Vidas Negras Importam: Em lembrança de Matlhomola Mosweu, a África do Sul se levanta

Durante quase 50 anos a África do Sul passou por um processo violento de segregação racial. O regime do Apartheid só acabaria em 1994, há pouco mais de 20 anos. Esses anos todos foram marcados por muita luta e resistência da população negra contra o racismo e a segregação imposta pelos Afrikaners (descendentes de europeus). Em março, o mundo inteiro relembrou o Massacre de Shaperville, resposta a um ato que aconteceu em 1961 contra a ‘Lei do Passe’, que exigia que pessoas negras andassem com um “livro de referência” com o histórico empregatício e residencial, o que limitava o trânsito de trabalhadores negros em “áreas brancas”. Neste episódio, a Polícia reagiu às manifestações com absurda brutalidade, abrindo fogo e matando mais de 70 pessoas e ferindo mais de 100.

O Massacre alterou a correlação de forças e abriu caminho para um ativismo internacional em solidariedade à Africa do Sul. 57 anos depois (apenas 23 após o fim oficial do Apartheid), a população negra ainda paga o preço de anos de opressão racista. A desigualdade racial ainda é presente, seja nas escolas e universidades – pouco mais de 6% dos negros maiores de 20 anos possuem um diploma de curso superior – , seja nas estatísticas.

Matlhomola Mosweu foi mais uma vítima desta violência histórica contra o povo negro da África do Sul. Em abril, aos 16 anos, foi jogado de um carro em movimento por dois homens brancos, que foram liberados após o pagamento de fiança. Segundo eles, o jovem estaria roubando girassóis de um campo. Isso foi o suficiente para levar centenas às ruas da cidade de Coligny. Mesmo com brutal repressão policial, denunciaram mais um crime racista no país e radicalizaram nas ruas em defesa das suas vidas. O ato de ontem (8) mostrou que com as vidas negras não se brinca. Se pra alguns, a história é contada com bomba e cassetete, para uma geração inteira ela é contada com luta e resistência.

Essa luta é o que nos une! Da África do Sul ao Brasil, a população negra conhece as armas dos poderosos, conhece o racismo e os racistas. Mas também conhecemos nossos heróis e heroínas, conhecemos nossa história de resistência. A luta em defesa das vidas negras é internacional. Nós do Juntos! nos solidarizamos a toda a negritude sul africana e a todas e todos que ousam lutar por um mundo em que o povo negro e africano seja de fato livre!

Ninguém será livre, até que a negritude seja! #VidasNegrasImportam

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