Informe de Sâmia Bomfim, Fernanda Melchionna e Fernanda Miranda

Bancada Feminista do PSOL

Em 09 de dezembro foi oficialmente lançada a Bancada Feminista do PSOL . A atividade contou com 10 das 11 vereadoras eleitas: Áurea Carolina e Cida Falabella de BH, Marielle Franco do RJ, Talíria de Niterói, Fernanda Garcia de Sorocaba,  Rosi de Tanabi e Mariana Conti de Campinhas, além de nós três. Marcante a força de das mulheres eleitas, negras, trabalhadoras, jovens.  Ficou muito marcante a compreensão comum de um feminismo anticapitalista, classista, antiracista e contra a LGBTfobia.

De tarde ocorreu uma reunião de trabalho com militantes e algumas convidadas. Deliberamos o eixo na luta contra a PEC 55 e a  Reforma da Previdência que além de colocar a idade mínima para 65 anos para todos, rompe com uma conquista histórica das mulheres que é trabalhar 5 anos a menos que os homens como reconhecimento da dupla jornada de trabalho como eixos da nossa luta do próximo período. A segunda a ideia da Bancada Feminista ser parte da comissão encabeçada pela Luciana Genro e Luciana Boiteaux  para montar uma ADPF para provocar o STF sobre a descriminalização do aborto.

O ápice foi o lançamento público à noite com cerca de 150 pessoas e uma mesa composta pela Luciana Genro e Boiteaux junto com as vereadoras.

Um ato que emocionou os presentes pela qualidade das intervenções, mas sobretudo, pela concretização da intervenção unificada e do protoganismo da luta das mulheres no período. Para todas as presentes ficou evidente que a atividade de ontem foi um marco para as feministas do PSOL, e um salto qualitativo para todo o partido.

Bancada Feminista


Carta da Bancada Feminista do PSOL

09 de dezembro de 2016

Apresentamos nesta carta a constituição da nossa Bancada Feminista do Partido Socialismo e Liberdade. Acreditamos que é tempo de uma intervenção unificada entre as vereadoras e os movimentos sociais para resistir aos ataques dos governos e dar mais potência às lutas em defesa das mulheres.

Estamos vivendo um ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores com o governo ilegítimo de Temer, com a PEC 55 que congela por 20 anos os investimentos nas áreas sociais e a recente (Contra) Reforma da Previdência que impõe a idade mínima de 65 anos para as aposentadorias.  Todas essas medidas afetam o conjunto da classe trabalhadora e, principalmente as mulheres, que ganham em média 30% a menos que os homens, que enfrentam duplas e triplas jornadas de trabalho, que sofrem com o assédio sexual e moral, não encontram vagas nas creches e têm os empregos mais precários. São as mulheres mais pobres que morrem vítimas dos abortos clandestinos e inseguros. Precisamos debater a descriminalização do aborto como questão de saúde pública e não como um tabu.
Além disso, na maioria das cidades do país ganharam prefeitos da direita, que se alinham com a política do governo federal e que de longe não têm como prioridade os direitos das mulheres. Há ainda setores fundamentalistas que representam sérios riscos aos nossos direitos sexuais e reprodutivos e liberdades democráticas.

Mas, apesar disso, há muita luta protagonizada pelas mulheres no mundo e no Brasil. Recentemente a campanha #Ni Una a Menos reuniu milhares de mulheres na Argentina, a resistência ao ataque a legislação do aborto na Polônia foi vitoriosa depois de muito luta, as primeiras manifestações de resistência à Trump nos EUA tem jovens, mulheres e negros na linha de frente. No Brasil,  os atos contra o Cunha, contra a cultura do estupro, da Marcha das Mulheres Negras, das hashtags nas redes, nosso recado é forte: não aceitaremos mais o machismo, vamos denunciá-lo e vamos nos organizar para conquistar nossos direitos. Vamos ocupar a política e todos os espaços que nos foram negados historicamente.  E a eleição das feministas do PSOL também é a expressão da Primavera das mulheres. Para além de ocupar as ruas, estamos ocupando a política.

Apresentamos a vocês a nossa bancada: a Bancada feminista. Agora, em pelo menos 10 Câmaras do país, haverá uma mulher feminista disposta a levar nossas demandas e lutas nas cidades, onde as mulheres mais sofrem com o machismo. Vamos enfrentar o conservadorismo, defender mais verbas para o combate à violência, leis e políticas públicas voltadas à nossa segurança, saúde, cultura e liberdade. Queremos fazer dos nossos mandatos megafones das vozes das mulheres que tomam as ruas de todo o país.

Queremos fazer desta construção um espaço de discussão permanente dos feminismos, colocando a necessidade da luta das mulheres ser interseccional, classista, trans e negra. Queremos ter espaços coletivos e permanentes com os movimentos sociais e ativistas, debatendo e potencializando as lutas. Sabemos que são tempos de resistência e de organização para construir o futuro. Cada um de nossos mandatos é parte das trincheiras necessárias para enfrentar a exploração capitalista e um de seus principais pilares: o patriarcado, o racismo e toda a forma de opressão.

Nosso primeiro encontro realizado em 09 de dezembro de 2016, lança este desafio e convidamos a todas as ativistas a estarem nesta construção conosco.