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Boletim do Portal da Esquerda em Movimento #2

Nesta edição do Portal da Esquerda em Movimento #2, destacamos a histórica eleição presidencial de Andres Manuel Lopez Obrador no México. Identificado com a esquerda e com um programa que enfrenta aspectos cruciais do narco-Estado mexicano, Lopez Obrador teve um triunfo esmagador (53% dos votos num turno único) no último domingo. Diretamente da Cidade do México, o secretário de Relações Internacionais  do PSOL, Israel Dutra, analisa as condições que tornaram possível a derrota do velho e corrupto regime mexicano e quais as perspectivas que se abrem para a esquerda anticapitalista neste novo momento. Neste mesmo sentido, José Luis Hernande Ayala, dirigente sindical dos eletricistas no México e membro da organização Coordinadora Socialista Revolucionária (CSR), aponta em seu artigo a necessidade de sem construir um polo anticapitalista no país, que evite tanto o sectarismo quanto o seguidismo acrítico ao governo de Obrador.

Outro ponto central deste Boletim é a questão imigratória. Nas últimas semanas, Trump e a extrema-direita europeia têm feito deste assunto um cavalo de batalha para distorcer e capitalizar o descontentamento da classe trabalhadora com o fracasso da globalização neoliberal, a fim de efetivar políticas que favoreçam cada vez mais o 0,01% de bilionários que domina o mundo. Atualizando hipóteses apresentadas anteriormente, Pedro Fuentes busca decifrar o que está por trás do ultranacionalismo e xenofobia de Trump e quais são as apostas que a esquerda revolucionária internacionalista deve fazer num cenário de crescente polarização social em diferentes e importantes partes do globo. Em artigo escrito no começo deste século, Arturo Van Den Eynde (conhecido também como Aníbal Ramos) abordava já a dinâmica dos deslocamentos massivos para os países desenvolvidos.

Em Nova York, o Partido Democrata assistiu uma de suas maiores surpresas com a vitória de Alexandria Ocasio-Cortez (do DSA). De ascendência porto-riquenha e colaborada da campanha de Bernie Sanders, a jovem socialista de 28 anos derrotou um dos políticos mais ligados à direção clintonista, garantindo praticamente um assento na Câmara de Representantes nas eleições no final deste ano.

Nesta semana, trazemos também para os nossos leitores assuntos como a rebelião popular na Nicarágua, os 100 dias da morte de Marielle Franco, a luta dos trabalhadores argentinos e franceses, o balanço eleitoral das presidenciais colombianas e turcas, além de um debate na esquerda portuguesa acerca dos rumos que vem tomando a Geringonça.

Desejamos a todos uma excelente leitura internacionalista e aproveitamos para convidá-los a seguir nossas redes sociais. Até o próximo boletim!

Secretaria de Redação do Portal da Esquerda em Movimento – 03/07/2018

 


López Obrador vence e faz história no México

México à esquerda: uma oportunidade histórica com a vitória de Obrador | Israel Dutra

Neste sentido, a vitoria de AMLO pode ser enxergada como um começo na longa luta para acabar com o narco-regime e abrir um processo mais participativo do ponto de vista político e independente diante dos Estados Unidos.

Eleição histórica no México | José Luis Hernandez Ayala

Estamos ante um novo ciclo político que abre novas e transcendentais desafios para a esquerda anticapitalista: nem a crítica ultra-esquerdista nem o seguidismo para o novo governo são a alternativa. Devemos construir um pólo de esquerda que, sem sectarismo, ofereça uma autentica proposta alternativa de transição democrática e de ruptura com as políticas neoliberais.

 

 

Trump, a direita ultranacionalista e a xenofobia

Para onde vai o mundo com Trump e seu ultranacionalismo xenofóbico e racista? | Pedro Fuentes

Escrevemos um artigo anterior que o caricaturesco, narcisista, demagogo e errático Trump é a expressão da decadência da hegemonia dos EUA num mundo cada vez mais caótico. Trump é isso, mas seria um erro desprezar que essas características psicológicas que há neste personagem que dirige a (ainda) maior potência do mundo, conjugam-se com uma política ultra-direitista que se apoia num nacionalismo imperialista (nada a ver com os nacionalismos dos países atrasados), de supremacismo branco e de perseguição aos imigrantes. Tem polarizado a sociedade estadunidense apoiando-se nos sentimentos racistas e anti-imigrantes dos setores politicamente mais atrasados dos trabalhadores que viram perder seus empregos com a globalização (deslocamento de fábricas) e os setores médios mais atrasados e direitistas. Seu lema de colocar em “América em primeiro lugar” merece várias leituras.

Las migraciones laborales, demografía de la globalización (em espanhol) | Arturo Van Den Eynde (Aníbal Ramos)

Las migraciones masivas constituyen un dato importantísimo y obligado de la lucha de clases de nuestros días. Como válvula de escape de la presión social en países que de otro modo estarían abocados a una explosión revolucionaria; como efecto de guerras sobre la población civil inerme y hambrienta; o como sistema de rejuvenecimiento y crecimiento de la población en países que de otro modo entrarían en decadencia demográfica, económica y social, las migraciones masivas determinan cada día más la composición nacional y cultural de la población de todos los países del mundo. Los marxistas que no tengan en cuenta este factor -la proporción y las características de la fracción inmigrada de la clase trabajadora- podrían llegar a pocas conclusiones políticas válidas.

 

Jovem socialista conquista grande triunfo no Partido Democrata em NY

 

Socialista ganha as eleições legislativas na cidade de Nova York | Ben Beckett

Ocasio Cortez, que se apresenta publicamente como progressista e socialista, ganhou quase 58% dos votos nas primárias. Num distrito que tem mais de 80% de eleitores democratas, sua eleição ao Congresso é quase certa. Crowley não havia enfrentado até então um rival sério desde que herdou seu assento do anterior líder político do Partido Democrata do Queens em 1998. A disputa atraiu a atenção nacional como a última escaramuça entre a facção corporativa dominante do partido e ala progressista pequena, porém enérgica, que encara a Bernie Sanders como seu líder de fato.

 

Rebelião Popular na Nicarágua

 

É preciso estar com os jovens da Nicarágua contra o governo autoritário de Ortega | Israel Dutra

Recentemente, Honduras passou por uma rebelião popular que, mesmo não derrotando a fraude operada nas urnas, imprimiu uma cunha de ilegítimo no governo de Juan Orlando Hernández. Já a Costa Rica acaba de vivenciar nesta quinta-feira (28/06) uma grande greve nacional contra os planos de austeridade do novo presidente Alvarado. Na Guatemala, após a tragédia do terremoto recente, novos movimentos sociais e associativos ganham a cena. O Panamá, por sua vez, atravessa uma reorganização do movimento sindical. E é na Nicarágua onde a mais dramática situação se decide.

 

Por una Nicaragua libre y democrática (em espanhol) | Manifesto Internacional

La farsa de diálogo nacional con la que Ortega ha intentado ganar tiempo no conduce a nada. Solamente hay una vía para la solución pacífica y democrática de la situación de Nicaragua: que Daniel Ortega y Rosario Murillo abandonen el poder y sean juzgados por tribunales independientes por ordenar los crímenes cometidos contra su pueblo. Los nicaragüenses merecen nuestra solidaridad, que como escribiera Gioconda Belli, es la ternura de los pueblos. Por eso los abajo firmantes pedimos a Daniel Ortega y a Rosario Murillo que cesen la represión contra su pueblo, que abandonen el poder. Por eso pedimos que un tribunal independiente e internacional juzgue a los tiranos por crímenes de lesa humanidad.

 

Crise política e luta social na Argentina

 

Argentina a caminho da greve geral | Israel Dutra

O contexto da greve geral do dia 25 é explosivo. Apesar da burocracia da CGT- maior central oficial – ter feito de tudo para dilatar os prazos da greve, o que está por vir ainda é imprevisível. Por um lado, a mesma burocracia utiliza a data da greve para descomprimir as reivindicações e fazer o que chamam de “paralisação domingueira”, transformando um dia de lutas num feriado. Por outro, a unidade de todos setores sindicais deverá provocar um pronunciamento contundente contra o conjunto do plano econômico, contra o governo e pelo nível de consciência das camadas mais avançadas, contra o FMI.

Balanço eleitoral na Colômbia

Balance de las elecciones en Colombia (em espanhol)| Lucas Guerrero

En la segunda vuelta se concretó un parteaguas político en el país. Con Petro votaron todos los sectores democráticos y de izquierda de Colombia y con Uribe, toda la derecha que responde a la gran burguesía, a las mafias, la corrupción y el clientelismo, con prestantes figuras y corifeos homofóbicos, racistas, xenófobos, antidemocráticos y rabiosamente anticomunistas. Esta nueva polarización ocurrida en las elecciones en Colombia es la que abre una nueva situación, en los escenarios de la política; los partidos, el congreso, el proceso de paz y pensamos también se trasladará a las calles.

 

Situação política no Brasil

100 dias sem Marielle | Thiago Aguiar e Israel Dutra

É hora de nos somarmos aos atos em manifestação que ocorrerão em todo o país em memória de Marielle e Anderson, exigindo justiça e honrando seu legado. Insistimos: quem matou e quem mandou matar Marielle?

O debate necessário na eleição presidencial | Luciana Genro 

Queremos cortar dos próprios juros da dívida que estão entre os mais altos do mundo. Cortar da corrupção que rouba até 2,3% do PIB. Cortar dos privilégios do 1% mais ricos, começando por aquelas seis famílias mais ricas do Brasil (que certamente enriqueceram ganhando com os juros da dívida) e que detém a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres. Queremos aumentar os impostos destes milionários, dos bancos, das grandes multinacionais, dos grandes exportadores. Que paguem com seus lucros exorbitantes pela crise, já que foram os que realmente ganharam antes dela.

 

Eleições na Turquia

No den por agotado al Partido Democrático de los Pueblos (em espanhol) | David Barchard 

El HDP, con el 11,5% de los votos y 68 diputados, continuará siendo una fuerza visible en la política nacional turca, aunque sigan siendo objeto del ataque de las autoridades y sus líderes encarcelados. Una de las preocupaciones de sus rivales será cómo impedir que el partido –que defiende puntos de vista izquierdistas liberales y afirma que representa tanto a los turcos como a los kurdos- se coma el apoyo de que disfruta el Partido Republicano del Pueblo con todo su historial de ineficacia continuada. Mientras tanto, los vecinos de Turquía y el mundo en general deben esperar para ver qué es lo que hará Erdogan con el enorme incremento de fuerza política obtenido en estas elecciones.

Eu estou concorrendo à presidência da Turquia. Da minha cela da prisão. | Selahattin Demirtas

Turquia agora compreende que a punição coletiva sobre os curdos no sudeste periférico afeta as liberdades e a cultura democrática de todo o nosso país. O que se limitava aos curdos tem se tornado a norma para os oponentes de Erdogan em outros lugares também. A única esperança para um futuro democrático e liberal radica na nossa união para derrotar o regime autoritário.

Greve dos ferroviários na França

A todo vapor: a luta dos ferroviários na França | Thaís Bueno

Na greve atual, as paralisações têm ocorrido na razão de dois a cada cinco
dias. Inicialmente, houve dúvidas se uma greve que não fosse contínua seria capaz
de suportar uma queda de braço com Emmanuel Macron, porém, a paralisação em
alguns dias gera um caos no restante da semana no sistema ferroviário,
possibilitando que a greve se tornasse uma das mais longas na história da categoria
e acumulando um prejuízo de bilhões para o governo; ademais, os ferroviários têm
conseguido garantir a reposição quase integral dos salários dos grevistas (mais de
50% da categoria) por meio de campanhas e atividades que extrapolam os limites da própria categoria, tendo até o momento uma vitória parcial no recuo de Macron
quanto a fechar linhas menores de trens e tendo a possibilidade de dobrar um
governo que até então parecia ser intocável.

 

Debate na esquerda portuguesa

O mito português | Catarina Príncipe

O debate estratégico necessário não é uma questão de se devemos ou não lutar pelo poder institucional, mas sim que papel específico e qual a prioridade que a esquerda radical deve atribuir a esta esfera. Se a nossa análise nos diz que a política institucional pode servir como amplificador para as exigências políticas, mas que em última instância não consegue transformar a sociedade como um todo, então, claramente, a necessidade de construir instrumentos de organização política que funcionem dentro das instituições e a aprendizagem da actividade neste campo, não retira a necessidade de construir estes instrumentos fora destes polos de poder.

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
  • Bernardo Corrêa
  • Charles Rosa
  • Clara Baeder