Conexão Rio e Brasília: ilegitimidade, contra-reformas e mobilização popular. Fora Pezão! Fora Temer!

Por Rafael Araujo – professor de História e militante do MES/PSOL – RJ

Como tem sido constante nos últimos meses, a frente da ALERJ foi palco de mais uma manifestação dos servidores públicos e estudantes. O ato encabeçado pelo MUSPE tinha como uma de suas bandeiras políticas centrais o repúdio ao aumento da contribuição previdenciária de 11% para 14% dos servidores públicos estaduais. Além disso, também se conectava as pautas nacionais da grande mobilização de Brasília. Na capital da república, os trabalhadores do campo, da cidade e a juventude se manifestaram contra o corrupto e ilegítimo governo de Michel Temer e contra as reformas trabalhista e previdenciária que tramitam no apodrecido congresso nacional e que tem em Michel Temer e nos seus lacaios frágeis fiadores.

No Rio, mais uma vez,  as ações individualistas daqueles que reivindicam a tática da ação direta impulsionou uma forte repressão da Guarda Nacional e da Polícia Militar. Tiros e bombas foram direcionadas a esmo contra os servidores públicos e estudantes que buscavam por meio da ocupação da “Ágora” o repúdio às impopulares reformas articuladas pelos corruptos e ilegítimos Temer e Pezão. A repressão foi muito forte. O entorno da ALERJ e da Praça XV virou praça de guerra. Como ocorre diariamente nas favelas cariocas, tiros e bombas foram jogados sobre a população civil que, indefesa, buscava repúdio nos poucos prédios que ainda estavam abertos na região. A truculência policial garantiu a aprovação das impopulares medidas pelos deputados estaduais, que discursavam e aprovavam a “ajuda da união” em meio a tiros e bombas!

Mas, apesar da repressão policial, resistir é preciso. Somente com a ocupação das ruas poderemos barrar as reformas da previdência e trabalhista. E mais: é necessário que o PSOL seja a vanguarda em uma frente popular que mobilize os sentimentos dos indignados e busque nas Eleições Gerais e em uma Assembleia Constituinte, sem a participação dos citados na Lava-Jato, as saídas para a atual crise política. Não acreditamos que a bandeira das Diretas Já! seja a única solução para a crise política, pois se os candidatos forem os mesmos do desacreditado sistema político, nada será alterado. As negociatas na “calada da noite”, as trocas de favores e a corrupção continuarão e esfacelarão ainda mais a crença na política.

Temos que mobilizar a opinião pública e as ruas em torno das ELEIÇÕES GERAIS e de uma CONSTITUINTE que dê a todo e qualquer cidadão, independente de filiação a partidos políticos, o direito de participação. Há exemplos para isso. Nossos vizinhos bolivianos e equatorianos, no auge de suas profundas crises políticas na primeira década dos anos 2000, utilizaram o voto democrático e a constituinte enquanto instrumentos de refundação nacional.

Os governos de Pezão e Temer acabaram!!! Acabaram por meio do que os une: pelas negociatas e pelos conchavos com empreiteiras e as grandes empresas. Igualmente, a Nova República acabou! Acabou, entre outras razões, pela promiscua relação dos seus principais partidos (PMDB, PT, PSDB, PP, DEM, entre outros) com os também corruptos empresários brasileiros, como as investigações da Lava-Jato vem diariamente demonstrando. Acabou porque o sistema político estabelecido após a redemocratização demanda “pacto de poderes” que tem na corrupção a peça fundamental do seu funcionamento.

Por isso, precisamos refundar a república brasileira. E, nesse momento, isso só pode por meio de três instrumentos: GREVE GERAL, ELEIÇÕES GERAIS E UMA ASSEMBLEIA CONSTITUINTE!!!!

FORA TEMER! FORA PEZÃO!

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