Publicado em: Esquerda.net

O candidato da esquerda diz que “tudo se joga nas legislativas” de junho e volta a apelar aos franceses para não votarem na extrema-direita. Na consulta ao seu movimento, as opiniões dividiram-se sobre a melhor forma de bater Le Pen nas urnas.

Na primeira entrevista televisiva após a primeira volta das presidenciais francesas, Mélenchon voltou a apelar ao voto contra a Frente Nacional e a recusar dar uma indicação de voto direta em Emmanuel Macron, que acusa de o ter insultado após a passagem à segunda volta.

“Eu combato a Frente Nacional e digo a todos os que me ouvem: Não cometam o terrível erro de votar na Frente Nacional, pois empurrariam o país para um conflito geral do qual ninguém sabe como acaba. Seria abrir uma guerra em que cada um ia vasculhar os berços a ver quem é francês e quem não é, a religião deste ou daquele, etc. Portanto, em primeiro lugar, não façam isso”, afirmou o candidato que obteve cerca de 7 milhões de votos, ficando a 600 mil de passar à segunda volta com Emmanuel Macron.

O candidato que defronta Le Pen na segunda volta também não ficou à margem das críticas de Mélenchon, que acabou por ser um dos alvos de Macron logo após a contagem dos votos da primeira volta. “Em vez de tentar convencer os insubmissos [a votar nele], tentou constrangê-los com a ameaça”, explicou Mélenchon. “Começou por insultar-me, o que não o ajuda muito a ganhar os meus eleitores, e depois tratou-os como um bando de inconscientes”, acrescentou, pedindo a Macron um gesto de aproximação ao seu eleitorado, por exemplo abandonando algumas das medidas do seu programa de pendor neoliberal que atingem os trabalhadores.

Mélenchon repetiu o argumento de que o vencedor da segunda volta irá dividir o país, pelo que é necessária a formação de uma “maioria política insubmissa” nas próximas legislativas, assente na proposta que levou às presidenciais. “O que eu sei é que tudo se vai jogar nas legislativas”, disse o candidato da França Insumissa, anunciando que poderá ser candidato em círculos onde venceu a primeira volta, como Toulouse, Lille ou Marselha.

Consulta à França Insubmissa optou por voto branco, nulo ou em Macron

A animosidade de Macron à consulta organizada pelo movimento França Insubmissa pode ter influenciado o resultado da votação que foi conhecida esta terça-feira. Dos cerca de 243 mil participantes, 36% disseram que irão votar branco ou nulo, 35% votarão em Macron e 29% optarão pela abstenção, apesar do apelo de Mélenchon à ida às urnas, já que o seu programa defende o voto obrigatório em França.

Entrevista de Mélenchon ao Canal TF1 (em francês):