT quiere nos hacer creer que está listo para suceder?

La OAB, (Organización de Abogados de Brasil), que siempre fue vista como baluarte de la defensa del “Estado Democrático de Derecho”, acaba de manifestarse a favor del impeachment, es parte de la conspiración golpista?

¿Sería el golpe del Poder Judicial, hoy aplicando para las castas políticas y empresariales el mismo sistema penal violador de derechos -que no fue tocado en 13 años del PT-, en el poder?

¿Un golpe empujado y avalado por el STF (Supremo Tribunal Federal) cuya mayoría de ministros fue nombrado por Lula o Dilma?  Si, !Lula y Dilma nombraron la mayoría de los  ministros!

No, no va haber golpe. Lo que si puede haber es el impeachment. Si, sin duda Temer está  conspirando para entrar en el lugar de Dilma. Pero no estamos delante de la posibilidad y de la inminencia de un golpe contra revolucionario ahora. La precaria democracia que tenemos continuará, burguesa e precaria. Sabemos que la Red Globo ya fue golpista en el pasado y estará entre las primeras en apoyar un golpe contra revolucionario cuando la burguesía haga esta opción. Pero la opción por el impeachment ya hecha no tiene señal de igual a golpe “en el estado democrático de derecho”. O para usar los conceptos marxistas y no la fraseología pequeño burguesa o burguesa, el impeachment no amenaza nuestra precaria democracia burguesa. Vale recordar que la Globo recibió mucho dinero de los gobiernos petistas, y Gilmar Mendes, (miembro del STF)  fue alabado por petistas de diferentes quilates a lo largo de los últimos 13 anos. Estos recuerdos que hacemos nos costaron caros: los  ataques a la Red Globo hechos por Luciana Genro en la campaña presidencial o su apelo a la lucha por el impeachment de Gilmar Mendes, cuando era todavía diputada, no recibieron ningún apoyo de los dirigentes petistas. Vale recordar que el PMDB fue el partido casi mayoritario en el condominio de poder de los gobiernos petistas.

Por eso, el único golpe fue y ha sido en el Pueblo. La decepción con el PT es resultado de este golpe. Lo que hizo al gobierno del PT perder toda legitimidad y estar a las puertas del impeachment, no fue la acción de reaccionarios de derecha -que si existen-  sino el hecho de que un partido que se forjó en la lucha contra la corrupción de las élites está  sumergido en escándalos de corrupción que abarcan miles de millones de reales. Fue el hecho que el partido defensor de los derechos del pueblo aplicar desde el gobierno medidas que perjudican a los más pobres y a la clase media, que por tanto tempo votaron y creyeron en el PT.

Por eso el gobierno tuvo que apelar a la mentira del golpe para intentar movilizar por el miedo aquellos que ya no tienen esperanza en el propio gobierno. Por eso la dinámica del  impeachment se impone. El gobierno ya no tiene fuerza para quedarse de pie. Aquí queremos hacer dos alertas:

Primer alerta. Hay un golpe en preparación: un golpe contra la Operación Lava Jato.

Un golpe pactado entre PMDB e PSDB para sacar a Dilma y tapar toda la corrupción que comienza a llegar en ellos con fuerza. En esto hay acuerdo entre el gobierno y el PSDB. Ambos quieren acabar con el Lava Jato; la diferencia es que el PT quiere hacer eso derrotando al impeachment, apelando para la unidad por la democracia.
Pero el PSOL no puede ceder a este “canto de sirena”. Tenemos que apoyar el Lava Jato, mismo siendo críticos a los excesos de Sergio Moro, excesos típicos en nuestro  sistema penal, que ahora son cometidos desfavoreciendo a las elites.

Segundo alerta. De hecho hay una derecha y una extrema derecha que crece. El mejor camino para combatirlos es construir una izquierda que sea oposición al gobierno federal. La indignación contra el gobierno es irreversible y justa y si este sentimiento no encuentra un canal por la izquierda irá cada vez más para la derecha. El apoyo a Lula y a Dilma deja espacio para los Bolsonaros (líder derechista homofóbico) y la derecha porque las bases populares que el PT perdió no volverán para el PT. Mucho menos la clase media.

Apoyar actos dirigidos por el PT y Lula solo diluye la izquierda, apaga su existencia y se suma con su firma a una falsa polarización trágica en su resultado: izquierda está con el gobierno y la derecha es la oposición. Nosotros debemos afirmar que existe la izquierda que no está con el gobierno. Y yendo a los actos de ellos esto es imposible.

Quien por lo tanto piensa que la tarea central es defensiva, en defensa de la democracia que lo haga con acciones independientes.  Acciones dirigidas por el PT como las del viernes, acaban defendiendo a Lula y Dilma. Acaban fortaleciendo la operación para acabar el trabajo del Lava Jato, marco histórico en la lucha contra la corrupción  al colocar los grandes empresarios de la construcción (también ligadas a los bancos y al sistema financiero) detrás de las rejas.

Como bien dice nuestro diputado Chico Alencar, “apoyamos el Lava Jato en sus investigaciones, sin selectividad y sin arbitrariedades; yendo a fondo en los muchos indicios que envuelven PT, PMDB, PSDB, PP y otros partidos y figurones políticos además de  los empresarios que participan del condominio histórico del poder y la corrupción.  Ninguna norma del Estado Democrático de Derecho, que tanto nos costó conquistar puede ser no respetada, sea por quien fuera, fuera un juez promotor, parlamentario o gobernante”.

Por ultimo una caracterización y una propuesta. A caracterización es que el impeachment será aprobado. Cuando el PT adhirió  a los métodos que antes de subir al cuando Dilma se olvidó lo que había dicho en el segundo turno y asumió el programa de Aecio Neves, el gobierno perdió legitimidad.

Un gobierno electo que no representa más a los que lo eligieron perdió legitimidad. Lo poco que todavía tenía fue liquidado en la declaración premiada de Delcidio de Amaral, el Pedro Collor del gobierno actual (referencia al Hermano de Collor de Melo que denunció al entonces presidente Fernando Collor), que reveló las sucias entrañas del actual gobierno. Y gobiernos que se proclaman de izquierda y pierden la legitimidad solo fortalecen a la derecha. La derecha que domina el congreso a su vez, no quiere más al PT gobernando y pretende asumir legitimándose en el Congreso. Un Congreso presidido  por u corrupto notorio da al poder judicial una fuerza que él no debería tener.

Para garantizar resistir contra eso y defender  un ambiente mínimamente democrático es preciso devolver al Pueblo la soberanía de decidir y no dejarla en manos del Congreso sobre su poder. Por eso seguimos defendiendo elecciones generales, idea también recientemente defendida por Vladimir Palmeira, uno de los líderes de la resistencia a la dictadura militar.

La defensa de elecciones es el mejor contrapunto la política burguesa de defensa de Temer. Es claro que los petistas tienen derecho a de defender la continuidad de Dilma. Pero quien es de izquierda no tiene por qué hacer eso en la medida que, si  Dilma continúa en el gobierno aplicaría mas ajustes contra el pueblo. Pero todo indica que sus días pueden estar contados. Antes que se consume el impeachment y la pose de Temer sea consolidada, es hora de luchar por elecciones generales, único camino para impedir esta salida.

Los más defensores del gobierno pueden hasta lanzar Lula candidato. Estarían diciendo que el pueblo juzgue a su líder. Entonces la defensa de elecciones generales también puede ser una salida para quien crea preciso enfrentar a la derecha y que lo que está ocurriendo se trata de un golpe. Es claro que ya se escuchó en estos momentos de confusión que “quien diga  elecciones generales es golpista”. Pero eso está demás, sobre todo cuando este argumento derechista es usado por quien se dice de izquierda.

Apoyamos también la propuesta del Senador Randolfe de la Red (nuevo partido de Marina Silva), de un referéndum revocatorio. Confiar al pueblo el derecho de decidir es el único camino para pavimentar el futuro en la construcción de una democracia real que comienza por forjar una alternativa de izquierda coherente.

Secretariado Nacional del MES/PSOL Movimiento Esquerda Socialista corriente del Partido Socialismo e Liberdade

One comment

Dejá un comentario

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos necesarios están marcados *