Josemar Carvalho: Precisamos construir uma alternativa política

Intervenção de Josemar Carvalho no Painel de Educação do Acampamento Internacional das Juventudes em Luta
“Buenas noches” para todos e todas. Eu quero começar aqui saudando a juventude que está aqui presente organizada no Juntos, uma juventude de luta que não se acomoda, que é antenada aos desafios que temos nesse momento e que desde primeira hora buscam entender essa conjuntura.
Quando em 2011 se fundou o Juntos! os companheiros e companheiras que estavam ali organizando diziam o seguinte: estar atentos a uma onda internacional de juventude e essa onda vai chegar ao Brasil e precisamos organizar essa onda! E assim fizeram.
E o Juntos! conseguiu se mobilizar nesses anos por esse entendimento de entender que é parte da Primavera Árabe, entender que é parte da luta dos trabalhadores e da juventude do Norte da África, são parte de uma juventude que luta no mundo inteiro. E foi por isso que o Juntos! se tornou a principal juventude das Jornadas de Junho de 2013. Porque se antecipou aos desafios e às mobilizações.
E não é de estranhar que os grandes companheiros do Juntos! tenham tido também a capacidade de ser um polo na disputa do movimento estudantil brasileiro ao longo dos últimos anos, principalmente no processo de ocupações. Porque é uma juventude que não esconde a sua cara, que não se amedronta diante do desafio de construir uma nova sociedade, uma sociedade socialista.
Esse é o desafio e fica aqui minha saudação a essa juventude que não tem vergonha de dizer que tem que discutir política na sociedade, sim. Que não tem vergonha nem tem medo de ir contra o senso comum hoje que diz que a escola tem que ser “sem partido”. Que escola é essa que é “sem partido”? Uma escola “sem partido” é a escola do Estado, é a escola dos partidos corruptos. Política tem que ser discutida na escola, ser discutida nas ruas, na sociedade, nas praças e em todos os lugares. Para que lá nos podres poderes eles não definam o que é política por nós. Então fica aqui a minha saudação.
Mas eu também quero saudar os meus colegas e companheiros do Emancipa no qual estamos juntos na construção de uma alternativa de movimento popular e de educação popular nesse Brasil. Não seria ousado nem petulância da nossa parte dizermos que o Emancipa já é o maior movimento de educação popular no Brasil.
Mas como dizia Lênin, “não basta se intitular vanguarda”, temos o desafio de construir e ampliar ainda mais porque o Emancipa tem que se consolidar de Norte a Sul nesse país, do Oiapoque ao Chuí, e que em cada lugar e cada jovem possa estar ali construindo a sua construção com esse desafio. Mas pra falar eu quero chamar também os educadores do ANDES, o Waldemar (Boff), e quero dar uma saudação especial ao Chico Alencar que está aqui, que é meu companheiro de militância e em quem eu sempre me inspirei para fazer política aqui no Rio de Janeiro.
Chico, nós estamos contigo porque você está conosco! Você está nas lutas e no desafio de construir uma universidade a serviço dos trabalhadores, está com os jovens das escolas ocupadas, está com as periferias, está contra essa Reforma da Previdência, está na luta contra a terceirização. Está na luta dentro do parlamento sendo a voz dos excluídos que estão aqui fora sem espaço lá dentro.
Estamos contigo Chico, e estaremos contigo diante do desafio central que é apresentar uma alternativa para este país. Até porque nós não podemos dizer e não podemos ser diferentes. Porque se a juventude hoje quer lutar para ter um futuro, como diz na camisa do nosso acampamento, tem que lutar contra o governo que aí está. E tem que dizer em alto e bom som: Fora Temer!
Porque esse governo que aí está, para nós que somos negros, é um governo que já botou abaixo a Lei do Sexagenário quando colocou uma Reforma da Previdência com teto de 65 anos para poder se aposentar. É o mesmo governo que está prestes a acabar de vez com a Lei Áurea. Porque a Lei da Terceirização, a PEC dos Gastos, elas vão fazer o seguinte: você tem que trabalhar até morrer! Você tem que viver com um salário baixíssimo que não atende as suas necessidades básicas.
E é nesse sentido que nós temos uma alternativa, uma alternativa imediata, que temos que sair daqui desse acampamento e construir. É que em cada cursinho do Emancipa, cada escola, cada universidade, cada centro acadêmico e em cada local temos a tarefa de sair daqui organizando a Greve Geral no dia 28.
Porque essa mesa aqui ela expressa uma unidade na qual nós discutimos há muitos anos, e eu falo isso porque eu militei lá no “Fora Collor” e lembro disso. Que é a necessidade de unificar a luta entre os profissionais da educação e os estudantes. Entre os professores e os alunos. Entre os docentes e os discentes.
Ou seja, construir a Greve Geral é fundamental, porque a pauta da Educação também passa pela Greve Geral, porque o governo Temer para esse ano cortou mais de 4 Bilhões do MEC. E nós vamos denunciar isso com a Greve Geral e com a mobilização.
E para concluir quero dizer que nós temos um desafio de pautar nas ruas a nossa mobilização e apresentar em um programa alguns pontos centrais. E temos também o desafio de fazer a disputa na conjuntura mas também no páreo eleitoral. E acho que é fundamental que denunciemos também tanto a direita que aí está, com o PMDB e o PSDB, como também temos que denunciar a falsa esquerda na figura do PT. Porque se as coisas estão do jeito que estão é porque o PT lá atrás fez concessões a quem não deveria fazer.
O PT em 2003 apresentou uma Reforma da Previdência que abriu espaço para essa reforma que aí está. E como bem disse o Maurício (Costa) em uma postagem dele no Facebook, o Lula não tem cara pra falar contra a Reforma da Previdência porque foi o primeiro a fazer. Foi ele que fez!
Mas não basta só fazer política apresentando um programa ou fazendo discussões genéricas, nós temos que apresentar um nome que unifique. Nós temos o desafio de denunciar o PMDB e o PSDB. Nós temos o desafio de denunciar a falsa esquerda que é o PT. E para isso nós apresentamos o nome do Chico Alencar para presidente do Brasil!

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