Por Maíra Mendes e Tatiane Ribeiro

Nas últimas semanas, novos protestos massivos organizados pelo movimento Black Lives Matter ocorreram, reunindo milhares em diversas cidades dos EUA, como Oakland, Durham, Pittsburgh. Sua extensão foi tal que já possui núcleos no Canadá e na França. O Black Lives Matter foi um movimento criado em 2013, quando houve uma primeira onda de manifestações após a absolvição de George Zimmermann, segurança responsável pela morte, a tiros, de Trayvon Martin, jovem negro. Pouco depois, em Ferguson (Missouri), o jovem Michael Brown foi alvejado por diversas balas também pela polícia. Indignada com a absolvição de Zimmermann, e impulsionada pelas mortes de Michael Brown e Eric Garner e, asfixiado por policiais, a população de dezenas de cidades saiu às ruas, com palavras de ordem como “I can’t breathe” (eu não consigo respirar), últimas palavras de Garner.

A mesma narrativa se repete sistematicamente: no início de julho deste ano, Alton Sterling foi morto em Louisiana por policiais. A cena foi filmada pela sua namorada, que a divulgou na internet, onde rapidamente houve uma onda de compartilhamento e também de indignação. Outro negro também foi morto em Minnesota por policiais. Não demorou muito para os protestos do movimento Black Lives Matter (BLM) tomarem as ruas de diversas cidades estadunidenses com milhares de pessoas. Após a morte de Sterling, já são 8 o número de policiais mortos na cidade de Baton Rouge, além de pelo menos 5 hospitalizados em estado grave.

No entanto foi em Dallas, no Texas, que teve lugar um acontecimento símbolo da contradição vivida pela população negra, quando Micah Johnson, veterano da guerra do Afeganistão, abriu fogo contra policiais no meio de um protesto organizado pelo BLM, matando 5 e deixando 9 feridos. Johnson alegou como motivo o fato de estar cansado de ver negros como ele morrendo pelas mãos dos policiais brancos. A ação levou à comoção imediata diversos setores midiáticos, tentando mobilizar a palavra “Blue Lives Matter”, em referência ao uniforme azul dos policiais. A ampla atenção midiática que as mortes dos policiais tiveram quando comparadas à anestesia naturalizada pela morte de vidas negras reforçam o mote do movimento: vidas negras importam. Mais grave ainda é o fato de Obama ter estado presente no funeral dos policiais de Dallas (ao lado de George W Bush), quando as diversas famílias que tiveram seus filhos negros perdidos pelas mãos de uma instituição que os negros como criminosos-padrão, sem direito à vida, não tiveram a mesma deferência.

Assim, a luta do movimento negro se apresenta antes de tudo como uma luta pelo direito à existência, de forma que a conquista de maior visibilidade para a forma pela qual a ideologia racista se encontra profundamente imbricada em todas as instituições sociais, é um dos principais alvos do movimento. Não à toa uma das palavras de ordem mais presentes nas mobilizações recentes tem sido “Justiça para Michael Brown”, ou o chamado a afirmar que estas são vidas que tem sido tratadas como descartáveis. Estas denúncias chamam atenção para o alto grau de tolerância à violência cultivado pelas sociedades que se basearam na escravidão. A luta do povo negro passa pela reivindicação humana mais fundamental, e ao mesmo tempo promessa não cumprida do capitalismo: a luta pela vida e pelo seu reconhecimento como seres humanos.

Luta do povo negro nos EUA: alguns traços históricos

Nos Estados Unidos, a história da luta de classes e a história de resistência passa pelo movimento negro. Não à toa, a Guerra de Secessão se deu centralmente em torno da luta pelo fim da escravidão[1]. Assim como em outros países cuja mão de obra foi constituída de pessoas escravizadas, foi um demonstrativo de como o discurso da democracia e liberdade no capitalismo não se sustenta quando o que está em jogo é a acumulação[2]. A constituição da classe trabalhadora neste país teve um forte componente racial e regional, considerando que o Sul dos EUA responde pela maior parte da população negra. A industrialização acelerada do Norte, a formação de milícias no Sul ao estilo do Ku Klux Klan, além das crises cíclicas na produção agrícola (em especial do algodão) impulsionaram o fluxo migratório interno dos negros sulistas em direção ao norte.

No entanto, distintamente dos imigrantes europeus, que ao final do século XIX e principalmente no começo do século XX chegaram com intensidade no continente americano, a dificuldade para encontrar empregos era muito maior para o imenso contingente da população negra que até bem pouco tempo antes tinha sua condição humana questionada. Estas condições abriram espaço para uma histórica política de conciliações, lideradas, dentre outros, por figuras carismáticas ligadas ao protestantismo[3]. No seio do protestantismo foi forjado um dos principais nomes ligados à luta pelos direitos civis, o reverendo Martin Luther King, que defendia uma política pacifista de integração, tendo liderado em 1963 uma marcha de centenas de milhares até Washington.

Outra comunidade religiosa também desempenhou papel importante na organização das demandas dos negros dos EUA: a comunidade islâmica. Elijah Muhammad, por exemplo, foi um conhecido líder da Nação do Islã (Nation of Islam), que defendia uma linha nacionalista separatista dos negros dos EUA. Segundo Horacio Lagar, autor de “La Cuestión Negra”:

“O triunfo das revoluções coloniais da África e a liquidação da exploração racial em Cuba pela via revolucionária deu um grande impulso aos muçulmanos e fortaleceu em geral o nacionalismo negro. Seu papel foi e é altamente positivo porque ajudou a desmascarar as correntes e direções reformistas e porque despertou grandes setores da massa negra para a consciência de sua própria força, a necessidade de lutar por seus próprios objetivos, e com programa, método e dirigentes próprios”[4]

Duas importantes personalidades também fizeram parte da Nation of Islam, que chegou a ter 100 mil membros neste período: Malcolm X e Muhammad Ali, dois ícones da resistência negra cujo orgulho negro (black pride) segue inspirando milhões em todo o mundo. No caso de Malcolm X, foi um dos oradores mais destacados dos muçulmanos negros, entrando em rota de colisão com Elijah Muhammad por suas declarações de tom insurgente em relação à linha mais moderada no estilo “buy black” defendida pela organização. O tom mais crítico de Malcolm X levou à ruptura com a Nação do Islã, e ele passou a organizar comitês amplos de frente única baseados em mesquitas no Harlem, agregando também católicos, protestantes e ateus: a Organisation of Afro-American Unity. Antes de ser assassinado em 1965, já assumia a necessidade de lutar para além do nacionalismo negro, incluindo demandas anticapitalistas e apoio aos movimentos revolucionários em países africanos[5]. Muhammad Ali, por sua vez, além de renomado e carismático boxeador, desempenhou papel muito importante no movimento anti-guerra do Vietnam quando, já campeão olímpico, recusou-se a lutar na Guerra, expressando solidariedade aos vietnamitas eternizada na frase “No Vietnamese called me Nigger”.

Além das referências provenientes de organizações religiosas, o movimento estudantil também foi bastante ativo neste período, sendo Stokely Carmichael uma de suas principais referências, organizador do Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) e posteriormente dos Panteras Negras. Importante ressaltar também o papel de Angela Davis, militante dos Panteras Negras que foi presa por 18 meses, e cujo julgamento foi colocado no centro das atenções da mídia, gerando manifestações de solidariedade internacional, e com grande comoção inclusive no meio artístico[6].

Ainda que o governo dos EUA tenha sido obrigado a concessões por meio das movimentações de massa de 1963, exigindo a revogação das leis segregacionistas no Sul, o movimento negro seguiu em uma multiplicidade de organizações políticas que superou a via até então consolidada de canalização para os Partidos Democrata e Republicano. O que antes era uma disputa pela igualdade racial na forma da lei, depois da aprovação da Lei dos Direitos Civis em 1964, foi ampliada para a ideia de luta por dignidade racial.

O contexto do movimento em defesa dos Direitos Civis nos EUA representou a culminância dos movimentos de massa do povo negro, cuja influência se fez sentir em todo o globo, mas que também era influenciado pelo avanço das lutas de organizações socialistas na África e América Latina. Assim, Black Lives Matter tem como legado a experiência dos movimentos que organizaram centenas de milhares, talvez milhões de negros em todo o território dos EUA na década de 1960. Dialeticamente, as lutas e conquistas que ocorreram e ainda ocorrem no coração do império tem reflexos intensos na organização das lutas do povo negro em todo o mundo, e especialmente na América Latina, onde a influência deste país não se restringe às ações do imperialismo em termos econômicos, políticos e culturais, mas também por meio do intercâmbio das experiências de resistência dentre os maiores explorados deste país.

Depois de 50 anos, por que ainda há racismo?

O racismo nos Estados Unidos se apresenta de uma forma muito peculiar, fenômeno que o diferencia na forma, mas não no conteúdo, dos processos racistas de outros países e regiões das Américas, sobretudo do racismo no Brasil. Em um país onde o capitalismo se estrutura como é organizado nos Estados Unidos, as contradições são muito mais insustentáveis, portanto, mais escancaradas do que em outros lugares onde se é possível maquiar, ou mesmo negar esse tipo de contradição: como explicar que a dita “Terra da Liberdade” siga reservando aos negros deste país os piores empregos, a maior parcela da população carcerária e as execuções policiais? Por que o “país da democracia” não é democrático para os negros?

O racismo cumpre o papel de, após os processos escravistas, considerando a relação dialética entre estrutura (isto é, o modo como as pessoas se organizam em sociedade e fazem circular as riquezas e a produção), e superestrutura (ou seja, o campo das ideologias e das instituições) manter para o funcionamento da estrutura capitalista, negras e negros formando a boa parte do que Marx chamou de “exército de reserva”. No entanto, a formação nos EUA de uma classe média negra, assim como de certo número de negros ricos, procura justificar pela exceção uma suposta mudança gradual do status dos negros no interior do capitalismo – realidade que é amplamente denunciada por movimentos como BLM e até mesmo grandes figuras da mídia como a cantora Beyoncé.

A simbologia da eleição de Barack Obama, primeiro presidente negro dos EUA (importante destacar também ter sido o primeiro de todos os países do centro do capitalismo), fez com que muitos depositassem esperanças de que haveria mudança significativa. Tal grau de contradição não poderia ser corrigido pela simples eleição de Obama à “Casa Branca”. Primeiramente um candidato outsider, Obama canalizou as demandas por mudanças pós-Bush, sintetizadas na consígnia “Yes, we can” (Sim, podemos). Como os símbolos são insuficientes para gerar mudanças estruturais qualitativas, mantidas as mesmas condições materiais da população negra, só restou a frustração com a administração Obama. Importante destacar que esteve presente, assim como George W Bush, no funeral dos policiais de Dallas, enquanto que os funerais dos negros mortos, como Alton Sterling e Philando Castille, não receberam a mesma atenção presidencial.

Se o racismo está entranhado tanto na estrutura das relações sociais, mantendo as desigualdades da população negra em solo estadunidense, quanto nas práticas sociais exercidas nas mais variadas instituições – mídia, escola, família, trabalho – enquanto não forem realizadas mudanças mais profundas, as únicas a serem comemoradas serão aquelas que toleram estas mesmas desigualdades de fundo. Ainda que a representatividade negra nas instituições seja um elemento catalisador e motivador no plano individual, sem tocar nas desigualdades salariais, no acesso à saúde como direito, na deterioriação das escolas em bairros de maioria negra, na necessária gratuidade do ensino superior, e mais amplamente, na  condição dos negros do mundo e como o imperialismo colonial historicamente lhes imputou o status de “seres humanos de segunda classe” por meio do trabalho compulsório, não é possível superar o racismo.

Estas bandeiras, se não são propriamente anticapitalistas, têm mostrado a impossibilidade de terem consequência no atual regime. Não à toa, as fissuras que foram abertas desde o movimento Occupy e posteriormente no BLM, encontraram solo fértil na campanha do autodeclarado socialista Bernie Sanders, pré candidato derrotado por Hillary Clinton nas prévias democratas para presidência. Muitas referências do BLM, como a filha de Eric Garner, declararam abertamente apoio a Sanders, entendendo que é preciso uma mudança profunda da política – expressa na consígnia de campanha demandando uma “revolução política”. Ideias como uma forma diferente de se pensar segurança pública, gratuidade do ensino superior, mudança na política de drogas, foram bandeiras levantadas pelo socialista na corrida presidencial democrata. Mesmo derrotado, Sanders pressionou Hillary a, ao menos parcialmente, levar algo dessas bandeiras em sua campanha, como é o caso do salário mínimo de 15 dólares por hora.

A luta antirracista, como expressão de outras lutas democráticas, dá vazão às resistências expressas nas acentuadas contradições deste período de crise. A necessidade de maior acumulação tem exigido políticas de austeridade ainda mais agudas em todo o mundo, e ainda que elas não sejam novidade para os setores mais espoliados da classe trabalhadora, a sua intensidade é cada vez mais profunda. A desagregação social em tempos de crise é muito mais intensa para aqueles com inserção mais instável no mundo do trabalho: negros/as, mulheres, imigrantes, e não é casual que estes setores estejam protagonizando novas, dinâmicas e massivas lutas. O grande desafio é combinar formas de organizações políticas a estas lutas sociais.

Neste contexto, a possibilidade de ter ganhos democráticos amplia as forças no sentido de enfrentar e ganhar do regime. Em tempos de crescimento do protofascismo (a exemplo de Donald Trump) como decorrência da ausência de alternativas de esquerda à altura da tarefa de organizar as massas, este fato não é um detalhe na história.

Importância da luta antiracista para os revolucionários no mundo

Ao lutar pela igualdade de direitos, a população negra expõe a face mais cruel do capitalismo, a desigualdade necessária para o lucro crescente. A mão de obra mais barata do mercado segue sendo a mão de obra negra. Estas foram mãos e histórias que construíram boa parte do que conhecemos do mundo no período de expansão do capitalismo. Como classe em si, são alienadas do processo e do produto do seu trabalho, subordinada às relações mais sub-humanas pela lógica da ideologia burguesa de hierarquia dos povos. O sistema capitalista falhou para os negros, ou melhor, nunca deu certo.

Os grandes levantes ocorridos atualmente tem um fio de continuidade histórica com o ocorrido em outros momentos de grave crise. Numa situação de acirramento da crise econômica, há uma pressão para restrição dos gastos sociais, medidas privatizantes, aumento do desemprego e novas formas de intensificação do trabalho, o que prejudica especialmente o povo negro (assim como latinos e demais imigrantes). É objetiva a situação denunciada pelos levantes atuais.

No período de 2010 a 2013, quando após a fase mais aguda da crise houve uma estabilização média da renda familiar americana, se compararmos os domicílios de famílias brancas e negras, as últimas tiveram uma queda de 33%, enquanto os brancos tiveram um aumento discreto de 2,4%[7]. As taxas de desemprego, ainda que tenham variado, mantêm uma distância praticamente constante entre brancos e negros nos EUA – sendo o desemprego de negros 2 a 2,5 vezes maior que o de brancos[8]. O número de negros que conseguem diploma superior, apesar de ter aumentado, mantém-se abaixo dos brancos na mesma proporção. Do ponto de vista urbano, bairros de maioria negra seguem sem investimento em moradias e demais serviços públicos, conformando os ghettos em que proliferam o sub-emprego e muitas vezes o crime como único projeto de vida. Assim, as lutas do movimento negro respondem a um processo de superexploração e desagregação social deste setor da classe trabalhadora, que é impactado pela crise de modo mais intenso.

Portanto qualquer afirmação de uma suposta democracia nos EUA é prontamente negada pela real condição em que vivem os negros neste país. Não à toa os movimentos atuais tem potencial explosivo, visto que a possibilidade de se realizarem suas demandas – o fim da violência policial contra os negros em uma sociedade em que a democracia não se realiza nem quanto ao direito à vida – entra em choque direto contra a dinâmica de acumulação que é dependente da brutalização das condições de vida deste setor da classe (assim como os imigrantes, especialmente latinos). Apesar dos esforços no sentido de formulação pontual do que poderia coibir este tipo de violência por parte do movimento (treinamento em direitos humanos, acompanhamento comunitário da polícia, câmeras acompanhando policiais), que apontam pautas concretas pelas quais se mobilizar pela positiva, a capacidade real de enfrentar a situação da população negra sem tocar no âmago da crise econômica se assemelha à tentativa de apagar um incêndio com um dedal.

As explosões de mobilização que empurram a sociedade nos EUA – e influenciam positivamente na América Latina e outras partes do mundo – são demonstrativas de que as promessas democráticas do capitalismo têm extensão limitada e vida curta, ou seja, duram até a próxima crise explicitar sua dinâmica contraditória. Se nos períodos de estabilidade os negros já são inseridos subalternamente na dinâmica dos direitos sociais, nos períodos de crise exigir a garantia de uma plena realização democrática de seus direitos ameaça profundamente a ordem social capitalista.

[1] Na ocasião da vitória de Abraham Lincoln como presidente, a Associação Internacional dos Trabalhadores encaminhou uma carta, redigida pelo próprio Marx, destacando a importância da guerra contra a escravidão para a luta dos trabalhadores em nível internacional: “Os operários da Europa sentem-se seguros de que, assim como a Guerra da Independência Americana iniciou uma nova era de ascendência para a classe média, também a Guerra Americana Contra a Escravatura o fará para as classes operárias.” <http://www.revistabula.com/157-carta-de-karl-marx-para-abraham-lincoln/>

[2] O conceito de “acumulação por despossessão” com que trabalha David Harvey é bastante útil para analisar esta convivência aparentemente contraditória, mas em realidade funcional ao capitalismo contemporâneo, que mantém formas classicamente caracterizadas como “feudais” ou “pré-capitalistas”.

[3] Importante destacar que as Igrejas Batista e Metodista foram por muito tempo as principais, senão únicas, organizações de base (“grassroots”) de comunidades negras nos EUA. Portanto não se pode subestimar seu papel mobilizador, ainda que muitas vezes canalizados para a conciliação de classes.

[4] http://opinionsocialista.org/wp-content/uploads/2014/08/la-cuestion-negra.pdf

[5] Disse Malcolm X em seu último discurso: “Estamos vivendo uma era de revolução, e a revolta do negro americano é parte da rebelião contra a opressão e colonialismo que caracterizou esta era… É incorreto classificar a revolta do negro como simplesmente um conflito racial de negros contra brancos, ou como um problema puramente americano. De outra forma, estamos vendo hoje uma rebelião global do oprimido contra o opressor, do explorado contra o explorador”. https://www.jacobinmag.com/2016/02/malcolm-x-assassination-legacy/

[6] John Lennon e Yoko Ono lançaram a música Angela em sua homenagem e os Rolling Stones gravaram Sweet Black Angel, cuja letra falava de seus problemas legais e pedia sua libertação.

[7] De acordo com Pew Research Center: http://www.pewresearch.org/fact-tank/2014/12/12/racial-wealth-gaps-great-recession/

[8] http://www.nytimes.com/2014/08/20/upshot/americas-racial-divide-charted.html?_r=0