dançarinas

Por Tatiane Ribeiro* 

Desde 2014, os EUA vivem um momento muito importante na conjuntura. Respondendo aos constantes ataques da polícia contra a vida de negros, o movimento racial deu respostas massivas. Seja nos atos de milhões de pessoas em diferentes cidades, seja na entrada cada vez mais forte de lideranças negras na política institucional. A verdade é que hoje, sem dúvida, é nos EUA que se encontra o centro da luta pelos direitos da negritude. Com campanhas como “I can’t Breathe” (Não consigo respirar) ou “Black Lives Matters” (Vidas Negras Importam), o debate sobre o genocídio negro está no centro de todos os debates.

E é nesse cenário que se encontram duas importantes demonstrações de que o tema seguirá forte no país: o apoio da filha de Eric Garner (assassinado pela polícia em Stanten Island) ao socialista Bernie Sanders (Partido Democrata) e a apresentação de Beyoncé no aniversário de 50 anos do Super Bowl. Não há como negar que existe ligação entre os dois eventos. Nem que se trata de uma virada histórica na luta racial estadunidense.

Desde os assassinatos mais noticiados em Baltimore e Ferguson, a população afro-americana tem saído às ruas a cada nova morte. Trata-se de uma retomada da luta pela igualdade racial a tanto tempo “silenciada” pelo sistema de guetização com que as diferentes etnias se estabelecem no país. Com bairros de negros, bairros de latinos e bairros da classe média, os mais pobres são completamente apagados dos noticiários e da política. Não mais. Agora, eles querem direitos, querem ter suas vozes ouvidas. E esse processo está se desenvolvendo no país inteiro, mesmo com a resistência da classe dominante e dos conservadores que tem como seu porta voz o Partido Republicano.

O fenômeno Sanders só explica de uma maneira: os 99% da população que mais sofre está cansado de sofrer. Quer voz, quer vez e quer mudanças. E sabemos qual é a cor majoritária dos 99%: negros. Uma coisa não se explica sem a outra. A campanha de Sanders não seria o que é sem que antes as campanhas contra o genocídio negro abrissem o caminho para uma nova onda política. Sem que esses saíssem às ruas, mostrassem que não podemos mais manter as coisas como estão, sem dúvidas Hillary já teria, como falamos por aqui, comido Sanders com farinha. Mas não se trata mais das mesmas formas de fazer política: se já na campanha de Obama existia um sentimento de mudança, de representatividade para a população negra, agora é a hora do tudo ou nada. Nada poderá ser como antes.

Beyoncé e as panteras “em formação”

E já que nada poderá ser como antes, a indústria cultural também não é mais a mesma. E é nessa nova era política negra que o clipe “Formation”, de Beyoncé, aparece. Um clipe político, que faz menção à Martin Luther King (dizendo que era mais que um sonho), Malcon X e as vítimas (de maioria negra) da falta de políticas públicas depois do furacão Katrina. Um clipe que coloca mulheres negras nos lugares das mulheres brancas, que fala sobre a beleza negra e, no fim das contas, diz que não vamos mais dar um passo pra trás.

Beyoncé é uma mulher negra que carrega em si toda a contradição da indústria cultural estadunidense. Afinal, a indústria vende homens negros gangsters e mulheres negras que balançam bundas. Objetos sexuais. Beyoncé, com letras de fortalecimento das mulheres, já se declarou feminista dezenas de vezes (incluindo um banner FEMINIST em um dos seus shows). Mas em sua nova música, ela extrapola tudo isso. Se entendendo enquanto uma mulher rica e, assim, com privilégios, ela retorna às suas raízes para dizer que estamos em formação. As mulheres negras estão em formação de guerra. E a formação é em X, para homenagear os que nos antecederam. E é vestida de Pantera, porque muitas lutaram e morreram para chegarmos onde chegamos.

E não apenas o clipe mostra tudo isso, Beyoncé foi além. Na apresentação do intervalo do maior evento esportivo do mundo (o SuperBowl), ela se apresentou com suas dançarinas vestidas de Panteras Negras, repetindo a formação em X e falando sobre racismo em rede nacional (e internacional).

O espaço está aí: uma grande mulher que sabe que pode levar e repercutir o tema racial para além de algumas dezenas e chegar no mundo inteiro. Entendendo-se como uma ferramenta, e não a portadora das boas novas. Apesar de vários movimentos de esquerda terem criticado sua tentativa de “roubar o protagonismo”, Beyoncé mostrou a importância de termos dentro da indústria cultural grandes aliados.

Falar sobre racismo no evento esportivo que tem maior audiência no mundo todo, ao vivo, é mostrar que não há mais como esconder que existe um estado de guerra racial nos EUA. Se em Baltimore, um dos candidatos a prefeito da cidade (Mckesson) surgiu como uma liderança do movimento Black Lives Matters, muitos outros surgirão. Alguns pela política institucional, outros tantos nas ruas e alguns, por que não, nas televisões cantando que estaremos em formação contra o racismo e por políticas que mudem radicalmente a vida desses 99% que morre todo dia na mão da polícia.

(*) Secretaria geral do PSOL São Paulo pela corrente MES e é dirigente do setorial de Negras e Negros do partido.

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La lucha racial en los EUA: una guerra comienza y estamos en formación

Desde 2014, los EUA viven un momento muy importante en la coyuntura. Respondiendo a los constantes ataques de la policía contra a vida de negros, el movimiento racial dio respuestas masivas. Sea en los de millones de personas en diferentes ciudades, sea en la  entrada cada vez más fuerte de dirigentes negras en la  política institucional. La verdad es que hoy, sin duda, es en los  EUA que se encuentra el centro de la lucha por los derechos de la negritud. Com campanhas como “I can’t Breathe” (Não consigo respirar) ou “Black Lives Matters” (Vidas Negras Importam), o debate sobre o genocídio negro está en el centro de todos los debates.

Es en ese escenario que se encuentran dos importantes demonstraciones que el tema seguirá fuerte en el país: el apoyo  de la hija de Eric Garner (asesinado por la policía en Stanten Island) al socialista Bernie Sanders e la presentación de Beyoncé en el aniversario de los 50 años del Super Bowl. No hay como negar que existe ligazón entre los dos eventos. Ni que se trata de una virada histórica en la lucha racial estadunidense.

Desde los asesinatos más noticiados de Baltimore e Ferguson, la población afro-americana ha salido a las calles cada nueva muerte. Se trata de una retomada de la lucha por la igualdad racial tanto tiempo “silenciada” por el  sistema de guetización con las diferentes etnias pobres del país. Con barrios de negros, barrios de latinos e barrios da clase media, los más pobres son completamente apagados de los noticiarios de la política. No más. Ahora ellos quieren derechos, quieren tener sus voces oídas. Y eso proceso se está desarrollando en el país entero., mismo con la resistencia de la clase dominante y de los conservadores que tienen como su porta voz el Partido Republicano.

La verdad sea dicha: Si en el Brasil decimos que no basta que Dilma sea mujer para representar os intereses de las mujeres, creemos que también en los EUA vale la misma premisa. A pesar do segundo mandato de un negro, Obama no atiende los intereses de los negros estadunidenses, al final gobierna para los intereses del imperialismo y de los grandes capitalistas. Y es por eso mismo que el apoyo de Erica Garner (hija de Eric) a Bernie Sanders es una muestra de que es preciso más de que apenas representar las apariencias. Sanders tiene conseguido conquistar sectores antes desacreditados en la política, como la población más pobre y también la juventud. Con un discurso que no tiene miedo de colocar dedos en las heridas y hablar sobre socialismo y la situación de la población negra, Sanders conquista cada vez más admiradores y apoyadores dentro de los movimientos sociales. No por casualidad em 18 horas, conseguió donaciones de 15 mil personas físicas en su campaña después de su victoria en New Hampshire.

El fenômeno Sanders solo se explica de una manera: os 99% da população que maas sufre está cansado de sufrir. Quieren voz y  quieren  cambios. Y sabemos cual es el color mayoritário de la población pobre: negros. Una cosa no se explica sin la otra. La campaña de Sanders no seria lo que és sin que antes las campañaas contra el genocídio negro abriesen el camino para una nueva onda política. Sin que ellos saliesen a las calles, mostrasen que no pueden mas mantener las cosas como estan, sin dudas Hillary yá habría, como hablamos en el Brasi, comido Sanders con harina. Pero no se trata mas de las mismas formas de hacer  política: si ya en la campaña de Obama existia un sentimento de cambio, de representatividad para la población negra, ahora es hora de que eso suceda. Nada podrá ser como antes.

Beyoncé y las panteras “e formación”

E yá que nada podrá ser como antes, la indústria cultural también no es más la misma. Y es en esa nueva  era política negra que o clip “Formation”, de Beyoncé, aparece. Un clip político, que hace mención à Martin Luther King (diciendo que era mas que um sueño), Malcon X y las víctimas (de mayoría negra) de la falta de políticas públicas despues del huracan Katrina. Un clip que coloca las mujeres negras em los lugares de las mulheres blancas, que habla sobre la belleza negra y, en fin de cuentas no fim das contas, dice que no vamos mas a dar un paso para atrás.

Beyoncé és una mujer negra que carga em si toda la contradicción de la indústria cultural estadunidense. Al final, la indústria vende hombres  negros gangsters e mujeres negras que balancean el culo.. Objetos sexuais. Beyoncé, con letras de fortalecimento de las mujeres yá se declaro feminista decenas de veces (incluyendo un cartel FEMINIST en uno de sus shows). Mas en su nueva música, ela extrapola todo eso. Se entendiendo en cuanto uma mujer rica y, asi con privilégios, ella retorna à sus raíces para decir que estamos em formación. Las mujeres negras están en formación de guerra. Y la formação es em X, para homenajear los que nos antecedieron. Y es vestida de Pantera, porque muchas lucharon y murieron para llegar donde llegamos.

Y no apenas el clip muestra todo eso, Beyoncé fue más allá. En la presentación del intervalo del mayor evento deportivo del mundo (el  SuperBowl), ella se presento con sus danzarinas vestidas de Panteras Negras, repitiendo la formación en X y hablando sobre racismo en red nacional (e internacional). El espacio está ahí: una grande mujer que sabe que puede llevar y repercutir el tema racial más allá de algunas decenas y llegar en el mundo entero. Entendiendose como una herramienta, e no la portadora de buenas nuevas.. Apesar de que vários movimentos de izquierda han criticado su tentativa de “robar el protagonismo”, Beyoncé mostro la importância de tener dentro de la indústria cultural grandes aliados.

Hablar sobre racismo en el evento desportivo que tiene mayor audiência, al vivo, y mostrar que no hay mas como esconder que existe un estado de guerra racial nos EUA. Se en Baltimore, uno de los candidatos a alcalde de la ciudad (Mckesson) surgió como un dirigente del movimiento Black Lives Matters, muchos otros surgirán. Algunos por la política institucional, otros tantos em las calles y algunos, por que no, em la TV cantando que estaremos en formación contra el racismo e por políticas que cambien radicalmente la vida de esa gran mayoría negra que muere todo los  dias en la mano de la policía.

(*) Secretario general del PSOL Sao Paulo por la corriente MES y es líder en la setorial de Negro del partido.