Vidas Negras Importam! – Intervenção de Michael McDowell / BLACK LIVES MATTER Michael McDowell (POR/ENG/SPA)

Intervenção de Michael McDowell (Black Lives Matter/Mineapolis) no painel “Por um mundo sem muros e sem fronteiras” durante o “Acampamento Internacional das Juventudes em Luta”, no dia 14/04/17.

Estou tentando manter minha compostura porque eu estou muito emocionado. Porque na última noite e hoje de manhã eu estava pensando comigo, tipo, é tão louco ouvir as pessoas do Brasil dizendo “vidas negras importam”. Porque quando estamos nos Estados Unidos nós sentimos… (fica emocionado) Esse é realmente um momento lindo para mim porque nos Estados Unidos quando estamos dizendo “vidas negras importam” é muito difícil sentir como se nós não estivessemos sozinhos. E eu estou dizendo isso no Brasil que tomou um lugar especial no meu coração, e faz algo louco, não sei, eu fico muito emocionado.

Então, esse painel se chama “Quebrando fronteiras e quebrando muros”, certo? E termos pessoas do Black Lives Matter dos Estados Unidos aqui no Brasil é o primeiro passo para rompermos essas fronteiras. Nós estamos aqui, termos essas conversas, construirmos essas relações únicas, falar sobre nossas próprias lutas e como elas funcionam entrelaçadas.

Então eu quero falar um pouco sobre o meu trabalho. E eu quero dizer também que alguns dos trabalhos que eu faço lá no meu país, eu trabalho com uma organização chamada Centro de Trabalhadores Unidos em Luta que é uma organização predominantemente de latinos, não havia muitos trabalhadores negros lá. Mas eu queria fazer parte dessa organização porque nos Estados Unidos a direita usa a mídia para colocar os negros e os latinos uns contra os outros. E em muitos momentos no nosso movimento o que víamos eram pessoas diferentes, que se pareciam diferentes, lutando exatamente pela mesma coisa. Mas pela mídia os afastarem, não estão trabalhando juntos.

Então para mim romper fronteiras e destruir muros não é apenas fazer isso literalmente, mas aprender sobre outra cultura, aprender uma outra língua, para assim sermos capazes de nos comunicarmos sobre as nossas lutas. E eu acho que é muito importante para o Black Lives Matter estar aqui. Esse é um momento muito importante.

Porque se vocês querem se livrar do Temer, nós queremos nos livrar de Trump! Os dois são misóginos, os dois não estão com o povo, são homofóbicos, eles não se importam conosco, e por isso precisam sair. Então eu entendo que nos Estados Unidos nós temos uma responsabilidade muito única na luta contra o racismo globalmente. Porque a militarização, a opressão, a violência, tudo nos leva aos Estados Unidos, tudo aponta pra gente.

Então nos Estados Unidos o que estamos fazendo, nosso movimento se foca na luta contra o racismo porque nos Estados Unidos nós entendemos que se os negros não forem livres, ninguém será livre. E falando com os organizados aqui no Brasileu posso ver que é a mesma coisa, se as pessoas não os negros não forem livros nos Estados Unidos e no Brasil, ninguém será livre.

Quando nós dizemos “vidas negras importam” vocês têm que entender que nós estamos falando coletivamente que as pessoas negras devem ser livres, então se você é branco você está dizendo que para você ser livre, os negros também tem que ser livres. Se você não é livre enquanto pessoas negra, eu não sou livre enquanto pessoa branca.

Então eu queria voltar pro que esse painel está falando, sobre “destruir muros e romper fronteiras”, e eu sinto que estamos fazendo isso agora, construindo pontes, falando sobre nossas lutas e como podemos vencer coletivamente. E outra coisa que eu sinto sobre “romper fronteiras e destruir muros” é também sobre fazer nosso trabalho de forma interseccional. Então nós dizermos “vidas negras importam” abre espaço para as pessoas indígenas que também estamos sobre suas terras. E você não pode dizer que as “vidas negras importam” sem falarmos também dos indígenas em cujas terras estamos.

Então mais uma vez gostaria de agradecer e eu dizer que estamos quebrando barreiras apenas por estarmos aqui, destruindo muros apenas por dizer “vidas negras importam” dos Estados Unidos para o Brasil.

 

[ENGLISH]

Michael McDowell (Black Lives Matter / Minneapolis) spoke on the panel “For a world without walls or borders” during the “International Camp of the Yoth in Struggle” on 04/14/17.

I’m trying to keep my composure because I’m very emotional. Because last night and this morning I was thinking to myself, it’s so crazy to hear the people of Brazil saying “black lives matter”. Because when we are in the United States we feel … (crying). This is really a beautiful moment for me because in the United States when we say “black lives matter” it is so hard to feel like we are not alone. And I’m saying this in Brazil that took a special place in my heart, and it does something crazy, I do not know, I just get very emotional.

So this panel is called “Breaking down borders and breaking walls”, right? And for people from the Black Lives Matter of the United States here in Brazil is the first step to breaking these borders. We are here, having these conversations, building these unique relationships, talking about our own struggles, and how they are intertwined.

So I want to talk a little about my work. And I also want to say that some of the job I do there in my country, I work with an organization called the Centro de Trabajadores Unidos en Lucha which is a predominantly Latino organization, there weren’t many black people working there. But I wanted to be part of that organization because in the US the right is using the media to put black people and Latino people against each other. And a lot of times in our movement what we see is different people, who looked different, but they are fighting for the exact same thing. But because the media is pushing them away, they are not working together.

So for me breaking borders breaking walls is not only to do this literally, but that means learning another culture, learning another language, so that we can communicate on our struggles. And I think it’s very important for Black Lives Matter to be here. This is a very important moment.

Because as you are trying to get rid of Temer, we want to get rid of Trump! They both are misogynist, they are not for the people, they are homophobic, they don’t care about us, so they need to be gone. So I understand that in the United States we have a very unique responsibility in the fight against anti-blackness globally. Because the militarization, the oppression, the violence, it all points to the United States, it all points to us.

So in the United States what we are doing, our movement is centered in anti-blackness because we understand that if black people don get free, nobody gets free. And speaking to those organizers here in Brasil, I can see that it’s the same thing, if black people don’t get free in the United States and Brazil, no one gets free.

When we say “black lives matter” you have to understand that we are collectively talking about black people should be free, so if you are white you are saying that for you to be free, black people also have to be free. If you are not free as a black person, I am not free as a white person.

So I wanted to get back to what this panel is talking about about “breaking down walls and breaking down borders” and I feel like we’re doing it now, building bridges, talking about our struggles and how we can collectively win. And another thing I feel about “breaking downd borders and breaking down walls” is also about making our work intersectional. So when we say “black lives matter” we create space for indigenous people who also are standing on their lands. And you can not say that “black lives matter” without mentioning the indigenous people in whose land we stand on.

So once again I would like to thank and I jjst want to say that we are breaking down borders just by being here, breaking down walls just by saying “black lives matter” from the United States to Brazil.

[CASTELLANO]

Estoy intentando mantener mi serenidad porque estoy muy conmovido. Porque en la última noche y hoy por la mañana estuve pensando conmigo, como es tán loco oír las personas de Brasil diciendo “Vidas negras importan”. Porque cuándo estamos en Estados Unidos sentimos… (se emociona) … Ese es de verdad un momento lindo para mí porque en Estados Unidos cuándo estamos diciendo “Vidas negras importan” es muy difícil sentir como se si no estábamos solos. Y estoy diciendo eso en Brasil que ocupó un lugar especial en mi corazón, y hace algo loco, no sé, me hace muy conmovido.

¿Entonces, ese taller se llama “Rompiendo fronteras y rompiendo muros”, ¿correcto? Y estar la gente del Black Lives Matter de Estados Unidos aquí en Brasil es el primer paso para romper esas fronteras. Nosotros estamos aquí, teniendo esas charlas, construyendo esas relaciones únicas, hablar sobre nuestras propias luchas y como ellas funcionan entrelazadas.

Quiero hablar un poco sobre mi trabajo. Y yo quiero decir también que algunos de los trabajos que yo hago en mi país, yo trabajo con una organización llamada Centro de Trabajadores Unidos en Lucha que es una organización en su mayoría de latinos, no tenía muchos trabajadores negros allá. Pero yo quería estar en esa organización porque en Estados Unidos la derecha usa los medios para poner los negros y latinos unos contra los otros. Y en muchos momentos en nuestro movimiento lo que mirábamos fueron personas distintas, que se parecían distintas, luchando exactamente por la misma cosa.  Pero por los medios los distanciaren, no estaban trabajando juntos.

Así que para mí romper fronteras y destruir muros no es apenas hacerlo literalmente, pero aprender sobre otra cultura, aprender otro idioma, para así ser capaz de nos comunicarnos sobre nuestras luchas. Yo creo que es muy importante para Black Lives Matter estar aquí. Ese es un momento muy importante.

¡Porque si ustedes quieren estar libres del Temer, nosotros queremos estar libres de Trump! Ambos son misóginos, no están con el pueblo, son homofóbicos, ellos no se importan con nosotros, y por eso precisan salir. Entonces yo comprendo que en Estados Unidos nosotros tenemos una responsabilidad muy única en la lucha contra el racismo globalmente. Porque la militarización, la opresión, la violencia, todo nos lleva a los Estados Unidos, todo apunta a nosotros.

Así, en Estados Unidos lo que estamos haciendo, nuestro movimiento se centra en la lucha contra el racismo porque en Estados Unidos entendemos que, si los negros no están libres, nadie va a ser libre. Y hablando con los organizados aquí en Brasil puedo ver que es la misma cosa, si las personas negras no son libres en Estados Unidos y Brasil, nadie va a ser.

Cuando decimos “vidas negras importan” ustedes tiene que comprender que estamos hablando colectivamente que las personas negras deben ser libres, si eres blanco usted está diciendo que para usted ser libre, los negros necesitan también ser libres. Si usted no es libre mientras persona negra, yo no soy libre mientras persona blanca.

Yo quiero volver para lo que ese taller está hablando, sobre “destruir muros y romper fronteras”, y yo siento que estamos llevando a cabo eso en ese momento, construyendo puentes, hablando sobre nuestras luchas y cómo podemos vencer colectivamente. Y otra cosa que yo siento sobre “romper fronteras y destruir muros” es también sobre hacer nuestro trabajo de manera interseccionales. Entonces decir “vidas negras importan” abre espacio para las personas indígenas que también estamos sobre sus tierras. Y usted no puede decir que las “vidas negras importan” sin hablarnos también de los indígenas cuyas tierras estamos.

Así que más una vez quiero agradecer y decir que estamos rompiendo barreras apenas por estar aquí, destruyendo muros apenas por decir “vidas negras importan” de Estados Unidos para Brasil.

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