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por HANI HABIB (Viento Sur)

A Aliança Democrática é a sétima vez que os partidos da esquerda palestiniana tentam unir-se. Mas parece que compreendi mal a dinâmica da recente unificação de cinco partidos de esquerda palestinos na Aliança Democrática, tendo em vista as eleições municipais de Outubro. Percebi isso depois de ouvir os representantes dos diferentes partidos discutirem a decisão de se aliar.

Não pensei que a unidade na Aliança Democrática fosse uma resposta a crises políticas atuais ou futuras na Palestina. Também não o entendi como um movimento tático para ganhar as eleições: a unidade dos partidos de esquerda pareceu-me ser uma necessidade objetiva. Afinal de contas, a emergência de uma lista unificada demonstra um sentido de aliança pré-existente entre estas partes.

À medida que os partidos se unem, temos de refletir sobre as tentativas anteriores e perguntar a nós próprios se haveria necessidade de uma Aliança Democrática se as divisões existentes entre a Fatah e o Hamas não existissem; se a Aliança Democrática deveria ser suscetível a um ou outro lado nesta fase. Vimos que estas questões podem ter consequências catastróficas.

Para recuperar um estudo escrito pelo nosso falecido camarada Tayseer Arouri, os partidos políticos de esquerda passaram por seis tentativas de unificação. A primeira tentativa foi o Movimento de Reforma Democrática em 1993, logo após o anúncio do Acordo de Oslo. Na altura, os seus membros estavam limitados a representantes de partidos de esquerda no Conselho Nacional Palestiniano. A última tentativa – a sexta – foi em 2003. O partido era chamado de Aliança Democrática Palestina. A Frente Popular de Libertação da Palestina (FLP) e a Frente Democrática de Libertação da Palestina (FDLP) não participaram na unificação de 2003.

A PFLP e a FDLP também tentaram, separadamente, aliar-se nos anos 90 sob um Comando Conjunto. No entanto, a parceria foi de curta duração.

A história nos mostra que estes cinco partidos políticos estavam a dividir e a escrutinar filosofias que põem em causa as esquerdas dos outros. Hoje, as cinco forças políticas devem estabelecer de modo prorativo as bases postuladas da Aliança Democrática para superar todas as vacilações e dúvidas. Ganhar as eleições é uma consideração importante, mas identificar as condições necessárias para unificar os partidos de esquerda seria uma conquista nacional.

Duvido que a Aliança Democrática passe o limiar eleitoral para ganhar as eleições municipais. Além disso, não creio que as eleições – se realmente se realizassem – levassem à reconciliação nacional entre o Hamas e a Fatah. As eleições não são um incentivo para realizar eleições parlamentares ou eleições para o conselho nacional da OLP.

Não tenho ilusões, não tenho esperanças artificiais, mas penso que os partidos políticos da Aliança Democrática não têm outra alternativa senão estar à altura da unificação. Talvez agora seja o momento, tendo em conta a complexidade da atual situação na Palestina, de lutar por um novo horizonte político.

HANI HABIB é um jornalista palestino residente na Faixa de Gaza.

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