marcha antikeiko

CASTELLANO

Evelin Minowa

Convocada por diversos colectivos y organizaciones, como la Asociación Nacional de Familiares de Secuestrados, Detenidos y Desaparecidos de Perú, hoy 5 de abril se realizó la tercera macha Keiko No Va, por todo el Perú. La marcha de Lima reunió seguramente más de cien mil personas por el centro de la ciudad. Hubo manifestaciones simbólicas en diversas ciudades del mundo, donde se movilizaron peruanos que viven en el exterior como París, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Nueva York, Bruselas, Madrid.

Hace 24 años, el entonces presidente del Perú, Alberto Fujimori aplicó lo que llamó un “autogolpe”. A través de una cadena nacional, Fujimori disolvió el congreso, desautorizó al poder judicial, ordenó a las fuerzas armadas que encarcelara parlamentarios e interviniese los medios de comunicación, impidiendo que se modificara la programación normal para informar las medidas del golpe en tiempo real. Los oficiales que se subordinaban, eran arrestados. El servicio de inteligencia investiga a todos. Fue también Fujimori quien ordenó que se formase un destacamento dentro del ejército llamado Colina. Que fue un grupo de exterminio de los enemigos políticos del régimen. Entre varios hechos, se destacan dos masacres que se le atribuyen a Colina: los asesinatos de 15 limeños en Barrios Altos y los asesinatos de 1 profesor y 9 estudiantes de la universidad La Cantuta. Hoy Fujimori se encuentra preso, sentenciado por violación a los DDHH. Pero su hija, Keiko Fujimori, es candidata a presidenta de la república por el partido Fuerza Popular.

La candidatura de Keiko desde sus inicios recibió un rechazo enorme. Están muy presentes en la memoria del pueblo peruano las atrocidades cometidas por su padre en su dictadura. Junto con una policía y ejército altamente violentos, más de 300 mil mujeres pobres fueron esterilizadas forzadamente en un supuesto programa de planeamiento familiar, según una investigación del Congreso Peruano.

Los colectivos se organizaron espontáneamente para actuar contra esa candidatura. Esos mismos movimientos son los que vienen convocando las marchas #KeikoNoVa, que crecen significativamente. La marcha de hoy reunió miles de personas en todo el Perú, especialmente en su capital Lima. Fueron a la Plaza San Martin miles de personas, venidas desde todos los distritos de la ciudad, diversas edades y sectores sociales.

El protagonismo de los jóvenes en esas organizaciones es grande, que autónomamente están marcando la coyuntura electoral peruana. El rechazo a la figura de Keiko es muy grande, se palpita en las calles, en las redes sociales, en las encuestas electorales donde ahora, a 4 días de las elecciones generales, todo indica que habrá 2da vuelta, porque su candidatura no traspasa el 35%. Y dado el crecimiento de las marchas antifujimoristas, la 2da vuelta será de fuerte disputa, porque la tendencia es que el voto anti-Keiko se pueda concentrar en cualquier candidato que la enfrente.

La marcha de este 5 de abril de 2016 expresó de modo contundente la dinámica de la fuerza del pueblo peruano: sumado los tradicionales pasacalles, afiches y banderas, había muñecos artesanales, marionetas y máscaras, representando el rechazo a la figura de Keiko y al fujimorismo. Tambores que acompañaron los tradicionales instrumentos peruanos, agitados principalmente por jóvenes y mujeres, acompañando las arengas “ahora, que digan, que somos minoría”.

A la marcha de hoy se sumaron diversos sectores y miles de personas en torno a una consigna común “Fujimorismo Nunca Más” que cantaban “un pueblo, consciente, no elige delincuentes” demuestran que el pueblo y la juventud peruana no abandona la defensa de su derecho a decidir y continúa luchando por la democracia, como en toda su historia. Aunque haya una contradicción importante, ya que va muy probablemente a una 2da vuelta. Nada está cerrado en este proceso electoral.

La candidata Verónika Mendoza del Frente Amplio presentaba en el mes de enero el 2% y ahora disputa la 2da vuelta con el empresario Pedro Pablo Kuczinsky (PPK). Con un programa que propone recuperar los recursos naturales y la convocatoria a una Asamblea Constituyente. La posibilidad de una 2da vuelta entre fujimorismo vs nueva izquierda demuestra que e escenario está lejos de definirse, marcando la necesidad de seguir apostando a la construcción de una izquierda real. Marchas como #KeikoNoVa y sus procesos, tienen la misma tónica de los nuevos movimientos en el mundo entero. Esto significa un alerta contundente a los partidos y organizaciones políticas: nada que no sea construido con base en la democracia real y radical y transparencia de principios desde sus raíces, tendrá capacidad de canalizar la indignación de estos nuevos tiempos.

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PORTUGUÊS

POR JUSTIÇA E LIBERDADE: FUJIMORISMO NUNCA MAIS!

Convocada por diversos coletivos e organizações, como a Associação Nacional de Familiares dos Sequestrados, Detidos e Desaparecidos do Peru, neste dia 05 de abril se realizou a 3ª marcha Keiko No Va (https://www.facebook.com/noakeiko/?fref=ts), por todo o Peru. A marcha de Lima reuniu seguramente mais de 100 mil pessoas pelo centro da cidade. Houve manifestações simbólicas em diversas cidades pelo mundo, onde há concentrações de peruanos vivendo no exterior, como Paris, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Nova Iorque, Bruxelas, Madrid (http://elcomercio.pe/lima/sucesos/marcha-contra-keiko-fujimori-sigue-minuto-minuto-5-abril-noticia-1891981)

Há 24 anos o então presidente do Peru, Alberto Fujimori, aplicou o que se chamou de “autogolpe”. Através de um anúncio televisivo Fujimori dissolveu o congresso, desautorizou todo o Poder Judiciário, ordenou às Forças Armadas que prendessem parlamentares e interviessem nos meios de comunicação, impedindo-os de modificar sua programação normal para noticiar as medidas do golpe em tempo real. Os oficiais que se insubordinavam de alguma forma eram afastados e o Serviço de Inteligência do Exército vigiava a todos. Foi também Fujimori quem ordenou que se formasse um destacamento dentro do próprio Exército, chamado Colina, que nada mais foi do que um grupo de extermínio dos inimigos políticos do regime. Dentre vários, destaca-se dois massacres e são atribuídos a esse grupo: os assassinatos de 15 moradores do bairro Barrios Altos, e os assassinatos de um professor e 9 estudantes da Universidade La Cantuta. Hoje Fujimori se encontra preso, culpado de violações aos direitos humanos. Mas sua filha, Keiko Fujimori, é candidata à presidência da República pela coligação Força Popular.

A candidatura de Keiko desde o início recebeu um rechaço enorme. É muito presente na memória do povo peruano as atrocidades cometidas por Alberto Fujimori em seus governos. Além da polícia e do Exército altamente violentos depois do golpe, mais de 300 mil mulheres pobres foram esterilizadas forçadamente em um suposto programa de planejamento familiar, segundo investigação realizada por uma comissão do congresso peruano.

marcha la republica

Coletivos se formaram espontaneamente para atuar contra a legalidade dessa candidatura. Esses movimentos vêm convocando as marchas intituladas Keiko No Va, que crescem significativamente. A marcha de hoje reuniu milhares de pessoas em todo o Peru, especialmente na capital Lima. Foram à Praça San Martin milhares de pessoas vindas de todas as regiões da cidade, diversas idades e segmentos sociais.

O protagonismo da organização desse movimento é em grande parte de jovens, que autonomamente estão conseguindo pautar a conjuntura eleitoral peruana. O rechaço à figura de Keiko é muito grande, perceptível nas conversas de rua cotidianas da população, na repercussão nas redes sociais por meio de grupos, comunidades e discussões no sentido de “tudo menos Keiko” e apontado nas pesquisas de intenção de voto, onde até agora, a 4 dias das eleições, tudo indica que haverá um 2º turno, pois a candidata não ultrapassa os 35%. E dado o crescimento das marchas antifujimoristas, o 2º turno será de intensa disputa, pois a tendência é que o voto anti Keiko possa se concentrar em qualquer candidato que enfrente Keiko.

A marcha deste 05 de abril de 2016 expressou de modo contundente e dinâmico a força do povo peruano: além das tradicionais faixas, cartazes e bandeiras, havia bonecos artesanais, marionetes e máscaras representando o rechaço à figura de Keiko e ao fujimorismo. Tambores acompanhados de instrumentos peruanos tradicionais agitados principalmente por jovens e mulheres ajudavam nas palavras de ordem: “Agora me diga se somos minoria!”.

À marcha de hoje se somaram diversos setores e milhares de pessoas em torno de uma consigna comum: Fujimorismo nunca mais! A palavra de ordem “Um povo consciente não elege delinquente!” demonstra que o povo e a juventude peruana não abrem mão de seu direito de decidir e seguirão lutando em defesa da democracia, como em toda sua história. Ainda que haja uma contradição expressiva, uma vez que é Keiko quem vai à frente para o 2º turno, nada está fechado nesse processo eleitoral, pelo contrário. A candidata Veronika Mendoza (https://www.facebook.com/veromendozaf/?fref=ts) da Frente Ampla (https://www.facebook.com/Frente-Amplio-Oficial-1418661235051279/?fref=ts) apresentava no mês de janeiro 2% das intenções de voto, e agora disputa a vaga do 2º turno com o empresário Pedro Paulo Kuczinsky (conhecido como PPK), com um programa que propõe a recuperação dos recursos naturais e a instauração de uma assembleia constituinte. A possibilidade de um 2º turno “fujimorismo X nova esquerda” demonstra que o cenário está longe de se definir, apontando a necessidade de seguir apostando na construção de uma alternativa de esquerda real.

Marchas como Keiko No Va e seus processos têm sido a tônica dos novos movimentos no mundo todo. Aí está um recado contundente aos partidos e organizações políticas: nada que não seja construído com base em uma democracia real e radical e transparência de princípios desde suas raízes terá capacidade de canalizar a indignação deste novo tempo.