O legado de Fidel: uma arma poderosa na luta contra a besta

Por Leandro Fontes – MES/PSOL

Fidel Castro faleceu no dia 26. Mas, seu legado seguirá vivo. E se converterá em força e estímulo em tempos de Trump.  Nessa batalha, o povo cubano comprovou ser a ponta de lança da infantaria latino-americana contra o imperialismo.

Em 57 anos, há 90 milhas dos EUA, Cuba resiste de pé. Esse é o fato incontestável. Esse exemplo deve nos nutrir de inspiração e coragem. Um elemento objetivo e ilustrativo para qualquer leigo: a pequena ilha não sucumbiu à superpotência.

E lembremos: Fidel à frente do Movimento 26 de Julho, ao lado de Che Guevara e Camilo Cienfuegos, teve um mérito grandioso de sempre ir adiante. Esta qualidade foi comprovada nos momentos mais adversos. Diante da pressão do imperialismo ianque, viu-se obrigado a aprofundar a revolução com medidas anticapitalistas na ilha. E assim o fez. E assumiu as consequências dessa ação.

Com apoio do heroico povo cubano, sujeito de sua própria transformação, o país deu saltos extraordinários do ponto de vista da emancipação humana, da dignidade, solidariedade e fraternidade.

Não é uma bravata a qualidade de excelência da saúde e educação em Cuba. O renomado cineasta norte-americano Michael Moore no documentário “Sicro – SOS Saúde” retratou esse fato.

Por todo esse simbolismo e tradição de luta ininterrupta anti-imperialista, Cuba se projetou de modo natural como um ponto de esperança. O porém da história contada pelos dominantes. O novo entre o velho. O ponto de valorização de consciência socialista na América Latina.

Ou seja, a ilha se consolidou como um país corajoso e independente frente ao imperialismo. Esse legado fica. Apesar desse ponto significativo, a revolução cubana também deixa (mais uma vez) a lição que é impossível o socialismo em um só país. E que o isolamento de Cuba na América Latina – uma das respostas do imperialismo foi o golpe militar em nosso país e em grande parte do continente – levou Fidel Castro sobreviver via adaptação à burocracia soviética. Desde então, criticamos Cuba pelas restrições democráticas que foram surgindo e se perdurando. Entretanto, essa crítica se orienta nos marcos da defesa incondicional de Cuba frente os EUA e os burgueses gusanos que migraram para Miami.

Portanto, é preciso ir adiante. Pois, o povo latino-americano não aceitará de modo pacato a besta Trump. Como jamais aceitou o chicote imperialista. E não será dócil perante as atrocidades, a violência de Estado e as desigualdades sociais. A tarefa é difícil e dura. Mas, não era tão diferente para os cubanos há sessenta anos em suas condições internas e externas.

Contudo, a revolução triunfou. Um fenômeno colossal e que quebrou paradigmas. É no brilho desse exemplo, desse legado, que devemos nos nortear nesse momento, a luz da real correlação de forças e das tarefas prioritários para avançarmos no terreno da luta de classes de nosso tempo.

Assim o fez Hugo Chávez. Desde seu primeiro momento a frente da Venezuela, ao seu modo, buscou a integração latino-americana e uma relação de parceria solidária com Cuba. Nessa combinação se fortaleceu novamente a resistência ao imperialismo e a identidade de independência latino-americana.

Evidentemente a história não se repete da mesma forma. Estamos recém entrando em um novo ciclo histórico e desta vez, para muitos(as), sem uma referência para se apoiar. Logo, a responsabilidade está em nossas mãos. Temos que confiar que a luta ininterrupta e a mobilização dos “de baixo” pode avançar contra tormenta “dos de cima”. E para isso, o temor da adversidade não nos pode tirar a esperança e a abnegação de ir adiante em nossas convicções. Talvez, esse ponto, resida o que podemos chamar da essência do legado irradiado de Havana.

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