Intervenção de Natália Frizarin no Painel de Mulheres do Acampamento Internacional das Juventudes em Luta, em 15/04/2017

Boa tarde, sou Natália, sou do DF, sou do Juntas, sou mãe da Flora para quem não conhece… não posso nem falar muito senão vou chorar de saudade já…
Eu acho que essa mesa é muito simbólica, pelo que o Juntas é atualmente, e pelo que a gente construiu nos últimos anos. As nossas vereadoras feministas, a Ana Laura que é um orgulho para Itapevi e um orgulho para o Juntos em geral, a Zena que é uma guerreira do Pará… e eu acho que tem muitas meninas jovens também que não estão nessa mesa, mas estão neste espaço, que são as meninas secundaristas que ocuparam as suas escolas no Brasil inteiro [aplausos].
Em São Paulo elas fizeram o Alckmin recuar, em São Paulo fizeram o Secretário de Educação cair, e que em muitos outros lugares foram protagonistas da luta que as estudantes secundaristas e os estudantes secundaristas travaram. Para derrubar esta reforma do ensino médio que não foi debatida com os estudantes secundaristas, que é para dizer que a gente era contra a reforma no Estado de São Paulo, que era uma reforma que também não tinha sido debatida com os estudantes secundaristas.
As mulheres destas ocupações foram linham de frente, foram para a rua, debateram política, muitas destas mulheres tiveram o primeiro contato com o feminismo dentro da escola. É isso que a gente quer, que as mulheres se empoderem dentro da escola, porque as mulheres tem capacidade sim de debater educação! Mulher tem capacidade sim de ocupar a sua escola e dizer qual projeto de educação para o nosso país!
Além de ocupar escolas, no último período a gente presenciou o avanço das mulheres ocupando também os espaços políticos, como a nossa vereadora Sâmia Bomfim em São Paulo, como a Fernanda Melchionna que há muito tempo também já atua em Porto Alegre e é isso que eu acho que a gente tem que construir, e que a gente quer construir.
Que as mulheres ocupem todos os espaços políticos. Que deixem de ocupar os cargos mais precarizados, que atualmente são ocupados pelas mulheres negras, que as mulheres negras possam de fato existir e resistir, diferente das nossas ancestrais, que não tiveram direito a escolha, que foram escravizadas, que foram estupradas…
A gente vive um momento de um avanço de luta das mulheres e principalmente das mulheres negras. É por isto que hoje estou nessa mesa. [aplausos]. Porque as mulheres negras, depois de muito tempo estão tendo o espaço falar, para dizer o que quer, para transformar nossa realidade, para que de fato a nossa voz seja escutada.
E não é à toa que o movimento negro dos Estados Unidos, que está no nosso acampamento e que está ajudando num debate muito rico, que ele aqui está representado por três mulheres negras [aplausos]. A nossa luta ultrapassa fronteiras, ela não acontece apenas aqui no nosso país, ela acontece nos Estados Unidos, ela acontece com o Exército das Mulheres do Curdistão…
A nossa luta é por uma necessidade, tenho que transformar essa realidade para que a minha filha tenha um mundo melhor, para que a minha filha viva uma sociedade de fato igualitária, em que as mulheres tenham voz, que as mulheres tenham espaço.
E é por isso que eu me organizo, por isso que as mulheres que estão nessa mesa se organizam. Porque a gente entende a necessidade de lutarmos, de ocupar os nossos espaços. Não vamos retroceder, e sim avançar sempre para transformar esse mundo.