Intervenção de Ana Júlia Ribeiro, estudante secundarista do Paraná, no Painel de Educação do Acampamento Internacional das Juventudes em Luta, em 15/04/2017

Boa noite a todas e todos, queria agradecer a oportunidade de estar no acampamento com vocês, todos esses dias, têm sido muito importantes para mim e têm sido muito bacana. Queria agradecer à Camila Souza por ter me convidado, e em especial, agradecer a todos estudantes secundaristas aqui presentes que ocuparam as escolas junto com a gente, vocês realmente me dão forças todos os dias, então muito obrigada![APLAUSOS] Queria falar também que eu estou bem nervosa, então qualquer coisa vocês me perdoem.

Então nesses minutos queria falar algumas coisas do meu ponto de vista, que eu acredito que também seja o ponto de vista de vocês, apesar de não ter preparado muita coisa para falar, porque quando tem um público tão caloroso você tem que acabar deixando a emoção te levar.

A primeira coisa, e agora iniciando de verdade, é que infelizmente muitas vezes a gente se vê como derrotados depois das ocupações, a gente se vê desgastado, pois afinal de contas, mesmo a gente tendo ocupado, ido pra rua e, mesmo a gente tendo feito tudo que a gente fez, a PEC 241 foi aprovada, a MP [do ensino médio] foi aprovada, tantas coisas não foram levadas em consideração. E isso chateia a gente, porque ocupar escola é difícil, é cansativo, ocupar é um meio que a gente encontra, mas não é um objetivo final, o objetivo final é uma educação pública de qualidade. Passar por todo esse processo é difícil, desgastante, eu mesma emagreci 10kg durante as ocupações, e a gente realmente se sente derrotado, mas a questão é: por mais que a gente tenha apanhado nesse processo, por mais que a gente tenha saído cansado, jamais a gente saiu derrotado, em hipótese nenhuma nós fomos derrotados [APLAUSOS].

Quem luta por direitos nunca sai derrotado. Quem luta por direitos se renova a cada dia. Quem luta por direitos aprende em cada batalha o que fazer de melhor na próxima. Quem luta por direitos é quem vai construir o amanhã, e o amanhã é nosso, é da juventude que luta. [APLAUSOS].

Os estudantes que não aguentavam mais uma educação na qual a didática utilizada nas escolas não estava surtindo efeito, os estudantes que não aceitaram a MP, que não aceitaram que imponham um ensino, que não querem uma reforma que tem por final a privatização da escola pública, ainda têm muita luta pra travar. A Base Nacional Curricular está sendo discutida, e a gente precisa estar lá discutindo junto, a gente precisa se impor e falar: “Eu quero e eu vou ser ouvido! Nesse projeto a minha voz tem que estar aí”, a nossa voz tem que estar na Base Nacional Curricular, e pra isso a gente vai ter que lutar, ninguém vai nos dar isso de graça, e a gente não precisa que nos deem de graça.

A gente também tem que lutar contra a “Escola sem Partido”, um projeto grotesco, que não quer um ensino emancipatório, que tira a liberdade dos professores dentro da sala de aula, que fala pra nós estudantes que nós não temos capacidade de pensar por si próprio, que acredita que o estudante é uma caixinha em que se vai lá e se coloca conhecimento, e não é assim, quem é professor sabe que o estudante traz uma bagagem de dentro de casa, que não é simplesmente uma doutrinação, e se a gente vai discutir política dentro de sala de aula, eles não podem nos impedir, não somente uma política partidária, a sensibilidade em que o adolescente ver que ele é um ser político e que ele deve estar presente em todas as decisões do seu país.

Os estudantes têm que montar um projeto de educação, não somente os secundaristas como os universitários, temos que montar um projeto de educação para poder provar que em todo e qualquer governo nós termos a educação que nós queremos, com a nossa voz com o que a gente acredita que ela deva ser. E esse projeto deve ser construído com os professores, junto com pesquisadores e todos aqueles que querem uma educação pública de qualidade, o Brasil só vai ser um país de todos, só vai ser um país melhor e com menos desigualdade quando todos os adolescente crianças e jovens estudarem na mesma escola, e essa escola é a escola pública. [APLAUSOS]

Ainda há esperança, se nós estamos aqui é porque nós somos frutos dessa esperança. As ocupações das escolas são a esperança que o Brasil precisava, e para finalizar eu quero pautar duas coisas: primeiro, 2017 pode vir a ser tão difícil como foi 2016 e a gente vai ter que estar preparado pra isso e a gente vai ter que lutar, por isso que o dia 28 agora nós temos que estar nas ruas construindo a Greve Geral, os estudantes têm que estar nas ruas. E a segunda coisa é algo que eu sempre falo, mas hoje eu estou tendo a honra de poder estar dividindo o espaço de fala com essa pessoa, essa pessoa que foram as ocupações que me trouxe, as ocupações que me apresentaram ela como amiga, é uma pessoa que me orgulho muito, e citar essa grande amiga que é a Ana Flávia, porque tenho muito orgulho de toda luta dela até aqui, e tenho muito orgulho de conhecer todos vocês e de estar presente no acampamento do Juntos! e dizer que a luta é nossa e que a gente tem que estar pronto apesar das dificuldades que não vão ser poucas. Então galera, é o seguinte: Quando a gente se sentir derrotado, a gente sentir cansado e achar que não tem terra do outro lado, avança, porque tem! [APLAUSOS]