Sergio García (MST en Izquierda al Frente de Argentina)

Passaram as eleições do domingo e são muitas as conclusões políticas a serem tiradas sobre a situação do governo que obtém uma importante votação, sobre a oposição dos partidos do regime e o peronismo em particular, que lutará com CFK na província de Buenos Aires, sobre a crise de forças de centro-esquerda que retrocederam muito, inclusive o PS de Santa Fé.

Sobre todos estes temas vamos nos referir em outros artigos específicos. Neste caso, queremos nos deter na votação da esquerda e em suas perspectivas.

Estancamento da FIT e retrocesso no Parlamento

O primeiro a se assinalar é que de conjunto a esquerda não sai desta eleição como uma força ascendente nem como um atro de primeira ordem, que é o queríamos conseguir. Embora mantenhamos um espaço eleitoral de importância com votações desiguais ao longo do país, não conseguimos ser um protagonista central depois dos resultados. Todos os números indicam, e os meios de comunicação os difundem em suas análises, que se está perto de perder quase toda a representação de esquerda no Congresso, podendo não conseguir eleger nenhum novo deputado, ou no melhor dos casos, e somente se houver um crescimento em outubro em Buenos Aires, apenas um. No início da campanha, a FIT anunciava que seu objetivo eram vários deputados em Buenos Aires e mais deputados em Córdoba, Mendoza e Salta. A realidade é que isso não ocorrerá, porque teve nesses lugares menos votos que em eleições anteriores.

Pretendendo esconder esta realidade, a direção do PO declara: “O resultado alcançado pelo FIT nos deixou às portas de reforçar a presença no Congresso Nacional”. Algo completamente fora da realidade numérica e política destas PASO. A Izquierda Diario também quer tapar este estancamento e fala de ‘quase 1 milhão de votos para a FIT” quando foram bastante menos e, sobretudo, não houve nenhum boom eleitoral de Del Caño, a quem o PTS apostava para superar os votos históricos da FIT. A principal figura desta frente sai das PASO com cerca de 3,6% o que não é suficiente para ser deputado. Está para se ver se até outubro ele supera ou não esse número, mas a análise das PASO indica que nem sequer em Buenos Aires os números da FIT mostram um avanço.

Izquierda al Frente e o MST superam as PASO em 12 províncias

Partindo do fato de que a FIT é a primeira força eleitoral de esquerda, nossos resultados se localizam nesse marco de maior dificuldade. Desde esse lugar nos faltou um pouco para superar as PASO em alguns lugares importantes como Buenos Aires e Capital, e ao mesmo tempo obtivemos votações muito importantes em 12 províncias do país onde superamos e seguimos adiante. Em Buenos Aires com um muito forte desenvolvimento de nossa campanha de Vilma Ripoll encabeçando a chapa para senadora e Manuela Castañeira para deputada, superamos em ambas as categorias o 1% e nos faltou um pouco mais, ainda que tenhamos conseguido superar o piso em La Plata e outras importantes cidades do conurbano e do interior. Na Capital do país com muito mais concorrência em quantidade de listas, quase chegamos ao 1% com um esforço de campanha concentrado quase por completo em nosso MST e no trabalho de Alejandro Bodart e Mariano Rosa como referência da juventude.

Nossa campanha atingiu também um importante êxito político em 12 províncias. Izquierda al Frente supera as PASO em Córdoba, Santa Cruz, Río Negro, Neuquén, La Pampa e La Rioja ao que se somam as províncias onde, desde o MST, superamos as PASO e seguimos até outubro, como são Entre Ríos, San Juan, Chubut, Salta, Jujuy e Santa Fe com a FSP. Comparado com 2015, a soma de votos do MST e o Nuevo MAS dava há dois anos ao redor de 200.000 votos e hoje supera os 300.000, crescendo de conjunto mais de 50% nacionalmente.


Tudo isso é um bom capital político e é nosso aporte para lhe dar maior visibilidade à esquerda. É além disso uma constatação de que há espaço político para outro projeto de esquerda por fora da FIT e em muitas e tão importantes províncias liquida o falso argumento sectário do PTS e do PO de que existe “uma só esquerda”. Não é assim e essa realidade será vista em outubro com duas propostas eleitorais de esquerda em mais da metade do país.

A unidade ampla de esquerda, única forma de avançar

Se de conjunto na esquerda não saído destas PASO como grande alternativa nem avançando forte, faz-se necessário analisar o porquê. De nossa parte, acreditamos que a FIT é a primeira responsável deste estancamento ao negar uma unidade maior e real de todos. Seu rechaço a mais unidade o faz garantidora da divisão da esquerda e de seu próprio estancamento eleitoral. Durante vários anos e mais ainda desde que conformamos a Izquierda al Frente, propusemos à FIT e a outras forças de esquerda que avançássemos numa frente comum e mais plural de esquerda. Acreditávamos e acreditamos que é o único caminho para colocar a esquerda de conjunto numa luta maior, somando milhões de trabalhadores, mulheres e juventude a uma grande alternativa unitária contra os velhos partidos.

Essa grande unidade, sim, teria permitido ser um fenômeno nestas eleições, superar claramente os votos das eleições anteriores e estar discutindo hoje a possibilidade de ter um grande bloco de deputados nacionais, e não a perspectiva de retrocesso parlamentar que existe agora. Além do que uma grande unidade permitiria enfrentar melhor ao macrismo nas lutas e às patronais e a burocracia nos lugares de trabalho. Coordenando realmente os processos de luta por baixo e de nova direção operária e estudantil. Ver criticamente este problema é crucial, ao menos assim temos que fazer os que honestamente queremos que a esquerda avance.

Convidamos a toda nossa militância, amigos e simpatizantes a que em primeiro lugar nos ajudem a dar uma forte batalha política até outubro em todas as províncias do país onde superamos as PASO. Também a que nos ajudem a seguir construindo e fortalecendo o MST, que sai destas eleições como uma das forças de esquerda mais estendidas nacionalmente e a de maior representação em outubro por fora da FIT. A que sigamos construindo a Izquierda al Frente, com os importantes acordos e também matizes e diferenças que temos com o Nuevo MAS, porque é uma frente que aporta para a unidade da esquerda. E ao mesmo tempo seguir insistindo e conversando com outras forças de esquerda e populares para fazer maior e mais forte esta unidade. Tarefas-chave para o tempo que está por vir.