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CLIPPING SEMANAL DO OBSERVATÓRIO INTERNACIONAL DA FUNDAÇÃO LAURO CAMPOS – 03/06

Nesta edição do Clipping do Observatório Internacional da Fundação Lauro Campos, apresentamos a nossos eleitores algumas análises publicadas na imprensa mundial sobre três grandes acontecimentos políticos ocorridos no final do mês de maio e de junho de 2018: na Colômbia, um presidenciável com propostas nomeadamente da esquerda pela primeira vez em mais de cinco décadas chega a um segundo turno contra o candidato do uribismo; na Espanha, um escândalo de corrupção decreta a queda de Mariano Rajoy (PP) e o aprofundamento das fissuras do regime de 78; na Itália, um governo de eurocético de direita impõe preocupações no establishiment neoliberal ao mesmo tempo que promete implementar medidas xenofóbicas.

Além destes três destaques, este Clipping ainda traz links sobre temas como a continuidade dos protestos contra o orteguismo na Nicarágua, a corrida presidencial no México, a vitória dos ambientalistas na Índia contra uma megafundição poluente, a soltura de dezenas de prisioneiros políticos na Venezuela como aceno político de Maduro a seus opositores, o relaxamento fiscal promovido por Trump em benefício do sistema financeiro, o assassinato de um jovem enfermeira voluntária pelo Exército de Israel em Gaza e os fortes protestos na Jordânia contra o pacote de austeridade sugerido pelo FMI.

Na segunda parte deste trabalho, é possível ler alguns artigos e entrevistas de analistas e militantes de esquerda sobre os destaque acima elencados. A todos uma excelente semana!

Charles Rosa – Observatório Internacional

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NOTÍCIAS E ARTIGOS DA IMPRENSA INTERNACIONAL

Eleições na Colômbia terão segundo turno entre uribismo e a esquerda

EL PAIS (28/05): “O uribista Duque e o esquerdista Petro vão disputar a presidência da Colômbia em junho” [em espanhol]

“A Colômbia inaugurou neste domingo um novo ciclo com as primeiras eleições presidenciais sem a ameaça das FARC. O candidato uribista, Iván Duque, e o esquerdista Gustavo Petro, ex-prefeito de Bogotá, vão disputar a presidência no segundo turno em 17 de junho. A votação, na qual se impôs Duque, confirma o panorama de confrontação ideológica que dominou a campanha e obrigará os cidadãos a escolher entre duas opções nas antípodas que rompem com o legado de Juan Manuel Santos.”

 

EL TIEMPO (03/06): O novo cenário eleitoral rumo ao segundo turno” [em espanhol]

“Pelos lados de Petro, o próprio candidato começou a fazer uma espécie de vaticínio sobre o triunfo de Duque ao advertir que o aumento do voto em branco, como parece que ocorrerá, beneficiará ao aspirante do Centro Democrático. “Um voto em branco hoje é simplesmente um apoio a Uribe/Duque”, escreveu Petro no Twitter. A grande esperança de Petro para virar no segundo turno era atrair o voto do centro que lideraram Sergio Fajardo, Jorge Enrique Robledo e Claudia López (4’589.696 votos), através de sua Coalizão Colombia, mas isso dificilmente ocorrerá, conforme disseram seus dirigentes”.

BBC MUNDO (28/05): “Petro passa ao segundo turno na Colômbia: por que este é um resultado histórico para o candidato da esquerda” [em espanhol]

“É algo inédito. Nunca na história tivemos um candidato tão claramente de esquerda contra um de direita”, afirma o cientista político Jorge Restrepo. A única vez que outro político de tendência ideológica similar a de Petro esteve próximo de chegar à presidência foi em 1970, aponta o especialista. O analista acrescenta, entretanto, que o postulante de 48 anos atrás, o ex-general e o ex-presidente Gustavo Rojas Pinilla, era mais um nacionalista populista. Além disso, aponta que Petro é mais radical ideologicamente. “Isso é absolutamente histórico. Estamos falando de um ex-guerrilheiro que se declara abertamente progressista, propõe a gratuidade da educação e a estatização dos serviços. Nunca havíamos tido um candidato com esta classe de ideologia pragmática”, afirma o cientista político”.

 

Corrupção derruba Rajoy; PSOE forma novo governo na Espanha

EL PAIS (02/06): “Editorial: Prudência e estabilidade” [em espanhol]

“Os mercados fecharam a sexta-feira com sinais esperançosos de mudança no Governo na Espanha. Também pareceram dar a boa-vinda à formação do Executivo na Itália. Nenhum dos dois países, entretanto, podem se sentir confiantes. A economia italiana está estancada e a recuperação espanhola é desigual e precária. Daí que assegurar a estabilidade institucional e econômica seja uma tarefa prioritária do Governo de Pedro Sánchez. Isso passa ineludivelmente, como prometeu, por cumprir com os compromissos europeus, mas também por se incorporar como membro ativo com capacidade de influência em Bruxelas. As tensões geradas pelo preço do petróleo e a guerra comercial com os Estados Unidos assim o aconselham. À escala interna, o compromisso de manter os orçamentos do Partido Popular já aprovados no Congresso é a opção mais razoável, ainda que isso obrigue o PSOE a aceitar as contas que ele mesmo rechaçou firmemente”.

THE GUARDIAN (01/06): “Editorial: Bons ventos para Sánchez” [em inglês]

“Mas a grande questão na política espanhola é se o novo governo socialista e seus aliados podem fazer o que Rajoy notoriamente deixou de fazer e encontrar uma solução para a crise do separatismo catalão. Sánchez apoiou a dura abordagem de seu antecessor no ano passado, quando Rajoy demitiu o presidente catalão Carles Puigdemont por realizar um referendo de independência ilegal. Mas ele disse aos parlamentares no debate sobre a desconfiança nesta semana que queria dialogar com o sucessor linha-dura de Puigdemont, Quim Torra, desde que isso não envolva uma brecha com a Espanha.”

EL NACIONAL (03/06): “Sánchez triunfará com a Catalunha ou fracassará”, por Jordi Barbeta [em espanhol]

“A ascensão de Pedro Sánchez à presidência do Governo mediante a moção de censura mais inaudita que nunca ninguém teria imaginando projeta um futuro imediato muito incerto, mas também há certezas indiscutíveis que determinarão o êxito ou o fracasso de seu mandato. Sánchez triunfará se encontra uma saída para o conflito catalão que normalize politicamente o país e fracassará se não o consegue. É tão óbvio que quem afirma isso é também a imprensa internacional. E também é um dado sem controvérsia que a derrota do soberanismo com base na repressão, encarceramentos e líderes exilados não é uma opção que traz estabilidade, mas exatamente o contrário”.

Governo eurocético formado na Itália

REUTERS (02/06): “Roma sozinha? Cinco questões cruciais para o Euro” [em inglês]

“A ruptura da Itália com o euro iria massivamente perturbar, pelo menos a curto prazo, não apenas a economia italiana, mas toda a Europa, dando aos políticos, empresas e eleitores internamente e no exterior um grande incentivo para evitá-lo. Seria também um enorme golpe político para o projeto da UE como um todo, lançando dúvidas sobre muitos outros planos e a posição da Europa no mundo – a razão pela qual a Alemanha, a França e outros países pagaram para salvar a Grécia.”

NY TIMES (01/06): “Uma alegria para o novo e horrível governo da Itália”, por Roger Cohen [em inglês]

“A União Europeia fracassou na Itália porque a solidariedade prometida em aceitar imigrantes que chegam à Europa por meio de rotas mediterrâneas dificilmente se materializou. Em 2017, a Itália recebeu mais de 60% desses migrantes. A Itália fracassou porque as rígidas restrições fiscais da adesão ao euro – estabelecidas para garantir que a negligência orçamentária e a ineficiência administrativa da Itália não seriam um problema para os alemães – se mostraram insustentáveis, gerando crescente ressentimento em relação à chanceler Angela Merkel.”

THE INDEPENDENT (01/06): “Qual o significado político e econômico da turbulência na Itália e na Espanha?” [em inglês]

“O partido insurgente espanhol, Podemos, pode não ser tão eurocético quanto o 5 Estrelas, mas é tão contrário a medidas de austeridade fiscal internas aplicadas com o forte apoio de Bruxelas. E o seu programa exige que o Tratado de Lisboa de 2006 seja revogado ou reduzido. Podemos, fundado apenas em 2011, é agora o terceiro maior partido do parlamento espanhol. E na Itália, o próprio fato de duas partes, como o 5S e a Liga, estarem no poder em Roma – mesmo que tenham demonstrado uma capacidade algo inesperada de se comprometerem esta semana – deveria servir como um alerta para a União Européia, cujo funcionamento econômico da zona do euro realmente exige uma reforma.”

Protestos continuam na Nicarágua

AL JAZEERA (02/06): “Tensão na Nicarágua: Seis mortos enquanto protestos continuam” [em inglês]

“Pelo menos seis pessoas foram mortas na Nicarágua devido à agitação política que assola o país há mais de um mês. A Associação Nicaraguense para a Proteção dos Direitos Humanos (ANPDH) disse que os mortos incluem um menino de 15 anos de idade, bem como um policial. Os moradores montam barricadas para se protegerem do que disseram ser paramilitares da polícia e do governo”.

ABC (02/06): “Papa Francisco envia carta a Ortega dizendo que ‘nunca é tarde para perdoar’”  [em espanhol]

“O papa Francisco enviou uma carta ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que tornou pública hoje a vice-presidenta, Rosario Murillo, na qual apela ao diálogo para solucionar a crise e que nunca é tarde para o perdão”.

Conversas entre EUA e Coreia do Norte

US President Donald Trump proposes a toast during a state banquet dinner with Japanese Prime Minister Shinzo Abe in Tokyo on November 6, 2017.
Donald Trump described North Korea’s nuclear missile programme as a “threat” to the world on a trip to Asia dominated by the crisis. / AFP PHOTO / JIM WATSON (Photo credit should read JIM WATSON/AFP/Getty Images)

USA TODAY (01/06): “Com uma carta de Pyongyang fechada, a cúpula de Trump e Kim volta a se acender”, por Gregory Korte [em inglês]

“O momento era uma mostra típica de exibicionismo de Trump, mesmo em assuntos de vida ou morte de impedir a guerra nuclear. “Eu posso estar em uma grande surpresa, pessoal!” Trump brincou quando se virou para o Salão Oval – aparentemente para finalmente ler a carta sobre a qual ele havia falado muito. Para Trump, manter o mundo no escuro sobre sua estratégia de negociação é uma parte fundamental de seu estilo de diplomacia – um jogo de alto risco onde Trump sozinho sabe quais cartas ele possui. E é jogabilidade. Depois de desistir da cúpula há apenas oito dias – enviando sua própria carta para Kim citando “tremenda raiva e hostilidade aberta” – Trump sugeriu que o cancelamento era apenas parte de uma disputa por posição.”

Trump relaxa regulações fiscais do sistema financeiro

EL PAIS (01/06): “Donald Trump dá oxigênio à banca local ao suavizar as regras da crise” [em espanhol]

“A lei conhecida como Dodd-Frank Act transformou por completo a maneira com a qual a indústria dos serviços financeiros opera nos Estados Unidos. Oito anos depois de sua adoção, a legislação que estabelece as regras do jogo para a banca experimenta sua primeira grande mudança, para que a mordida não seja tão forte. A reforma suaviza também a Volcker Rule, a norma que restringe os investimentos especulativos que podem fazer as entidades com seu dinheiro”.

Enterrada na Guatemala jovem morta por guarda de fronteira dos EUA

NY TIMES (28/05): “Não nos trate como animais”: Família de mulheres alvejadas pela patrulha de fronteira denuncia os EUA” [em inglês]

“A tia da mulher baleada e morta por um agente da Patrulha da Fronteira na semana passada depois de cruzar a fronteira ilegalmente perto de Laredo, no Texas, tem uma mensagem para os Estados Unidos: “Não nos tratem como animais”. A tia, Dominga Vicente, falou em coletiva de imprensa na sexta-feira, no mesmo dia em que o Ministério das Relações Exteriores da Guatemala identificou sua sobrinha, Claudia Patricia Gómez González, 19, de San Juan Ostuncalco, na Guatemala, como vítima do tiroteio. “Esta não é a primeira pessoa que está morrendo nos Estados Unidos”, disse Vicente na coletiva de imprensa na Cidade da Guatemala. “Há muitas pessoas que foram tratadas como animais e isso não é o que devemos fazer como pessoas.”

Usina de cobre poluente é fechada na Índia após fortes protestos

EFE (28/05): “Os violentos protestos que conseguiram o fechamento de uma planta mineradora” [em espanhol]

“O Governo do estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, ordenou o fechamento pertinente de uma planta da fundição de cobre da empresa Sterlite Copper, filial do grupo minerador Vedanta, com sede em Londres, depois de dias de protestos nos quais morreram doze pessoas. A batalha dos ambientalistas contra Vedanta começou há 22 anos, quando a planta, construída finalmente em 1997, era apenas um projeto, mas se intensificou em fevereiro último em meio de um plano para sua expansão que se encontrou com a oposição da população local por seu impacto contaminante”.

Enfermeira voluntária é assassinada por Israel em protestos na Faixa de Gaza

AL JAZEERA (02/06): “Em Gaza, tristeza e dor pelo assassinato pela paramédica ‘anjo da misericórdia’” [em inglês]

“O funeral de Razan no sábado em Khuza’a foi assistido por milhares de pessoas. Clipes de vídeo mostrando seus colegas se desmanchando em lágrimas no hospital circularam nas mídias sociais, uma sensação de choque e tristeza gravada em seus rostos. Uma hashtag em árabe traduzindo para “Anjo da Misericórdia” em referência a Razan foi amplamente usada no Twitter, com usuários de todo o mundo condenando seu assassinato. “Os trabalhadores médicos são #NotATarget!” Nicolay Mladenov, coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, disse em um post no Twitter, acrescentando que Israel precisava “calibrar seu uso da força”.”

Protestos na Jordânia contra pacote de austeridade do FMI

THE GUARDIAN (03/06): “Jordânia: milhares protestam contra medidas de austeridade apoiadas pelo FMI” [em inglês]

“Novos protestos aconteceram em cidades da Jordânia contra medidas de austeridade apoiadas pelo FMI, incluindo uma nova lei de imposto de renda e aumentos de preços, horas depois que o governo e os sindicatos não chegaram a um acordo para acabar com o impasse. Cerca de 3.000 pessoas enfrentaram uma forte presença de segurança para se reunir perto do escritório do primeiro-ministro no centro de Amã até as primeiras horas da manhã de domingo, agitando bandeiras jordanianas e placas dizendo “não vamos nos ajoelhar”. Protestos vêm acontecendo no país desde quarta-feira, quando centenas de pessoas lotaram as ruas de Amã e houve manifestações em outras cidades para exigir a queda do governo.”

Protestos contra tarifaço de Vizcarra no Peru

LA REPUBLICA (01/06): “Protestos no sul contra Vizcarra poderiam se agravar”

“O nível de indignação que a população tem em relação ao governo pode desencadear num protesto de grandes magnitudes. Nesta semana regiões do sul, exceto Moquegua, ocorreram uma sequência de paralisações contra o aumento do Imposto Seletivo ao Consumo, que afetou finalmente o preço dos combustíveis. A região Arequipa saiu a reclamar na quinta-feira última. Para o sociólogo José Luis Ramos Salinas, o desdém com o qual está reagindo o Estado no tocante às queixar pelo aumento do ISC, fomenta que a população se levante.”

LINK (em espanhol): https://bit.ly/2J8IrNK

Opositores Maduro são libertados na Venezuela

BBC MUNDO (01/06): “Libertado um primeiro grupo de prisioneiros políticos, entre os quais está o ex-prefeito Daniel Ceballos” [em espanhol]

“Um primeiro grupo de presos “por motivos políticos” foi libertado nesta sexta-feira na Venezuela atendendo a recente petição do presidente Nicolás Maduro. “É um primeiro grupo e virão os grupos seguintes, mas por aspectos processuais não é possível a libertação de todos no mesmo dia”, disse Delcy Rodriguez, presidenta da chamada Comissão da Verdade, que cumpriu o pedido de Maduro. Entre os libertos está o ex-prefeito de San Cristóbal, no oeste do país, Daniel Ceballos, um dos políticos mais proeminentes dos que estão encarcerados”.

Eleições presidenciais no México

SALON (02/06): “Como sindicatos de professores mexicanos estão impulsionando o líder das pesquisas presidenciais” [em inglês]

“À medida que o México se aproxima da eleição presidencial de 1º de julho, o candidato Andrés Manuel López Obrador (normalmente chamado de AMLO) está sinalizando seu apoio às milhares de comunidades que lutam contra a privatização em todo o México. López Obrador é da coalizão Juntos Haremos Historia – uma coalizão de centro-esquerda do Partido do Movimento Nacional de Regeneração, do Partido Trabalhista e do Partido do Encontro Social. Ele é o ex-prefeito da Cidade do México e amplamente considerado o favorito. López Obrador encontrou um importante aliado nos professores de Secaón XXII em Oaxaca, que estão pressionando o candidato a assumir uma posição mais à esquerda em relação à privatização e rejeitar as controversas reformas educacionais.”

Protestos e repressão no Mali

DW (02/06): “Repressão policial deixa feridos no Mali”, [em espanhol]

“Em Bamako, capital do Mali, pelo menos 16 pessoas ficaram feridas este sábado (02.06), vítimas da repressão policial contra a marcha convocada pela oposição, que pretendia reivindicar transparência nas eleições presidenciais do mês que vem, segundo informaram testemunhas a autoridades. A manifestação organizada por uma coligação de partidos da oposição havia sido proibida pelo Governo, que alertou para o estado de emergência em vigor desde 2015 no país. Segundo apurou a agência de notícias Reuters, os manifestantes, que se reuniram do lado de fora da sede de um dos partidos da oposição, no centro da cidade, foram recebidos pela polícia com escudos e cassetetes. “Centenas de polícias vieram e cercaram a sede, depois entraram, espancaram-nos e dispararam gás lacrimogéneo”, disse Alou Niang, um manifestante.”

 

ARTIGOS E DEBATES DA ESQUERDA INTERNACIONAL

Eleições na Colômbia

PSOL 50 (01/06): “Petro no segundo turno: uma batalha inédita para a esquerda colombiana”, por Israel Dutra [em português]

“A esquerda está diante de um desafio histórico. A passagem de Gustavo Petro para o segundo turno se torna um acontecimento. Com quase cinco milhões de votos, rompe a tradição no bipartidarismo à colombiana, abrindo espaço para expressar o descontentamento represado com a situação social e política, num cenário de ascenso de lutas que recém começa. Ainda que tenha um programa limitado, Petro ampliou seu espaço – em 2010 foi candidato do Polo Democrático Alternativo, logrando 9% dos votos. Somados os três candidatos que defendem uma saída democrática comprometida com o processo de paz, ainda que com desigualdades, chega-se próximo a marca de 51% dos votos. Sabendo que a máquina da fraude e do clientelismo vai pesar muito no segundo turno e que nem todos os votos de Fajardo migram automaticamente para Petro, podemos apostar numa disputa renhida, com cenários incertos.”

REBELION.ORG (01/06): “O desafio histórico não é só de Petro, mas sair de 200 anos de solidão”, por Camilo Marín

“O primeiro turno foi amplamente favorável para as forças alternativas à extrema-direita. Hoje estas forças vivem o desafio de não deixar escapar a opção jamais tão próxima de aceder ao governo para impulsionar as transformações adiadas durante 200 anos de solidão, desigualdade e violência, como ressaltou Petro em seu discurso no centro de Bogotá. É um desafio histórico: não é Petro, mas a possibilidade de uma nova Colômbia”.

SIN PERMISO (02/06): “Colômbia frente ao segundo turno de 17 de junho”, Jerónimo Ríos Serra [em espanhol]

“É certo que os quase dez milhões de votos de Gustavo Petro e Sergio Fajardo são um sopro de ar fresco que convida a ter esperança em novos horizontes políticos na Colômbia. Em tal sentido, não se deve perder de vista o voto dos jovens. Mas pode que o otimismo extremo resulte prematuro.”

Queda de Rajoy e novo governo na Espanha

VIENTO SUR (02/06): “A via estreita do novo governo e os desafios do Unidos Podemos”, por Jaime Pastor [em espanhol]

“UP não pode se converter em simples colaborador de uma recomposição parcial deste regime, do qual ademais sairia reforçado um PSOE que, além de ter seu próprio e longo histórico de corrupção, está muito longe de emular o exemplo de correntes como a que representa Jeremy Corbyn na Grã-Bretanha. Como se propõe no comunicado de Anticapitalistas, a tarefa de UP deveria consistir em contribuir para criar as condições para um novo ciclo de mobilizações, seguindo o exemplo de movimentos como o feminista e o de pensionistas, aspirando assim a transbordar os marcos austeritários, liberticidas e recentralizadores que, muito nos tememos, vão seguir se impondo nesta nova etapa política”.

PORTAL DE LA IZQUIERDA EN MOVIMIENTO (02/06): “2J: Cai Rajoy”, por Alfons Bech [em espanhol]

“O anúncio de ‘programa’ de Sánchez não se apartou nem um milímetro da defesa dessa monarquia corrupta. Nem sequer que existiram presos políticos. Mas tive que aceitar ver-se com o “Le Pen” catalão de Torra e dialogar com ele. Falou também de corrigir as piores reformas laborais. Tudo muito difícil e contraditório – como o próprio Sánchez reconheceu – sob as pressões da direita europeia, espanhola, catalã, e as esquerdas espanhola, catalã, basca, galega. Mas isso será motivo de posteriores narrativas. De momento nos tiramos de cima a Rajoy e é preciso celebrá-lo! Sim, algo mudou com a queda de Rajoy: o regime de 78 é mais frágil do que nunca”.

PORTAL DE LA IZQUIERDA EN MOVIMIENTO (01/06): “Caiu Rajoy, que caia sua política”, por Bernardo Corrêa [em espanhol]

“Para além de festejar a queda de Rajoy, será necessário aumentar a temperatura da luta de classes frente à debilidade do regime e do governo. O desenlace do processo político no Estado espanhol, dependerá essencialmente de uma nova ofensiva das ruas, para revogar as contra-reformas do PP, para avançar na conquista de direitos sociais, para libertar os presos políticos e garantir a independência da Catalunhae, especialmente, para afirmar uma saída pela esquerda frente ao crescimento desta nova direita que se alça. Sí Se Puede.”

REBELION.ORG (02/06): “A queda de Rajoy, uma oportunidade”, por Alberto Arregui e Jordi Escuer [em espanhol]

“Se alguém espera um milagre, podemos afirmar que ele não vai ocorrer. Pedro Sánchez velará pelos interesses da classe dominante, dentro das margens do regime, porém dará alguns passes com a mão esquerda para desorientar os desavisados. Já assegurou que vai governar com os orçamentos do PP, e isso não é só para comprar o PNV, é porque não se sente incomodado com eles.”

Formação do governo na Itália

SIN PERMISO (03/06): “O populismo sem povo no poder”, por Marco Revelli [em espanhol]

“Por isso creio poder dizer que estamos longe dos diversos fascismos e neofascismos exasperadamente comunitários em nome da homogeneidade do Volk. E ao mesmo tempo, que vivemos já num mundo abissalmente outro em relação a aquele no qual Gramsci pensou sua Nova Ordem, fundando nela a hegemonia de longa duração da esquerda. Se esse modelo de “ordem” se centrava no trabalho operário (enquanto expressão da racionalidade produtiva da fábrica) como célula elementar do Estado Novo, a atual visão preponderante tem, pelo contrário, origem na dissolução do Trabalho como sujeito social (se funda sobre a derrota histórica) e o surgimento de um paradigma hegemônico que faz do mercado e do dinheiro – de duas entidades por definição “privadas de forma” – os próprios princípios reguladores. É justamente, em seu sentido mais próprio, uma “desordem nova”. A saber, uma hipótese de sociedade que faz a desordem (e de seu ou correlato: a desigualdade selvagem) a própria clave preponderante”.

SINISTRA ANTICAPITALISTA (03/06): “Antipopular mas populista: este é o governo de Savini e Di Maio”, por Antonello Zecca

“Se portanto na retórica e na propaganda este governo trombateará a defesa dos “interesse italiano” na Europa, na substância será um governo ainda mais regressivo do que os anteriores no plano social e ainda mais fortemente autoritário no plano dos direitos democráticos, assim como imperialista no plano da projeção internacional. A sua ação promoverá a ulterior divisão da classe trabalhadora com o reforço de concessões e de tendências corporativas e comunitaristas, com o fim de ofuscar sobretudo ainda mais o seu corte de classe”.

Protestos e repressão na Nicarágua

VIENTO SUR (01/06): “Nestes dias, vimos que se perdeu o medo”, entrevista com Vanessa Amessa [em espanhol]

“Criticávamos os jovens porque estavam muito indiferentes. Então, de repente, nos damos conta de que o que faltava era como chegar a um estopim. Creio que este estopim começou com um incêndio que houve na Nicarágua nos primeiros dias de abril de uma reserva belíssima que há e que se chama India Maíz, numa biosfera. Começou o fogo e o governo não estava fazendo absolutamente nada. Costa Rica ofereceu ajuda e recusaram. Foram queimados 5 000 hectares de bosques e foi então quando os jovens começaram a protestar e mandaram a repressão. Uma razão pelas quais o protesto não se manifestou tanto na Nicarágua era porque todos os protestos eram reprimidos violentamente. O primeiro protesto reprimiram foi há quase três anos. Perderam-se sete veículos. Roubaram s celulares, as câmeras, prenderam os rapazes. E a polícia não deu sequer o papel para que pudessem contactar o seguro. Esses veículos foram roubados para prejudicar quem esteve nos protestos. O povo tinha muito medo de sair para protestar. Nestes dias, vimos que se perdeu o medo”.

APORREA.ORG (03/06): “Este regime não é progressista nem de esquerda”, entrevista com Monica Baltodano [em espanhol]

“Um dos problemas da esquerda latino-americana é crer que a direita ou que os adversários não estão trabalhando. Claro que eles vão tratar de usufruir o movimento. Mas que culpa o povo dos erros e das arbitrariedades que cometem estes governos de esquerda? No caso da Nicarágua é claríssimo, pois estamos frente a um regime, desconectado da sociedade, que não fala com o povo. Imagina que desde 2007 somente Ortega e sua esposa podem falar, e somente o fazem com os meios que controlam. Nem sequer podem falar os ministros ou o presidente da assembleia nacional; este é um regime que restringe de forma brutal as liberdades mais essenciais”.

 

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