Intervenção de Neal Meyer (DSA) no painel “Por um mundo sem muros e sem fronteiras” durante o “Acampamento Internacional das Juventudes em Luta”, no dia 14/04/17.

Eu estou ansioso de estar aqui com vocês hoje, eu nunca estive no Brasil antes. E não há melhor maneira de conhecer um país do que passar um tempo com camaradas tão belos e espertos.

Nesse feriado de Páscoa podemos dizer que a esquerda já passou por momentos tenebrosos mas que está se levantando mais uma vez. Então eu gostaria de lhes falar um pouco sobre Donald Trump, mas também lhes trazer boas novas.

Não há dúvidas que Donald Trump é um homem muito perigoso. Ele está numa escalada do imperialismo americano. Seus ataques à Síria são ao mesmo tempo contra a lei americana e errada como uma violação das leis internacionais. Sua agenda é de ataques ao meio ambiente, declarar guerra aos imigrantes ilegais na América, e aumentar as fronteiras do racismo e do sexismo nos Estados Unidos.

Mas tem uma coisa muito importante sobre o Donald Trump, e é muito similar ao Temer. Ele é muito perigoso mas é também um tolo. E a coisa boa que precisamos saber é que ele é um tolo e um fraco!

Há uma contradição essencial na sua base. Como a mídia da extrema direita ele tenta unir as classes dominantes à classe trabalhadora. E foi assim que ele ganhou as eleições em 2016. Mas isso não vai funcionar pelos próximos 4 anos. Os interesses de suas bases vão de contra uns aos outros.

Os ricos e a classe dominante querem cortar impostos, a seguridade social e ir à guerra. Mas aquelas pessoas da classe trabalhadora que votaram nele acreditam que ele trará empregos de volta, manterá a seguridade e não irá à guerra. Ele não pode reconciliar essas diferenças e ele vai escolher o lado das classes dominantes. E essa é sua fraqueza essencial e por isso falhará.

Mas não é só isso, é também o fato de que nos Estados Unidos nós voltamos a ter movimentos sociais mais uma vez. E começou já depois do dia da sua posse. A Marcha de Mulheres mobilizou dezenas de milhões de pessoas nos Estados Unidos. A Marcha de Mulheres iniciou o trabalho de colocá-lo na defensiva, de colocá-lo sob ataque.

Mas é muito mais que isso. Desde então nós temos mobilizações nos aeroportos para proteger os refugiados, o movimento do Black Lives Matter está lutando, no primeiro de maio teremos mobilizações de milhares de imigrantes ilegais que querem defender seus direitos… Então nós sabemos que Trump está sob ataque e que Trump vai perder.

E isso é importante sabermos sobre a extrema direita. Quando eles concorrem em eleições, eles são obrigados a se vestir em pele de cordeiro. Mas quando estão já nos gabinetes não conseguem esconder que na verdade são lobos. E as pessoas irão rejeitá-los.

E eu também quero trazer umas boas novas dos Estados Unidos. Há agora nos EUA movimentos que estão lutando e pela primeira vez em décadas há um movimento socialista nos Estados Unidos. E isso é um fato de extrema importância.

O crescimento da união entre o movimento negro, o movimento feminista, o movimento socialista promete abrir um período de progresso nos Estados Unidos. Essa é a combinação de um processo que tem ocorrido ao longo dos anos. Nós começamos com as mobilizações anti-globalistas em 1999, com o movimento anti-guerra em 2003, com o movimento pelos imigrantes em 2006, com o Occupy Wall Street em 2011 e com o movimento do Black Lives Matter em 2013. E então houve a campanha de Bernie Sanders em 2016.

Há milhares de pessoas nos Estados Unidos batalhando endividados, com salários baixos, sem assistência de saúde… e o programa de Bernie Sanders de revolução política promete melhorar a vida deles. E em todo esse processo organizadores e ativistas apareceram.

E esses organizadores e ativistas estão se organizando e percebendo a importância de partidos e organizações. A minha organização, os Socialistas Democráticos da América (DSA na sigla em inglês) está emergindo desse processo também. Esse ano nós triplicamos o número de filiações. Agora temos 20 mil socialistas organizados nos Estados Unidos.

Estamos muito entusiasmados e animados por lutar com nossos camaradas ao redor do mundo. E para terminar gostaria de dizer para vocês que precisamos de um novo internacionalismo no mundo. Um internacionalismo que consiga organizar a resistência ao redor do mundo. Precisamos de um internacionalismo que nos coloque na ofensiva. E nós podemos nos inspirar nos avanços e lutas uns dos outros. Isso é uma oportunidade e uma obrigação.

Se no tempo de Marx e Engels eles conseguiram organizar uma Internacional com barcos e telegramas nós precisamos, na era da internet e dos aviões, conseguir organizar uma nova Internacional. Essa é a nossa tarefa, vamos lá!

 

Intervention by Neal Meyer (DSA) on the panel “For a world without walls or borders” during the “International Camp for the Youth in Fight” on the 14th of April, 2017.

I’m excited to be here with you today, I’ve never been to Brazil before. And there is no better way to know a country than to spend some time with such beautiful and smart comrades.

On this Easter holiday, we can say that the Left has gone through dark times, but it is rising up once again. So I would like to tell you a little about Donald Trump, but also to bring you good news.

There is no doubt that Donald Trump is a very dangerous man. He is in an escalation of American imperialism. His attacks on Syria are both against American law and wrong as a violation of international laws. His agenda is one of attacks on environment, declaring war on undocumented immigrants in America, and expanding the borders on racism and sexism in the United States.

But there is something important about Donald Trump, and it is very similar to Temer. He is very dangerous but he is also a fool. And the good thing we need to know is that he is a fool and he is weak!

There is an essential contradiction in his base. Like the far-right media, he tries to bring the dominant and the working classes together. And that’s how he won the elections in 2016. But that won’t work for the next four years. The interests of his base go against each other.

The rich and the dominant classes want to cut on taxes, on social security and go to war. But those working class people who voted for him believe he’ll bring jobs back, maintain security and not go to war. He can’t reconcile these differences, and he’ll choose the side of the dominant classes. And that is his essential weakness and that’s why he’ll fail.

But that’s not just it, it’s also the fact that, in the United States, we returned to having social movements once again. And it started on the day of his inauguration. The Women’s March mobilized tens of millions of people in the United States. The Women’s March started the work of putting him on the defensive, of placing him under attack.

But it’s a lot more than that. Since then we’ve been having mobilizations at the airports to protect refugees, the Black Lives Matter movement is fighting, on May 1st we’ll have the mobilization of thousands of undocumented immigrants who want to defend their rights… So we know that Trump is under attack and that Trump will lose.

And that is important to know about the far-right. When they run in elections, they have to dress on sheep’s skin. But when they are in the cabinets they can’t hide that they are in fact wolves. And people will reject them.

And I also want to bring good news from the United States. There is now in the USA movements that are struggling and for the first time in decades there is a socialist movement in the United States. And that is a fact of extreme importance.

The growth of the union between the black movement, the feminist movement, the socialist movement promises to bring forth a period of progress in the United States. This is the combination of a process that has been occurring throughout the years. We started with the antiglobalist mobilizations in 1999, with the antiwar movement in 2003, with the movement for the immigrants in 2006, with Occupy Wall Street in 2011 and with the Black Lives Matter movement in 2013. And then there was Bernie Sanders’ campaign in 2016.

There are thousands of people in the United States battling against debt, with low income, without healthcare… and Bernie Sanders’ program for a political revolution promises to improve their lives. And through all this process organizers and activists showed up.

And these organizers and activists are organizing and realizing the importance of parties and organizations. My organization, the Democratic Socialists of America, is emerging from this process as well. This year we have tripled the number of memberships. We have now 20 thousand organized socialists in the United States.

We are very thrilled and excited to fight with our comrades around the world. And to finish, I’d like to tell you that we need a new internationalism in the world. An internationalism that can organize resistance around the world. We need an internationalism that puts us on the offensive. And we can inspire ourselves in each other’s advances and struggles. That is an opportunity and an obligation.

If in Marx and Engels’ time they could organize an International with boats and telegrams, we need, on the age of Internet and airplanes, to be able to organize a new International. That is our task, let’s do it!

 

Intervención de Neal Meyer (DSA) para el panel “Por um mundo sin muros ni fronteras” en el “Campamento Internacional de las Juventudes en Lucha”, el día 14/04/17

Estoy ansioso para estar con ustedes hoy, yo nunca estuve en Brasil antes y no hay mejor manera de conocer un país que pasar un tiempo con camaradas tan bellos e inteligentes.

En este feriado de Pascua podemos decir que la izquierda ha pasado por momentos de oscuridad, pero está levantándose otra vez. Así que me gustaría de decirles un poco sobre Donald Trump, sino también les traer buenas nuevas.

No hay dudas de que Donald Trump es un hombre muy peligroso. Él se encuentra en una escalada del imperialismo americano. Sus ataques a Siria son al mismo tiempo contra la ley americana y errada como una violación de leyes internacionales. Su agenda es de ataques al medio ambiente, declarar guerras a los inmigrantes ilegales en América, y aumentar las fronteras del racismo y del sexismo en EEUU.

Pero hay una cosa muy importante sobre Donald Trump, y es muy similar a Temer. Él es muy peligroso, pero es también un tonto. ¡Y la cosa buena que necesitamos saber es que él es un tonto y un débil!

Existe una contradicción esencial en su base. Como los medios de la extrema derecha él intenta unir las clases dominantes con la clase trabajadora. Así es como él ganó las elecciones en 2016. Pero eso no funcionará en los próximos 4 años. Los intereses de sus bases van en uno contra los otros.

Los ricos y la clase dominante quieren cortar impuestos, la seguridad social e ir a la guerra. Pero esas personas de la clase trabajadora que votaron por él creen que va a crear puestos de trabajo, mantendrá la seguridad y no va a la guerra. Él no puede reconciliar esas diferencias y él elegirá estar con las clases dominantes. Ese es su debilidad esencial y por lo tanto va fallar.

Pero eso no es todo, si no también es el hecho de que en EEUU volvimos a tener movimientos sociales más una vez. Ha comenzado el día después de su pose. La Marcha de las Mujeres movilizó a decenas de millones de personas en los Estados Unidos. La Marcha de las Mujeres inició el trabajo de ponerlo a la defensiva, de ponerlo bajo ataque.

Pero es mucho más que eso. Desde entonces tenemos movilizaciones en aeropuertos para proteger a los refugiados, el movimiento del Black Lives Matter está luchando, el primero de mayo tendremos movilizaciones de millares de inmigrantes ilegales que quieren defender sus derechos… Entonces sabemos que Trump está bajo ataque y que Trump va a perder.

Eso es importante saber sobre la extrema derecha. Cuándo ellos compiten en las elecciones, ellos son abrigados a vestirse en piel de cordero. Pero cuándo ya están en sus oficinas no pueden ocultar que en verdad son lobos. Y la gente va a rechazarlos.

Yo también quiero traer algunas buenas novas sobre Estados Unidos. Existe ahora en EEUU movimientos que están luchando y por primera vez en décadas hay un movimiento socialista en Estados Unidos. Eso es un factor de extrema importancia.

El crecimiento de la unión entre el movimiento negro, el movimiento feminista, el movimiento socialista promete abrir un período de progreso en EEUU. Esta es la combinación de un proceso que ha tenido lugar en los últimos años. Comenzamos con las movilizaciones anti-globalistas en 1999, con un movimiento anti-guerra en 2003, con el movimiento por los inmigrantes en 2006, con el Occupy Wall Street en 2011 y con el movimiento del Black Lives Matter en 2013. Y luego estaba la campaña de Bernie Sanders en 2016.

Hay millares de personas en Estados Unidos luchando con deudas, con salarios bajos, sin la asistencia sanitaria… y el programa de Bernie Sanders de revolución política promete mejorar sus vidas. En todo ese proceso organizadores y activistas se presentaron.

Estos organizadores y activistas se están organizando y se están dando cuenta de la importancia de los partidos y organizaciones. La organización ha que pertenezco, los Socialistas Democráticos de América (DSA en inglés) está creciendo en ese proceso también. Ese año crecemos 3 veces el numero de adhesiones. Ahora somos 20 mil socialistas organizados en EEUU.

Estamos muy encantados y animados para luchar con nuestros camaradas en todo mundo. Para terminar quiero decir a ustedes que necesitamos un nuevo internacionalismo en el mundo. Necesitamos un internacionalismo que nos ponga en la ofensiva. Nosotros nos podemos inspirar en los avanzos y luchas un al otro. Eso es una oportunidad y obligación.

Si en tiempos de Marx y Engels ellos lograron organizar una Internacional con barcos y telegramas, nosotros necesitamos, en la era de la internet y de aviones, construir una nueva Internacional. ¡Esa es nuestra tarea, vamos hacerla!