Boa noite gente, eu sou Ana Flávia.   em 2016 nosso desafio quando a gente ocupou escola não foi somente derrubar a PEC , a PEC e a MP foi também uma grande luta que está aparecendo em 2017 que é derrubar os poderosos, que é derrubar o 1%. é porque a importância de construir a greve geral no dia 28 a importância não somente quanto negro e quanto secundarista é também fazer com que nossas colunas estejam enfileiradas para que chegue a nossa onda, para que a gente consiga uma  mobilização, porque a reforma da previdência vai atingir principalmente o povo preto. porque somos nós mulheres negras que temos uma tripla jornada, porque nós negros que somos precarizados, porque a classe trabalhadora vai se levantar e vai se opor a toda retirada de direito que está sendo feita. E para além disso o secundarista tem um dever, não somente um dever de se  reinventar mas também de expandir e de se interiorizar e de ocupar cada cidade , cada espaço , cada lugar onde é nosso por direito.

Outro passo que nós enquanto juventude indignada temos que dar é a disputa, a disputa dos espaços e todos nós sabemos que esse ano é ano de congressos e que após esse acampamento além de expandir que a gente possa também se organizar, se organizar para todas as disputas porque em 2017 todo mundo está sentido cheiro de 2013, que foi quando a gente se levantou e tomou a linha de frente, porque a gente sabe que a juventude vai ser a mais atacada com todos os retrocessos que estão sendo feitos. A situação que a gente vive apesar de ser difícil é muito mais difícil de a gente ficar quieto, se a gente ficar sentado e o espaço que a gente está vivendo agora é importante para a gente se organizar, se organizar de todas as formas possíveis, se organizar enquanto coletivo.

É muito emocionante que eu pude ver todos vocês dia 29 de novembro, que foi o meu primeiro ato que eu e Ana Júlia compomos as mesmas fileiras e nós sabemos porque que foi, que nós sabemos a luta que temos e nós sabemos que 2016 foi só o começo. Porque o movimento secundarista, não só o movimento secundarista mas a juventude como um todo ela tem o poder de reinvenção , ela tem o poder que apesar do sentimento de derrota  tem o dever de se reconstruir. e toda essa situação que a gente vive é um ar revolucionário  , para que cada vez mais a gente consiga criar espaços como esse. Ter essa troca, ter esse debate porque é assim que a gente vai construir o movimento popular. É voltando a nossa base, é discutindo com a base o que é dá base, é discutindo com quem paga a conta de poderosos, é discutindo com quem tem os seus direitos cortados e com quem diz que não aceita isso. Porque enquanto nossas escolas estão sendo precarizadas, os nossos IFS estão fechando, o Emancipa chega com outra cara, e não só o Emancipa mas as ocupações de 2015 já nos mostraram isso, que pode fechar 100 que ocuparemos 200. Queria concluir dizendo mais uma vez que nesse acampamento que o nosso dever enquanto coletivo é também se enegrecer , é também discutir os problemas que a negritude passa.  porque os mesmos que querem cortar essa previdência, a reforma da previdência, a reforma trabalhista e tantos ataques foram os mesmos que votaram a redução dá maioridade penal, são os mesmo que constroem presídios, são os mesmos que fazem com a taxa de evasão escolar sejam maior na negritude e fazem com que a cada 23 minutos um jovem negro seja assassinado no Brasil.

Enquanto a gente está aqui, quantos jovens negros não morreram, quantos dos nossos não foram por culpa do sistema. Não é só aqui no Brasil, é um problema estrutural, um problema internacional e também é essa importância do Black Live Matter está aqui conosco, fazer essa construção e o lançamento do manifesto foi de extrema importância e foi um grande passo para o coletivo se enegrecer. E que o Juntos nas escolas, a cada passo que dermos e que cada vez mais as regionais estejam compromissadas de construir o Juntos nas escolas e que estejam ao mesmo passo de enegrecer a juventude, enegrecer o nosso coletivo e colocar também as mulheres na linha de frente, e nos colocar como iguais, para que assim a gente realmente se organize e que disputa, porque a disputa é aonde a gente ganha tamanho e importância. E que nesses congressos desse ano, quanto o Conune quanto o Conubes que nós sejamos maiores do que estamos sendo aqui e maiores de acordo com o nosso projeto, o projeto que estamos construindo aqui hoje que é por uma educação pública, de qualidade e emancipatória, porque todos podem ser quem são e que todos possam pautar o que a gente quer.