Nota do MPGT/Nuevo Perú sobre a Venezuela: Com o povo tudo, sem o povo nada

Pronunciamento do MPGT/Nuevo Perú sobre a Venezuela

O povo venezuelano deu força ao processo libertador mais importante desde a revolução cubana na América Latina, entretanto, agora é vítima de uma crise social, econômica e política que congelou o processo de mudança começado por Chávez e a Revolução Bolivariana. Esse mesmo povo deve ser o principal protagonista de qualquer saída da crise.

Os aportes da revolução bolivariana a América Latina foram imensos: a ideia da Pátria Grande e da II Independência Continental, abriram o caminho ao que depois veio na Bolívia e Equador, processos que buscaram uma margem de independência e soberania, ainda que com limitações e contradições. Tais processos mudaram o regime e avançaram até novas constituições e experiências políticas muito ricas.

Na Venezuela, avançou-se muito sob uma mudança de regime e de modelo econômico, colocando os recursos estratégicos nas mãos do estado. Com isso se deram enormes conquistas sociais importantes. Lamentavelmente, não se conseguiu romper a dependência extrativista nem se alcançou a diversificação da economia. Dessa forma, o processo esteve acompanhado do crescimento de uma burocracia e de uma boliburguesia que se apropria da renda petroleira e promove a corrupção.

A morte de Chávez representou um antes e um depois. Maduro não tem sabido manter o rumo e com suas políticas está liquidando o processo. Menos democracia, mais burocracia, mais boliburguesia, mais abertura ao capital estrangeiro. A máxima expressão disso são as concessões no Arco Mineiro do Orinoco.

Em meio à crise, a direita aproveita a perda de apoio social do governo para retomar a iniciativa em vários planos, nacional e internacional. A polarização que se impôs aumenta a violência, a pobreza e a agonia deste povo valente. Nós que sempre estivemos apoiando os acertos e procurando corrigir os erros da revolução sabemos que a direita não é a saída para a Venezuela. Com o apoio dos EUA, a direita tenta acabar com Maduro, porém apontando o desmonte do processo em seu conjunto.

A resposta de Maduro de ir a uma nova Assembleia Constituinte, passando por cima da Constituição de Chávez, leva-o a perder legitimidade, além de colocar em sério risco a ferramenta democrática mais potente que tinha em suas mãos. O regime caminha para a diminuição das liberdades democráticas, cada vez mais se sustenta nas Forças Armadas e se divorcia do povo. Por isso mesmo, tem crescido o chamado “chavismo crítico”, composto por setores, partidos, ministros/as, intelectuais e personalidades políticas que compõem a plataforma de defesa da Constituição e propõem um caminho distinto da polarização entre Maduro e a MUD. Aí está Marea Socialista que tem desempenhado um papel fundamental na articulação destes setores, resistindo a todo tipo de pressão.

Desde a América Latina, somos solidários ao povo venezuelano e sua luta por uma pátria livre e soberana. Repudiamos as agressões e condenamos qualquer tentativa de intervenção vinda de fora, seja da OEA ou dos exércitos estrangeiros. Em nossa opinião, é preciso retornar ao povo para aprofundar o processo. As respostas mais urgentes devem estar no campo das necessidades do povo. Ou seja, o diálogo não deve ser só com a oposição de direita, deve ser com todo o povo e suas organizações, incluindo os dissidentes chavistas para se colocar em marcha um Plano de Emergência que atenda as necessidades do povo, aprofundando o processo e apoiando-se na mobilização e na participação popular.

Com o povo tudo, sem o povo nada. Venceremos!

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