No tenim por! (Não temos medo!)

Alfons Bech – 19 de agosto de 2017

 

Escrevo esta crônica a título de informe. Em breve, lhes enviarei a Carta de La Aurora. Os atentados de Barcelona e Cambrils (povo costeiro a cento e cinquenta quilômetros ao sul de Barcelona) deixaram um saldo provisório de 13 mortos, mais outros cinco terroristas abatidos pela polícia. No entanto, há cerca de 30 feridos graves com a vida em risco. Os falecidos e feridos (no total, 130 feridos) são de quarenta nacionalidades, incluídos os do próprio país. Dos membros da célula terrorista, cerca de 13 por ora, estão detidos ou mortos, salvo um foragido. Quase todos são muito jovens, a maioria vivia em Ripoll, povo relativamente pequeno perto dos Pirineus.

O atentado pegou de surpresa aos estrangeiros e os próprios catalães. Contudo, a polícia já estava em nível de alerta 4, ainda que não tenha detectado tal célula ampla. Há um debate entre a colaboração entre a Polícia espanhola e os Mossos (polícia catalã), já que o governo Rajoy não compartilha toda a informação com a Catalunha. O atentado não fez ambos os governos reagirem de modo diferente.

A reação dos cidadãos foi exemplar. Solidária com os feridos e familiares. Também com as pessoas que ficaram presas em seus veículos na tarde-noite do atentado, devido aos controles policiais. A concentração na Plaza de Catalunya, em menos de 24 horas, foi muito grande, e o grito comum que se escutou foi “No tenim por” (Não temos medo).

No dia seguinte, ontem, um grupo de fascistas da Falange Espanhola tentou aproveitar o atentado para lançar suas palavras-de-ordem e discurso islamofóbico e contra os imigrantes, sendo rodeados e expulsos por manifestantes antifascistas e vizinhos, enquanto a polícia os protegia.

As reações dos partidos e sindicatos foram de convocar as concentrações. Houve concentrações na maioria das cidades e povos da Catalunha. Também em Madri e muitas cidades europeias, assim como nas Nações Unidas.

Houve uma aparição conjunta da prefeita de Barcelona, Ada Colau, junto com o President da Generalitat, Carles Puigdemont, ressaltando que Barcelona sempre foi e será cidade da Paz, da Acolhida, da Solidariedade, e que continuará assim apesar das tentativas dos terroristas que não conseguirão mudar esse espírito.

A cidadania volta a suas rotinas, porém detecta-se que o atentado tornou consciente um problema profundo, com raízes profundas e para o qual não há soluções rápidas nem muito menos policialescas, mas sociais, de justiça, de outra ordem mundial. Ou seja, que é preciso mudar muitas coisas para deixar de ter essa ameaça terrorista. Alguma mulher entrevistada assinalou que deveriam deixar de fabricar-se armas para vendê-las. Jornalistas e militantes destacam a opressão colonial de Israel sobre Palestina e sua permanente guerra. Nas mensagens de twitter e de whatsapp também reaparece a ideia de condenar os primeiros responsáveis da guerra do Iraque: Bush, Aznar e Blair.

Barcelona foi apontada por Bush como exemplo (negativo, segundo seu ponto de vista) de cidade que se opôs à guerra do Iraque. Também recentemente foi reconhecida como cidade da acolhida aos refugiados com a manifestação mais multitudinária da Europa. Churchill já houvera mencionado também como exemplo de resistência frente aos bombardeios dos fascistas italianos. Tudo indica que Barcelona seguirá tendo o mesmo espírito de sempre, aberto, solidário e combativo contra o ódio de tipo fascista.

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Nas imagens fotos da concentração do dia 18. Também concentração de vizinhos e grupos antifascistas contra os fascistas. Fotos que circulam pelo Twitter, entre elas a da manifestação contra a guerra no Iraque e a dos três criminosos de guerra.

bty

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