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Uma maré socialista nos EUA e uma maré feminista no mundo

A onda socialista no país mais importante do globo não é pouca coisa. Não por acaso, depois de muitas décadas de silêncio, desde a eleição de Ocasio-Cortez, a imprensa fala do “novo socialismo”. O NY Times já publicou dezenas de artigos e colunas que tocaram o tema. Também a televisão americana, como muitos outros jornais do mundo. Um dos mais recentes é o que leva por título “The New Socialists”. Graças a isso, modificou-se a situação do DSA (Democratic Socialists of America), uma organização que era desconhecida para o grande público americano. Agora, desde que Alexandria Ocasio Cortez fez menção do socialismo democrático, a marginalidade em que estavam foi rompida. O NYT inclusive deu espaço para que escrevessem dois de seus membros: Meagan Day e Baskhar Sunkara, jornalista e diretor da Jacobin Magazine.

Seus artigos tiveram que ser comentados e criticados já que eles defenderam um socialismo não só de reformas muito necessárias  (“Medicare for All”, “public education”, “minimum wage of $ 15 for hour”), mas algo que fosse mais além do sistema capitalista, para que tais reformas fossem efetivas e combatessem radicalmente a desigualdade.

O socialismo não é um fenômeno novo nos EUA; tem uma longa tradição. Mas como diz o NYT, é verdade que há”new socialists”. Como já escrevemos muitas vezes nestas páginas, existe um fenômeno novo. Candidatos socialistas de Our Revolution e o próprio DSA disputam eleições primárias democratas e alguns ganham; o socialismo cresce como ideia em setores de massas. Está se formando uma nova vanguarda socialista e essa vanguarda se apaixona pela classe operária e se insere nela, acompanhando um ressurgimento das greves.

Vale perguntar: por que o socialismo está crescendo mais rápido nos Estados Unidos que em outros países? Há várias respostas, algumas são abordadas nos artigos publicados em nossos boletins. Mas queremos chamar a atenção para uma hipótese, que se estiver certa tem muitas repercussões para todos os socialistas. Os EUA seguem sendo o país mais rico do planeta, onde há também a maior concentração de riqueza. Segundo o economista Dumenil, cerca de cem famílias, corporações ou bancos, que de uma forma ou de outra dominam ou concentram a riqueza mundial, 40% são americanos. É o país que tem mais riqueza para distribuir e onde também há uma grande desigualdade. Sob o socialismo, está essa ideia de que pode se distribuir riquezas. E essa ideia concretiza-se nas reivindicações mencionadas acima.

É uma ideia geral que encerra políticas reformistas e programas anticapitalistas; e isso seguirá sendo assim por um tempo. Nós sabemos que no período de crise estrutural do capitalismo não se podem realizar essas reivindicações, se não for atacada a grande propriedade e os grandes monopólios. O importante para essa nova vanguarda socialista é sustentar firmemente essas demandas que estão para a ação, ao mesmo tempo em que se explicam as medidas necessárias contra os grandes capitalistas para que possam ser efetivas. Como dizia Lenin, educar pacientemente o setor mais avançado e estar intimamente unido com a classe operária defendendo suas reivindicações.

Esse verdadeiro socialismo que está crescendo é também incompatível com a estrutura dominante do partido democrata. Assim como não há possibilidades de reformas estáveis e duradouras dentro do capitalismo, tampouco há espaço para as verdadeiras ideias socialistas no Partido Democrata.

Por que este crescimento do socialismo está junto à maré feminista como os acontecimentos mais importantes que se movimentam no mundo neste momento? Porque ambos os processos ajudam a resolvem a enorme contradição que vivemos; entre a grave crise capitalista e a grande desigualdade com o fator subjetivo ou seja o atraso da consciência das massas. O socialismo ainda está desacreditado pela experiência stalinista; e que no país mais avançado do capitalismo (EUA) o socialismo cresça é um fato que repercutirá sobre muitos outros países.

Por sua vez, a maré feminista é o mais dinâmico que ocorre internacionalmente como demonstram os artigos que publicamos e, em particular, o das companheiras que estiveram na Argentina. Como disse uma companheira de Juntas, “o movimento feminista do Brasil pode tirar a esquerda do limbo”. E agregamos, está sacudindo o mundo.

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
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