Março de 2018

Não somente há crise na direita tradicional, também há crise de alternativa. O povo sabe O QUE NÃO QUER, mas ainda não tem claro O QUE QUER.

“Que se vayan todos” [FORA TODOS] é a expressão generalizada de uma fadiga, não somente com o Executivo mas também com o Congresso que apresenta um magro 11% de aprovação, muito abaixo dos 21% que acompanhou PPK até o dia de sua renúncia.

São vários os fatores desse sentimento de repulsa cidadã à “classe política”. Um deles é a corrupção generalizada e sistêmica que se instalou no Estado. O outro é o ilegal indulto outorgado a Alberto Fujimori que levou a uma tensa polarização que tornava insustentável a permanência de PPK no cargo. O primeiro é um fator moral que se atiçou pela renúncia ou vacância de PPK; o outro é político e contribuiu para incrementar um clima de conflitividade social, que não foi calculado pelo mandatário recém-saído nem por seu entorno quando jogaram a carta do indulto.

Sendo que todos os partidos e ainda os poderes fáticos – como a CONFIEP – estão no olho da tormenta por seus nexos com a Lava Jato, o que está em jogo é a construção de uma alternativa potente à esquerda. Para isso temos que dar uma saída de fundo para a crise política que atravessa o país. Se não fazemos à esquerda, com um claro programa democrático e antineoliberal que questione toda a estrutura de poder da classe dominante, a direita terá margem para se recompor e assegurar a continuidade com um dos seus.

Ante esta situação que pode abrir um momento histórico de mudança profunda, pronunciou-se Verónika Mendoza à frente da direção política do MNP e de sua bancada.

Ela tem postulado a necessidade que o novo chefe de Estado convoque eleições gerais com novas regras em brevíssimo prazo, e a necessidade de modificar a constituição fujimorista por uma nova constituição para ir a uma mudança de fundo. No imediato, demanda ir até o final na luta contra a corrupção e reativar a economia.

Desde o diário El Comercio, porta-voz dos setores mais conservadores do empresariado nacional, tem-se pretendido desacreditar estas propostas argumentando que as duas primeiras não são saídas constitucionais e que é necessário esperar até o 2021. Não é de se estranhar. El Comercio é o diário peruano mais conservador desde as suas origens; defende a Constituição de 93 e o modelo econômico; está claro que opta pelo continuísmo, para que tudo siga igual, salvo algumas reformas como a flexibilidade laboral para ter mão de obra mais barata. Mas um amplo setor da população quer mudanças aqui e agora.

Desde o MNP devemos atender o clamor desse amplo setor da população que expressa seu descontentamento de mil maneiras. E se, efetivamente, queremos levantar uma alternativa contra a direita, nisso não se equivoca El Comercio. Nosso papel é chamar a mais ampla unidade das forças populares, sociais e de esquerda para gestar uma alternativa de governo e poder popular potente. Disso que se trata neste momento.