Equipe Operativa Nacional de Marea Socialista

Desde a aprovação do referendo do 1 de outubro, Catalunha ocupa o centro das notícias no Ocidente. Mobilizações, debates políticas e até uma tentativa de “Golpe de Estado” por parte do governo de Mariano Rajoy se sucederam sem conseguir esmagar a vontade do povo catalão de se expressar sobre sua relação com o Estado Espanhol.

A repressão por parte do Estado Espanhol contra o povo de Catalunha convenceu aos vacilantes e fez pronunciar-se contra tanta arbitrariedade aos que duvidavam ou inclusive ainda duvidam do referendo. É que as medidas adotadas por Rajoy mostram seu verdadeiro rosto autoritário. Suspensão de fato da autonomia catalã, controle econômico de suas finanças, que os mossos [1] passem a ser dirigidos pelo Ministério do Interior, invasões de instituições públicas e detenções completamente arbitrárias, mas estas decisões não afetam somente a Catalunha, proibições de atos por quase toda a Espanha, entre muitas outras medidas autoritárias. Tudo para impedir que um povo possa expressar.

A ofensiva brutal do Estado Espanhol mostra por oposição, a justa reclamação de uma nacionalidade oprimida. Não se trata aqui de polemizar sobre números, não importa se a convocatória do referendo foi mais ou menos ampla no Parlamento catalão. Ou é mais ou menos legítima. Tampouco se trata de opinar desde fora se é correto e oportuno ou não a demanda de independência que se expressa nas ruas de Barcelona e o no resto das cidades catalãs, se trata de reconhecer que é uma decisão que só lhe compete o povo catalão. Do que se trata aqui é de defender um princípio universal: o direito à autodeterminação das nacionalidades e dos povos oprimidos.

Da mesma maneira que rechaçamos a ingerência norte-americana a nosso país, Venezuela e lutamos contra o avanço autoritário, a suspensão de referendos e eleições, ou a manipulação das mesmas, por parte do governo de Maduro. De igual maneira que repudiamos a utilização de tribunais militares para julgar civis em nosso país. Acreditamos que os elementares direitos democráticos se defendem para todos, em todas as partes. Por isso, hoje nos solidarizamos com o povo catalão contra a repressão e agressão do governo do Estado Espanhol e reivindicamos e nos solidarizamos incondicionalmente com o direito desse povo a decidir seu próprio destino.

Em Caracas, convocamos para participar e acompanhar a convocatória da Fundación Pakito Arriaran em frente ao consulado da Espanha no sábado (30/09), às 11 da manhã, para expressar nossa solidariedade com o povo da Catalunha.

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[1] Corpo policial da Catalunha