Repúdio aos bombardeios de Trump e aos ataques químicos de Assad

Pedro Fuentes-Charles Rosa
MES (Movimento Esquerda Socialista
1/ Pela primeira vez, a Síria foi alvo de um ataque aéreo dos EUA nos seis anos da guerra empreendida pelo carniceiro Assad e seu exército de criminosos de guerra. 59 mísseis estadunidenses destruíram a base Shayrat, onde há um depósito de armas químicas utilizadas para atacar civis em Khan Sheikhoun, que deixaram ao menos 83 mortos, entre eles 27 crianças. Trump fez esse bombardeio uma semana depois de haver dito que “não era preciso derrubar Assad”. Isso indicava que estava procurando um acordo para “como o pretexto da luta contra o terrorismo” com a qual Putin justifica a intervenção russa (onde tenta confundir o Estado Islâmico com a autêntica resistência) responsável por orquestrar – junto com o Irã – o massacre de Aleppo.
Não sabemos se esta ação é um fato isolado para se fortalecer em meio a sua péssima avaliação na opinião pública ou uma mudança de política. Neste domingo, a embaixadora dos EUA na ONU afirmou que “não há solução na Síria com Assad”. Enquanto isso, Rússia e Irã ameaçam tomar represálias, ainda que o Kremlin tenha sido avisado pelo Pentágono, horas antes do ataque de quinta-feira. Seja como for, rechaçamos essa operação. Ela cria mais incertezas e em nada ajuda a autêntica resistência síria, trazendo como consequência mais castigo para a população por parte do carniceiro Assad e seu aliado russo.
2/ Assad está marcado pela repressão indiscriminada a seu povo quando este iniciou uma revolução com mobilizações de protesto pacíficos contra seu regime. Para salvar seu poder dinástico, o ditador provocou uma guerra civil que já matou mais de meio milhão de sírios e exilou 5 milhões de refugiados, além dos obrigados a se deslocar internamente no país. Seu principal até agora foi Putin, que não poupou bombardeios e enviou milhares de soldados para dirigir massacres, principalmente, contra os rebeldes não-jihadistas.
3/ É necessário ter bastante clareza que Assad nada tem de antiimperialista. Não se pode chamar antiimperialista quem massacra sua população e quem foi peça-chave para a estabilidade da região, evitando a todo custo entrar em confronto com o assassino sionista Netanyahu. Não por acaso, a direita israelense cogitou no início do ano oferecer respaldo a Assad em troca do reconhecimento definitivo da posse das Colinas de Golã. Ademais, Assad nunca moveu uma palha para auxiliar a luta palestina, tendo atacado um campo de refugiados palestinos em 2011, quando este se colocou ao lado da oposição.
4/ Por outro lado, também é verdade que os EUA e os países da União Europeia são corresponsáveis da tragédia na Síria, uma vez que jamais colaboraram efetivamente com o envio de armas tão solicitado pela resistência síria, fator que debilitou demais os rebeldes não-confessionais e favoreceu os jihadistas que sempre contaram com o financiamento da Arábia Saudita, Qatar e Turquia. Aliás, as potências imperialistas do Ocidente atuaram em última instância com a Turquia, que intervém nesta situação para esmagar o Curdistão, tanto no seu território quanto na Síria. O fato é que nada interessa tanto aos EUA quanto a Rússia/Assad permitir que a Revolução de Rojava rompa o isolamento e se estenda pela região.
5/ Manifestamos com todas as letras nossa oposição a qualquer intervenção europeia ou do imperialismo, sem deixar de apontar o papel sinistro desempenhado pela Rússia. Lamentamos profundamente que o Hezbolah, o qual num período anterior foi peça-chave no enfrentamento ao sionismo, tenha passado a colaborar cada vez mais com Assad, a partir do momento em que ele estava mais debilitado militarmente. Se Assad permanece até hoje no poder é porque todos os imperialismos intervencionistas ajudaram e ajudam a manutenção do seu regime. Por isso, como fizeram os companheiros do NPA e dos partidos trotskistas da Europa, continuamos a exigir o fim do embargo de venda de armas para a resistência não-confessional, milícia-exército que precisou se formar quando Assad optou pela cruenta repressão militar. Eles não contaram com nenhum suporte de defesa e armamento capaz de enfrentar Assad ou os ataques do jihadismo.
6/ Seria um erro enorme dos militantes da Síria esperar que o presidente dos Estados Unidos realmente se coloque do seu lado. Pelo contrário, o ataque de Trump pode ser a cobertura da próxima manobra diplomática oportunista em aliança com outras potências opressoras, para servir a novas operações militares aventureiras em todo o mundo – além de tudo contra-produtivas- a fim de relançar a economia estagnada dos EUA, a custa dos povos oprimidos e dos próprios trabalhadores estadunidenses.
Em síntese, não depositamos nenhum tipo de apoio ou esperança nos ataques das forças armadas dos Estados Unidos. Nossa unidade é o com os que defendem e se solidarizam verdadeiramente com o povo sírio massacrado. Por fim, é crucial que exijamos o fim de qualquer tipo de embargo de venda de armas ao exército não-jihadista. Ao mesmo tempo em que clamamos pela retirada das tropas e a interrupção de todos os bombardeios russos ou norte-americanos, salientamos que a única via para uma paz justa na Síria é a saída do ditador carniceiro Bashar Al-Assad e a liquidação do seu regime opressor.

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