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#EleNão #EleNunca: As mulheres vão derrotar Bolsonaro

O resultado das eleições de 2018 podem ser ainda imprevisíveis, mas há um fator qualitativo no atual cenário: a força de Bolsonaro. Duvidava-se que o bolsonarismo poderia sobreviver a uma disputa com máquinas eleitorais potentes, as últimas semanas sugerem algo mais: Bolsonaro se consolida como liderança de extrema direita, com significativo peso de massas, com apoio de setores da burguesia e inserção em camadas da classe trabalhadora. Um líder que coesiona uma agenda política reacionária (com um programa econômico liberal) que tem como combustível a irracionalidade, o ódio e a revolta de setores médios e populares diante da aguda crise econômico, político e social do país. Diga-se de passagem, crise cuja responsabilidade é cobrada dos principais partidos da ordem, especialmente do PT. Sendo assim, a ascensão de Bolsonaro é um dado que preocupa amplos setores democráticos. Imediatamente, surgem reações a este fenômeno, sendo que nas ruas onde o movimento feminista está cumprindo um papel muito importante.

Há alguns anos Juntas vem aprimorando a leitura sobre a força que o movimento feminista tem ganho. Além da tomada de consciência sobre a opressão cotidiana do patriarcado ter se espalhado e atingido mulheres que transcendem a vanguarda, temos observado o forte caráter político da organização das mulheres em todo mundo. O feminismo vem sendo a ponta de lança de importantes processos como a derrubada de Eduardo Cunha, a oposição às reformas de Temer (o 8 de Março de 2017 antecedeu a Greve Geral contra a Reforma da Previdência), a greve de mulheres na Espanha, o levante contra Trump nos EUA e a multitudinária mobilização das argentinas pela legalização do aborto.

Agora, em meio a um problemático cenário eleitoral em que um candidato proto-fascista lidera as pesquisas, novamente as mulheres surgem como um sujeito político fundamental. Bolsonaro encontra no eleitorado feminino sua principal barreira. Desde o atentado sofrido por ele, diante da possibilidade de crescimento de sua campanha, milhões de mulheres se convocaram para a tarefa de derrotá-lo. Foi criado um grupo Mulheres unidas contra Bolsonaro, que tomou proporções gigantescas em menos de uma semana, batendo 3 milhões de mulheres. Também tivemos a explosão do vídeo da nossa vereadora de São Paulo, Sâmia Bomfim, que já atinge a marca de mais de 6 milhões de visualizações e 132 mil compartilhamentos. Como consequência desta força virtual, dezenas de atos passaram a ser convocados espontaneamente por todo país. Nossa arte convocatória se espalhou por dezenas de milhares de usuárias do Facebook.

A militância feminista tem uma tarefa central nesses próximos dias: participar ativamente da construção dos atos de Mulheres contra Bolsonaro e ter uma intervenção exemplar em cada cidade onde temos atuação. Há em algumas localidades, como em São Paulo, a tentativa de aparelhamento desse movimento tão vivo e espontâneo. Setores estão se movimentando para tornar o movimento de mulheres para Bolsonaro em espaços burocratizados com grandes carros de som e palanques para seus candidatos. A própria direita tem se mobilizado para tirar suas lascas deste fenômeno político. Temos que combater essas tentativas de burocratização e disputar para que o caráter espontâneo e genuíno deste movimento permaneça, para que a luta contra Bolsonaro tenha consequências e não se encerre no dia 29.

Os atos do dia 29 podem ser o mais determinante evento para o enfrentamento de Bolsonaro e do projeto que ele representa. Enquanto a velha esquerda se preocupa quase que exclusivamente na disputa do voto útil, temos a tarefa de demostrar que o peso das ruas é determinante para a derrota de Bolsonaro.

Acreditamos ainda que a luta contra a extrema direita permanecerá sendo uma tarefa após o processo eleitoral, para a qual o movimento feminista seguirá tendo importância gigantesca. Assim como em 2013 com a juventude, neste momento inúmeras mulheres (jovens ou nem tanto) estão procurando uma forma de contribuir mais decididamente na luta contra Bolsonaro. Multiplicar nossa força neste período é uma necessidade e uma possibilidade, não podemos desaproveitar essa chance. A força do movimento de mulheres corre risco de ser passageira ou mais efêmera se prescindir de organizações que deem sentido de permanência a ela. Por isso, apostamos na sua massificação e o Juntas atuará decididamente para que este movimento não se encerre no dia 7 de outubro.

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
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  • Charles Rosa
  • Clara Baeder