Israel Dutra, presidente do PSOL-RS

A pesquisa Ibope consolidou a seu modo o que o sentido comum das ruas porto-alegrenses já afirmava. A candidatura de Luciana Genro à prefeitura da capital do Rio Grande do Sul se posiciona para ir ao segundo turno com fortes chances de vitória. Estamos apenas começando uma eleição curta, mas densa e tensa. Aconteceram dois debates com uma audiência razoável, transmitidos pelas duas maiores rádios, Gaúcha e Guaíba.

Luciana Genro aparece com 23% – numa margem de erro de 4 pontos para cima ou para baixo- das intenções de voto. Isso corresponde a cerca de 30% dos votos válidos, se descontados os nulos e brancos. Avança algumas casas do cenário traçado pela pesquisa Methodus de algumas semanas atrás (20,8%).

Em seguida, está Raul Pont (PT) com 18%, ainda sem clareza para afirmar que sua dinâmica será ou não crescente. Um índice alto para um partido que colhe os frutos de suas escolhas políticas nos últimos anos, num divórcio ainda recente com o PMDB- que não acabou nada bem, dado as acusações de traição mútuas.

 

rstinga-2-768x576

No andar de baixo, uma luta pelo terceiro lugar interessante. O candidato que quer buscar um lugar à direita, Nelson Marchezan (PSDB) ultrapassa Sebastião Melo (PMDB), atual vice-prefeito e candidato da continuidade.

Apesar de angariar apoio de 14 siglas, Melo não consegue decolar. Teve uma crise intensa sobre a indicação de seu vice, uma reviravolta que causou fissuras, arrancando mal no primeiro debate de rádio.

De outra parte, Marchezan amplia seu discurso como candidato dos setores mais reacionários que buscam um lugar ao sol depois das manifestações pelo impeachment de Dilma e do apelo ao discurso fácil sobre a segurança pública. Assim mesmo, Marchezan tem seus problemas: perdeu na justiça o direito à coligação com o Partido Verde, tendo que modificar de última hora a composição de sua frente eleitoral.

Em seguida, os outros candidatos que lutam entre si para construir uma chance de briga no primeiro pelotão. O mais forte e estruturado é Mauricio Dziedricki , do PTB. Carrega o peso de um partido que tem vida nos bairros, tradição de chapas fortes e grandes de vereadores, influência em lideranças comunitárias.

Fábio Osterman (PSL) não é digno de nota nem de pena.

E os números de Júlio Flores do PSTU (3%) indicam que há espaço para ser disputado à esquerda.

Todos esses elementos, apresentados de forma breve, demonstram que a hipótese da Mudança é real. Aproxima-se a chance da disputa final de projetos. Uma vitória seria fruto de um movimento que começa a tomar forma. O fato de que Luciana tenha se saído bem nos debates, de que as plenárias das campanhas proporcionais e de apoio tenham reunido uma numerosa vanguarda, da presença dispara nas redes, indicam essa dinâmica.

Há um problema em questão que não se pode eludir. O tempo de TV é absolutamente desproporcional. Essa é aposta das máquinas da casta para cortar a sinergia do movimento em torno da “Vez de Luciana”. E uma aposta que guarda sua lógica, depois da reforma eleitoral conduzida por Eduardo Cunha em 2015 que reduz drasticamente o tempo de TV do PSOL.

Vão querer pesar as máquinas também nos bairros, na pressão de todo tipo, no assédio indevido.

Mas há outro problema: o das próprias castas. Como explicar ser parte da base do governador Sartori e do presidente interino Temer – rejeitado por quase 70% dos brasileiros que preferem novas eleições ao vice da Dilma? Os 12 anos do mesmo grupo que controla a prefeitura, com a base a um certo loteamento de cargos? Como fugir à politização de todo um setor da população indignado?

A aposta é clara: O PSOL tem a melhor candidata e o melhor programa.

A campanha de Luciana Genro está discutindo os problemas reais da cidade sob um prisma democrático e radical: uma visão integrada e humanitária de segurança pública. Uma revolução política na gestão municipal, eliminando dois terços dos cargos de confiança e invertendo a relação com os funcionários públicos. Restituindo o sentido comum contrário a corrupção, com um eixo claro de controle e fiscalização dos serviços públicos na lógica de avançar com um poder popular. Sem falar nos problemas candentes de saúde, educação e transporte. E a luta permanente por uma cidade livre dos preconceitos e referência nas causas democráticas.

O objetivo é construir o movimento que se desenha. Uma “Contra-Mola” potente capaz de resistir ao Golias do tempo de TV. Ela é formada pelas mulheres que sabem que existe uma primavera em curso; pelos LGBTS que lutam por mais direitos; pela juventude da cidade que é um dos berços das Jornadas de Junho; pelo amplo funcionalismo público que fez suas experiências com o PT e com a gestão Fogaça/PDT/PMDB nos últimos doze anos; pelos rodoviários que deram um salto em sua consciência depois da grande greve de 2014 e tem no PSOL e em seus candidatos referências claras para lutar por seus interesses de classe; das negras e negros nos bairros que lutam pelo direito ao futuro de seus filhos; um movimento que abrace a cultura popular e faça dela uma bandeira permanente; nas ocupações urbanas que fazem da cidade um território em expansão da luta popular nas periferias; dos aposentados que tem a sabedoria do tempo e a chaga de uma vida de trabalho e luta.

A força da candidatura de Luciana Genro acompanha o bom desempenho do PSOL nas pesquisas de várias outras capitais, grandes e médias cidades importantes do país, com destaque para Edmilson Rodrigues e Raul Marcelo (líderes das sondagens em Belém do Pará e Sorocaba-SP, respectivamente), além de Marcelo Freixo e Luiza Erundina que lutam para ir ao segundo turno do Rio de Janeiro e São Paulo, apesar do boicote midiático e da lei da Mordaça.

É tempo de multiplicar. Na construção de um novo ciclo no Brasil, o da Mudança, Porto Alegre está na frente.