Marcha de Mulheres em Washington

Diretrizes e definição de princípios

VISÃO GERAL E PROPOSTAS

A Marcha das Mulheres em Washington é um movimento liderado por mulheres que reúne pessoas de todos os sexos, idades, raças, culturas, afiliações políticas e origens na capital da nossa nação em 21 de janeiro de 2017, para afirmar nossa humanidade compartilhada e para pronunciar nossa mensagem corajosa de resistência e da autodeterminação.

Reconhecendo que as mulheres têm identidades que se cruzam e são, por conseguinte, afetadas por múltiplas questões de justiça e direitos humanos, delineamos uma visão representativa para um governo sobre os princípios de liberdade e justiça para todos. Como disse o Dr. King: “Não podemos andar sozinhos. E enquanto caminhamos, devemos fazer a promessa de que iremos sempre em frente. Não podemos voltar atrás.”.

Nossa libertação está ligada a de outras. A Marcha das Mulheres em Washington inclui líderes de organizações e comunidades que vêm construindo a base para o progresso social por gerações. Damos as boas vindas à colaboração vibrante e honramos o legado dos movimentos sufragistas e abolicionistas, o Movimento dos Direitos Civis, o movimento feminista, o Movimento Indígena Americano, Ocupy Wall Street, Casamento Iguaitário, Black Lives Matter, e mais – empregando uma estrutura descentralizada, coliderada e centrada numa agenda com abordagem ambiciosa e fundamental.

#PORQUEMARCHAMOS (#WHYWEMWEMARCH)

Somos empoderadas pelas legiões de líderes revolucionárias que pavimentaram o caminho para marcharmos, e reconhecemos aquelas ao redor do mundo que lutam por nossas liberdades. Honramos essas mulheres e tantas mais. Elas são #PORQUEMARCHAMOS.

Bella Abzug • Corazon Aquino • Ella Baker • Grace Lee Boggs Berta Cáceres • Rachel Carson • Shirley Chisholm • Angela Davis • Miss Major Griffin Gracy • LaDonna Harris Dorothy I. Height • bell hooks • Dolores Huerta • Marsha P. Johnson Barbara Jordan • Yuri Kochiyama • Winona LaDuke • Audre Lorde • Wilma Mankiller • Diane Nash • Sylvia Rivera Barbara Smith • Gloria Steinem • Hannah G. Solomon Harriet Tubman • Edith Windsor • Malala Yousafzai

VALORES E PRINCÍPIOS

  • Acreditamos que os Direitos da Mulher são Direitos Humanos e Direitos Humanos são Direitos da Mulher. Este é o princípio básico e original a partir do qual todos os nossos valores se desdobram.
  • Acreditamos que Justiça de Gênero é Justiça Racial e é Justiça Econômica. Temos de criar uma sociedade em que as mulheres, em particular as mulheres as mulheres negras, as mulheres indígenas, as mulheres pobres, as mulheres imigrantes, as mulheres muçulmanas e as mulheres queer e trans – são livres e capazes de cuidar e nutrir suas famílias, não importa como sejam formadas, em ambientes seguros e saudáveis, isentos de impedimentos.
  • As mulheres merecem uma vida plena e saudável, sem violência contra os nossos corpos. Uma em cada três mulheres foram vítimas de alguma forma de violência física por parte de um parceiro íntimo durante a sua vida; E uma em cada cinco mulheres foi estuprada. Além disso, a cada ano, milhares de mulheres e meninas, particularmente mulheres e meninas negras, indígenas e transsexuais são sequestradas, traficadas ou assassinadas. Nós honramos

as vidas das mulheres que foram embora antes de seu tempo e afirmamos que trabalhamos para que um dia todas as formas de violência contra as mulheres sejam eliminadas.

  • Acreditamos na transparência e na justiça contra a brutalidade policial e no fim da discriminação racial e direcionamento de comunidades não-brancas. As mulheres não-brancas são mortas sob custódia policial a taxas maiores que as mulheres brancas, e são mais prováveis de serem agredidas sexualmente pela polícia. Também exigimos o fim imediato do armamento policial com as armas de grau militar e táticas militares que estão causando estragos em comunidades não-brancas. Nenhuma mulher ou mãe deve ter que temer que seus entes queridos sejam feridos pelas mãos dos que juram protegê-los.
  • Acreditamos que é nosso imperativo moral desmantelar as desigualdades de gênero e raça no sistema de justiça criminal. A taxa de encarceramento tem crescido mais rápido para as mulheres do que para os homens, 700% desde 1980, e a maioria das mulheres na prisão tem crianças menores de 18 anos. As mulheres também enfrentam uma alta taxa de violência e agressão sexual. Comprometemo-nos a garantir o acesso a planejamento sensível ao gênero e cuidados de saúde dedicados, incluindo tratamento de abuso de substâncias, serviços de saúde mental e maternal para mulheres na prisão. Acreditamos na promessa de justiça restaurativa e alternativas ao encarceramento. Estamos também empenhadas em interromper fluxo da escola para a prisão que prioriza o encarceramento através da canalização sistemática de nossos filhos – particularmente crianças não-brancas, juventude queer e transexual, crianças e meninas órfãs – para o sistema de justiça.
  • Acreditamos na Liberdade Reprodutiva. Nós não aceitamos nenhuma retrocesso federal, estadual ou local, cortes ou restrições à nossa capacidade de acesso a serviços de saúde reprodutiva de qualidade, controle de natalidade, cuidados e prevenção ao HIV/AIDS, ou educação sexual precisa em termos médicos. Isso significa acesso aberto ao aborto seguro, legal, acessível e controle de natalidade para todas as pessoas, independentemente da renda, localização ou educação. Entendemos que só podemos ter justiça reprodutiva quando os cuidados com a saúde reprodutiva estejam acessíveis a todas as pessoas, independentemente da renda, localização ou educação.
  • Acreditamos na Justiça de Gênero. Devemos ter o poder de controlar nossos corpos e sermos livres de normas, expectativas e estereótipos de gênero. Devemos libertar a nós e a nossa sociedade da instituição de atribuir poder, agência e recursos desproporcionalmente à masculinidade, excluindo outros.
  • Declaramos firmemente que os Direitos LGBTQIA são Direitos Humanos e que é nossa obrigação elevar, expandir e proteger os direitos de nossos irmãos, irmãs e parentes homossexuais, lésbicas, bi, queer, trans ou não conformes. Isto inclui o acesso a cuidados de saúde sem exceções ou limitações; Acesso a alterações de nome social e de gênero em documentos de identidade; Total proteção contra discriminações; Acesso à educação, ao emprego, à habitação e aos benefícios sociais; E fim à violência policial e estatal.
  • Acreditamos numa economia impulsionada pela transparência, responsabilidade, segurança e equidade. Nós acreditamos que a criação de oportunidades de trabalho que reduzam a discriminação contra mulheres e mães

leva a economias prósperas. Nações e indústrias que apoiam e investem na prestação de cuidados e proteções para o local de trabalho – incluindo benefícios como licença familiar remunerada, cuidado infantil acessível, licença-saúde, assistência médica, pagamento justo, tempo de férias e ambientes de trabalho saudáveis – mostraram crescimento e capacidade aumentada.

  • Acreditamos na igualdade de remuneração por trabalho igual e no direito de todas as mulheres a serem pagas de forma equitativa. Nós devemos acabar com a discriminação de remuneração e contratação que as mulheres, particularmente mães, mulheres não-brancas, lésbicas, queer, e mulheres trans ainda enfrentam a cada dia em nossa nação. Muitas mães trabalharam todo o tempo; E as mulheres são agora 50% de todos os chefes de família. Defendemos que os 82% das mulheres que tornam-se mães, particularmente mães não-brancas, sejam pagas, julgadas e tratadas de forma justa. Salário igual para trabalho igual pode tirar as famílias da pobreza e impulsionar a economia de nossa nação.
  • Reconhecemos que as mulheres não-brancas carregam o fardo mais pesado na economia doméstica e no mundo, particularmente na economia do cuidado. Afirmamos ainda que todo o trabalho de cuidado – cuidar de idosos, cuidar dos doentes crónicos, cuidar das crianças e apoiar a independência das pessoas

com deficiência – é trabalho, e que o ônus dos cuidados recai desproporcionalmente nas mulheres, particularmente mulheres não-brancas. Defendemos os direitos, dignidade e tratamento justo de todas e todos cuidadoras e cuidadores pagos. Devemos reparar e substituir as disparidades sistêmicas que permeiam todos os níveis da sociedade.

  • Acreditamos que todas as trabalhadoras e todos os trabalhadores – incluindo domésticas/os e agricultoras/es – devem ter o direito de organizar e lutar por um salário mínimo vital e que os sindicatos e outras associações trabalhistas são fundamentais para uma economia saudável e próspera para todos. Trabalhadoras sem documentos e migrantes devem ser incluídas nas proteções trabalhistas e estamos em solidariedade com movimentos de direitos das profissionais do sexo.
  • Acreditamos que Direitos Civis são o nosso direito de nascença. Nosso Governo Constitucional estabelece um patamar para proporcionar e expandir direitos e liberdades – não restringi-los. Para este fim, devemos proteger e restaurar todos os direitos constitucionalmente mandatados para todos os nossos cidadãos e cidadãs, incluindo os direitos de voto, a liberdade de culto sem medo de intimidação ou assédio, liberdade de expressão e proteção para todos os cidadãos e cidadãs independentemente da raça, sexo, idade ou deficiência.
  • Acreditamos que é chegada a hora de uma emenda à Constituição dos Estados Unidos que inclua todos os direitos iguais. A maioria dos estadunidenses acredita que a Constituição garante direitos iguais, mas não é o caso. A Emenda 14 tem sido minada por tribunais e não pode produzir equidade real baseada na raça e / ou sexo. E em uma verdadeira democracia, o voto de cada cidadão e cidadã deve contar igualmente. Todas as e os estadunidenses merecem garantias de igualdade na Constituição que não podem ser retiradas ou desconsideradas, reconhecendo a realidade de que as desigualdades se intersectam, interconectam e se sobrepõem.
  • Baseadas na promessa do chamado da América para massas amontoadas que desejam respirar livremente, acreditamos em direitos de imigrantes e refugiados, independentemente do status ou país de origem. É nosso dever moral manter

as famílias em conjunto e capacitar todas e todos estadunidenses aspirantes a participar plenamente e contribuir para o nossa economia e sociedade. Rejeitamos a deportação em massa, a detenção familiar, as violações de processos  e a violência contra migrantes queer e trans. A reforma da imigração deve estabelecer um roteiro para a cidadania, e proporcionar oportunidades iguais e proteções de trabalho para todas e todos. Reconhecemos que o chamado à ação de amar nossa/o vizinha/o não se limita aos Estados Unidos, porque há uma crise de migração global. Nós acreditamos que a migração é um direito humano e que nenhum ser humano é ilegal.

  • Acreditamos que cada pessoa e cada comunidade de nossa nação tem direito à água limpa, ar limpo e acesso e fruição de terras públicas. Acreditamos que nosso ambiente e nosso clima devem ser protegidos e que a nossa terra e os recursos naturais não podem ser explorados para o ganho e acobiça corporativa – arriscando especialmente a segurança pública e a saúde.

SOBRE ESTE DOCUMENTO

As diretrizes e a definição dos princípios foram preparadas por um grupo amplo e diversificado de líderes. A Marcha das Mulheres em Washington agradece a todas que contribuiram, listadas ou não, pela dedicação na formulação desta agenda.

Monifa Bandele, Vice-Presidente da MomsRising

Zahra Billoo, Council on American Islamic Relations – San Francisco Bay Area

Gaylynn Burroughs, Diretora de Política e Pesquisas, Feminist Majority Foundation
Melanie L. Campbell, Convocante, Black Women’s Roundtable, Presidente & CEO da NCBCP

Sung Yeon Choimorrow, Diretora Executiva Interina, National Asian Pacific American Women’s Forum
Alida Garcia, Advogada dos Direitos e Diversidade de Imigrantes

Alicia Garza, National Domestic Workers Alliance
Carol Jenkins, Quadro de Diretoria da ERA Coalition

Dr. Avis Jones-DeWeever, Presidente do Incite Unlimited, LLC

Carol Joyner, Diretora da Labor Project for Working Families, Family Values @ Work

Janet Mock, Ativista e autora de Redefining Realness and Surpassing Certainty

Jessica Neuwirth, Presidente da ERA Coalition

Terry O’Neill, Presidente da National Organization for Women (NOW)

Carmen Perez, Diretora Executiva de The Gathering for Justice

Jody Rabhan, Diretora da Washington Operations, National Coucnil of Jewish Women

Kelley Robinson, Diretora Organizativa de Gerẽncia Nacional da Planned Parenthood Federation of America

Kristin Rowe-Finkbeiner, Diretora Executiva and Co-Fundadora da MomsRising

Linda Sarsour, Fundadora da MPower Change

Heidi L. Sieck, Co-Fundadora/CEO da #VOTEPROCHOICE

Emily Tisch Sussman, Diretora da Campanha, Center for American Progress

Jennifer Tucker, Consultora de Políticas Senior, Black Women’s Roundtable

Winnie Wong, Ativista, Organizadora and Co-Fundadora, People for Bernie

 

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