A BATALHA DO RIO CONTINUA!

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Por Leandro Fontes e Marcio Ornelas – MES/PSOL

A eleição no Rio de Janeiro vai se aproximando de seus momentos finais e o crescimento da campanha de Marcelo Freixo / Luciana Boiteux  é cristalino. Embora não possamos confiar totalmente nos institutos de pesquisa, a última pesquisa IBOPE revela que a diferença entre Crivella e Freixo caiu de 26% para 17%. Refletindo e aproximando o sentimento das ruas, o retorno favorável cada vez maior e caloroso da população carioca em relação à campanha Freixo prefeito.

O debate da RedeTV! é um dos pontos de virada nessa campanha. Com uma postura de combate e apresentando propostas, Freixo polemizou e questionou com contundência o histórico de intolerância religiosa e de machismo do Bispo Crivella, obrigando o candidato da Igreja Universal a ter que admitir e se autocriticar ao vivo pelas barbaridades que já falou e escreveu. No debate ainda ficou evidente as limitações programáticas e o desconhecimento de alguns temas fundamentais por parte do candidato do PRB, tal como a lei que garante 1/3 da jornada de trabalho dos professores para a preparação de aulas. Crivella não só desconhecia a lei, como afirmou categoricamente que não a cumprirá caso ganhe a eleição, uma pauta histórica dos profissionais da educação.

Outro elemento que vem tornando o segundo turno cada vez mais quente são as denuncias por parte da impressa e mídias alternativas sobre posicionamentos de Crivella, que revelam que o Bispo de fala mansa acumula em sua trajetória manchas de intolerância religiosa, homofobia, machismo, elitismo e corrupção – o nome de Crivella é citado em delação da Lava Jato em esquema de caixa dois da Petrobrás. E para piorar, um dos grupos criminosos mais perigosos do Rio, a milícia “Liga da Justiça” dos Jerominhos e Natalino, já declarou publicamente apoio a sua candidatura. Por tudo isso, a cada semana Crivella e seu projeto conservador neo-teocrático se enfraquece diante da opinião pública.

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Capa da Revista Veja.

O Rio de Janeiro é uma vitrine política para o Brasil. É a segunda cidade de maior importância para o país e uma das mais destacadas capitais da América Latina. Uma vitória do PSOL pode significar a difusão de uma outra forma de governar, de fazer política e de se relacionar com a população. Em especial com os trabalhadores, a juventude e o povo das favelas. É impossível, nesse momento, medir as consequências de uma vitória de Marcelo Freixo, mas por certo, esse possível triunfo extraordinário irá servir de exemplo, de polo de resistência e irradiação sem fronteiras da luta democrática e por mais direitos. O Rio com Freixo na prefeitura poderá se tornar o ponto decisivo da luta contra Temer e suas medidas anti-povo a nível nacional. Por essa razão, uma enorme coalizão reacionária se reuniu contra Freixo e o PSOL, na organização de uma máquina de boatarias e calúnias, digna das piores práticas da velha política. Isto é, eleger Freixo e Luciana é dar um golpe contundente contra todas essas forças conservadores que se unem para tentar abortar o novo amanhã do Rio.

E por que esse novo amanhã é possível? Porque que Marcelo Freixo, para além de sua trajetória coerente e de sua brilhante atuação como tribuno do povo, é a expressão político-eleitoral mais latente de 10 anos de intensos enfrentamentos e mobilizações contra os governos do PMDB. A histórica greve dos bombeiros, dos garis e dos profissionais da educação, foram os primeiros alicerces de uma ruptura da classe trabalhadora contra o modelo mafioso, truculento e elitista peemedebista do Rio. Sem falar dos espontâneos protestos nas favelas contra a truculência do Estado e das revoltas nas estações de trem contra a Supervia. Freixo emerge como um fenômeno eleitoral em meio a um período de anos de acirramento da luta de classes no Rio, da ascensão imparável do movimento feminista, da negritude, da comunidade LGBT e da energia que foi a Jornada de Junho de 2013. Portanto, a força de Freixo, em grande medida, é fruto do avançando de consciência adquirida num largo processo de resistência e mobilização. Soma-se ainda a esse rico processo, que nesse período de intensas mobilizações e resistências (organizadas e espontâneas), um setor crítico do eleitorado carioca se deslocou e segue se transladando para posições que o PSOL defende. Um movimento, não linear, mas que se fortalece a cada combate. Apenas para apontar um exemplo, no Rio de Janeiro a bancada psolista na Câmara de Vereadores é a segunda maior com seis parlamentares, só ficando atrás da máquina do PMDB. Ou seja, o PSOL no Rio não é uma expressão meramente de uma figura eleitoral isolada. E sim um partido com força orgânica e lastro social na cidade.

Isso vem se consolidando devido à situação política no país e no Estado. A crise no regime, os escândalos de corrupção, a falta de confiança do povo na maior parte das instituições e o descrédito nos partidos tradicionais, acentuado com a bancarrota do PT, entre outros elementos como a atuação coerente do PSOL a nível nacional, colocou o partido em algumas cidades e regiões como uma alternativa viável para setores organizados da classe trabalhadora e setores de massas. Isto é, o PSOL se materializou em uma opção real à esquerda para parte importante dos(as) que lutam e vivem do seu próprio suor em alguns territórios.

Numa pesquisa que saiu na semana passada no portal Último Segundo da Ig, O PSOL foi apontado como o partido que mais cresce. Entre 2012 e 2016 crescemos 84,04%. Isso representa um aumento de 65.890 para 121.266 filiados. Uma marca extraordinária. Entretanto, não podemos enxergar esses números apenas como mera soma aritmética. Esses dados são significativos porque colocam o PSOL, numa situação de crise politica, de ceticismo e desconfiança de setores de massa, como uma alternativa em construção para o futuro e, em algumas casos (como Rio, Belém e Sorocaba) para o presente. Portanto, em nosso ponto de vista, é um erro afirmar categoricamente que a esquerda foi esfacelada no Brasil. Essa é uma caracterização que não condiz com a realidade. A velha esquerda, o PT em particular, foi sim derrotado politicamente e eleitoralmente. Contudo, o PSOL somado aos movimentos sociais, aos movimentos sindicais independentes e combativos, das mulheres, da negritude, dos bairros e da juventude indignada poderá formar um novo campo, sem manchas, da esquerda. E por isso, somos otimistas no futuro. Mesmo sendo realistas diante da atual correlação de forças do presente, conforme apontou o documento do Secretariado Nacional do MES (http://portaldelaizquierda.com/2016/10/eleicoes-2016-uma-primeira-leitura-de-balanco-e-perspectivas-brasil/)

Regressando para ao objetivo desse modesto artigo, é preciso afirmar: estamos cada vez mais perto. É possível vencer as forças retrógradas que querem jogar o Rio, cidade plural e diversa, no abismo da Idade Média. A vitória de Crivella e Cia é um grande salto para traz. É o momento da mudança sem retroceder. A hora da virada começou. Vamos de Freixo e Luciana, vamos de PSOL, vamos juntos.

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