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Juntos na IX Universidad Anticapitalistas e na Catalunha!

Estamos em um momento contraditório nas lutas sociais no mundo, enquanto alternativas autoritárias e reacionárias crescem por todo mundo – como no caso de Trump nos EUA, Le Pen na Fraça ou Bolsonaro do Brasil – a luta dos povos em diversos países tem se radicalizado. Vimos, por exemplo, a força dessas lutas com as mulheres Argentinas pela legalização do aborto, com a população do Peru contra seu presidente corrupto e neoliberal e com os estudantes da Nicarágua contra o governo autoritário de Ortega. Nesse cenário, os povos da Catalunha e Espanha também tem tido um papel de destaque, construindo uma luta muito forte pelo direito, no caso do primeiro, da autodeterminação catalã e, em ambos, uma greve histórica de mulheres com milhões paralisadas no 8 de março desse ano.

Por isso, nós do Juntos enviamos uma delegação para Catalunha e para a IX Universidad Anticapitalista, construindo pelos Anticapitalistas, corrente fundadora do Podemos e uma das organizações que tem se destacado na construção de uma alternativa para a esquerda espanhola e europeia.

Na Catalunha, a luta pela independência catalã continua contra o Estado e o atual regime monarquista Espanhol, dominado pelos poderosos, que num pacto com o antigo e já falecido ditador, Franco, que formou e mantém um governo autoritário contra os diferentes povos da Espanha. Após um referendum e a tentativa de declaração de independência no ano passado pelo governo da catalão, a perseguição contra aqueles que construíram o processo resultou na prisão política de diversas lideranças forma arbitrária.

Por isso o povo Catalão continua a se organizar, com atos e manifestações contra as prisões políticas e uma campanha forte o suficiente para que seja possível ver bandeiras pela liberdade em quase todos prédios da cidade. Além disso os Comitês de Defesa da República (CDR), criados em defesa do referendum pela independência e do direito do povo catalão decidir mantém suas atividades, fazendo assembleias constantemente e puxando atos e campanhas relacionados a sua independência.

Na semana que estivemos na Catalunha conseguimos conversar com diversos coletivos pela independência e pela soberia do país, além de participar de atos e atividades puxadas pelos CDRs para ter contato com essa experiência de organização popular.

Logo depois, participamos da IX Universidad Anticapitalista, em Segóvia, para conhecer mais a luta na Espanha e ter contato com os Anticapitalistas, sessão da IV Internacional Secretariado Unificado no país, que tem construído desde o processo dos Indignados uma forte luta contra o regime espanhol, por meio da experiência do Podemos.

O evento consistiu em diversos debates de política espanhola, internacional e formação, que iam desde economia marxista ao tema dos refugiados. Vale destacar que o tema das mulheres, por ser o ponto alto de lutas no mundo, e especialmente forte na Espanha, foi o ponto alto da universidade, contato com diversos eventos sobre o tema e formulações importantes sobre uma nova onda feminista internacional, como debatido pela italiana Cinzia Arruza, que foi uma figura fundamental em todo o encontro.

Num sentido mais geral da política, os desafios das esquerdas espanholas não são poucas. A recém-aprovada lei da mordaça tem servido pra criminalizar movimentos sociais e qualquer um que se oponha ao governo e à monarquia, como no caso de diversos rappers que foram processos ou ameaçados judicialmente de prisão pelo Estado Espanhol nos últimos meses. Além disso a necessidade de organizar as lutas de juventude e dos trabalhadores, em especial das mulheres nesses locais que se põe na frente dos processos de luta, se mostra com uma tarefa importante.

Por isso, os Anticapitalistas tem apostado em processos amplos de construção, como na participação de assembleias e coletivos de mulheres formados depois da onda feminista vinda com a greve do 8 de março e como a construção do Abrir Brecha, um novo coletivo de juventude que lançaram em maio e que pretende organizar a nova geração que tem se formado pós indignados em um momento de desemprego diversos reflexos da crise que ainda abalam a juventude espanhola. Além disso, ainda há o debate sobre a necessidade de radicalizar o Podemos, após divergências que tem tido no último período com a direção majoritária atual, acreditando que é necessário que essa construção não se institucionalize demais e largue o espírito radicalizado em que se formou.

Conseguimos nos aproximar de todo esse processo, nos dispondo a fortalecer os laços com essas construções importantes que também acontecem por toda Europa, aproximando essa experiência com a nossa do Brasil. É necessário construir nossa luta cada vez mais internacionalmente – a atual perseguição do movimento estudantil na Nicarágua e a busca que seus militantes tem tido por apoio em todo mundo mostra como precisamos desde já fortalecer nossas construções dos de baixo contra os poderosos em todos países e que isso tem que ser feito desde já com todos polos de luta no mundo. Construir um anticapitalismo radicalizado em cada continente é um desafio que só vamos conseguir fazer juntos com os indignados de todo mundo!

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
  • Bernardo Corrêa
  • Charles Rosa
  • Clara Baeder