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Clipping Semanal do Observatório Internacional da Fundação Lauro Campos – 04/10

CLIPPING SEMANAL DO OBSERVATÓRIO INTERNACIONAL DA FUNDAÇÃO LAURO CAMPOS – 04/10

Nesta edição do Clipping Semanal do Observatório Internacional da Fundação Lauro Campos, destacamos a mobilização nos EUA contra a nomeação do juiz Brett Kavanaugh para a Suprema Corte, depois de surgimento de denúncias de assédio sexual praticado durante a sua juventude. Outra mobilização global marcante das últimas semanas é a a sequência de greves gerais na Costa Rica contra a tentativa do governo fazer passar um plano de austeridade (a exemplo do que ocorre em outros países latino-americanos, como a Argentina).

Além disso, este Clipping contempla notícias e artigos a respeito da: crise humanitária e das ameças intervencionistas dos EUA; a escalada do autoritarismo na Nicarágua; os protestos na Catalunha, um ano após a proclamação da independência ainda não sacramentada; o revés da Bolívia no Tribunal de Haia quanto à solicitação de sua saída para o mar, bloqueada pelo Chile desde a Guerra do Pacífico; a queda-de-braço entre a União Europeia e o governo “populista de direita” da Itália, que propõe o aumento do déficit fiscal para estimular a economia na contramão dos dogmas neoliberais; o fracasso do referendo na Macedônia, ao que tudo indica mais uma vitória da influência russa na órbita de influência europeia; a greve dos palestinos contra as recentes leis segregacionistas de Israel; o plano chinês de avançar ainda mais na corrida tecnológica do século XXI em relação aos EUA; a terrível matança de civis na guerra do Sudão do Sul, uma das mais sangrentas da nossa época.

Na segunda parte deste trabalho, compartilhamos artigos sobre: os rumos do capitalismo global dez anos após a quebra dos Lehman Brothers; o descalabro neoliberal do governo Macri na Argentina; o escancaramento do machismo institucional nos EUA face às denúncias contra o escolhido por Trump para a Suprema Corte; a necessidade de defesa incondicional dos direitos humanos na Nicarágua; as consequências trágicas para a Palestina do Acordo de Oslo que acaba de completar 25 anos.

A todos uma excelente leitura!

Charles Rosa – Observatório Internacional – 04/10

NOTÍCIAS E ARTIGOS DA IMPRENSA INTERNACIONAL

Caso Kavanaugh

BBC (01/10): “O que as investigações do FBI realmente farão” (em inglês)

O presidente Trump ordenou uma investigação do FBI sobre as denúncias de má conduta sexual contra Brett Kavanaugh, seu nomeado para a Suprema Corte. O anúncio veio depois que o republicano do Arizona, Jeff Flake, sensacionalmente mudou de idéia sobre apoiar o juiz – dizendo ao Comitê Judiciário do Senado que ele não apoiaria a confirmação de Kavanaugh no Senado sem uma investigação adicional do FBI. A comissão solicitou uma investigação “limitada às atuais alegações críveis” e concluiu “no prazo de uma semana a partir de hoje” [sexta-feira, 28 de setembro]. Uma votação completa no Senado sobre se Kavanaugh consegue um assento no principal tribunal dos EUA foi adiada por uma semana, enquanto o FBI começa a trabalhar.

The Observer (30/09): “O confronto entre o nomeado para a Suprema Corte e sua acusadora expôs a dura verdade sobre o poder e a lei nos EUA” (em inglês)

Ford v Kavanaugh é mais do que uma disputa sobre uma grave agressão sexual que supostamente ocorreu em uma noite de 36 anos atrás. É mais do que uma mera tragédia humana, embora a audiência do Senado, às vezes brutal e violenta, sem dúvida deixe ambos os indivíduos feridos e com cicatrizes. Foi muito mais do que as tensões constantes e nunca atenuadas entre os sexos que são tão antigos quanto o próprio mundo. Esse conflito, nominalmente sobre a aptidão de Brett Kavanaugh para servir como um juiz na mais alta corte dos Estados Unidos, incorpora e simboliza as duras divisões culturais enfraquecendo, desfigurando e confundindo um país que, cada vez mais pouco convincente, ainda se chama Estados Unidos. É sobre política, é sobre poder e lei, é sobre igualdade de gênero e é sobre confiança e respeito mútuos, sem os quais qualquer relacionamento, quanto mais um país extenso e intimamente conectado de 325 milhões de pessoas, não pode ter esperança de prosperar.

The Guardian (29/09): “Kavanaugh revelou a insidiosa força na política global: a masculinidade tóxica“, por Johnathan Freedland (em inglês) 

A competição na liga de misoginia global vem do presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, cuja resposta ao estupro e assassinato de um missionário australiano na cidade onde ele era prefeito foi dizer: “Eles a estupraram, fizeram fila. Eu estava com raiva porque … ela era tão linda que o prefeito deveria ter sido o primeiro. Que desperdício. ”Enquanto isso, o governo de Viktor Orbán na Hungria distribui livros escolares primários que reviveram a parte de uma canção infantil tradicional que descreve alegremente os homens que batem em suas esposas como parte normal da vida familiar. Na Grã-Bretanha, nosso próprio aspirante a Trump é Boris Johnson, que, ao tentar fazer uma tentativa barata e violenta contra os muçulmanos, apontou seu fogo contra as mulheres muçulmanas e sua aparência.

Quarta Semana de Protestos na Costa Rica

El País (01/10): “Costa Rica encara a quarta semana de greve no setor público sem acordo à vista” (em espanhol)

O Governo da Costa Rica e os sindicatos do setor público fracassaram neste domingo na última tentativa de alcançar um acordo que ponha fim à greve mais longa que vive o país centro-americano em quase duas décadas. (…) A greve tem o apoio do único deputado de esquerda, José María Villalta (Frente Amplio) e despertou também simpatias no Partido Restauração Nacional (PRN), de base religiosa evangélica e convertida em terceira força política no Legislativo depois das eleições passadas. Sustentam que a reforma golpeará mais a classe média e as pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza (20% da população).

Nicarágua

El Periodico (29/09): “Ortega proíbe as marchas opositoras na Nicarágua” (em espanhol)

O conflito político na Nicarágua entra em mais um capítulo obscuro com a decisão do Governo de Daniel Ortega de limitar estritamente o protesto cidadão. “Serão responsabilizados e responderão ante a justiça, as pessoas e os organismos que convocam estes deslocamentos ilegais desde os quais se promoveram e tenta se promover ações delituosas, destrutivas e criminosas”, advertiu a Polícia. Para os adversários do presidente, trata-se claramente de uma proibição.

Decisão do Tribunal de Haia

BBC Mundo:Haia decide que Chile não tem obrigação de negociar com a Bolívia uma saída soberana para o mar de acordo com a Corte Internacional de Justiça” (em espanhol)

Este é o resultado de uma demanda feita pela Bolívia em 2013 ante a CIJ contra o Chile, a qual buscava obrigar este país negociar “de boa fé” a saída “soberana” da Bolívia ao mar. La Paz assegurava que o Chile não havia cumprido com suas promessas e obrigações assinadas e houve a solicitação para negociar um “acesso soberano”, como um acesso terrestre e um porto sob o seu controle.

Crise humanitária na Venezuela

AFP (01/10): “1,9 milhões de pessoas abandonaram a Venezuela desde 2015, segundo a ONU” (em espanhol)

Uma estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgada nesta segunda-feira (1º) aponta que pelo menos 1,9 milhão de pessoas deixaram a Venezuela desde 2015, fugindo da crise econômica e política que o país atravessa. “Segundo os dados oficiais do governo, estimamos que 1,9 milhão de venezuelanos deixaram seu país desde 2015 para se dirigir, principalmente, para outros países da América do Sul como Brasil, Colômbia, Equador e Peru”, afirmou William Spindler, porta-voz do executivo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

El País (27/09): “Maduro faz aceno a Trump e diz que crise migratória foi inventada para justificar intervenção humanitária” (em português)

Nicolás Maduro usou o alto-falante das Nações Unidas nesta quarta-feira, 26, para dirigir a palavra de Donald Trump e dizer que, apesar de suas diferenças ideológicas “abismais”, está disposto a “apertar a mão” dele e dialogar “com uma agenda aberta” sobre questões bilaterais e aquelas que afetam toda a América Latina. O presidente da Venezuela fez isso depois de acusar os Estados Unidos de liderarem uma campanha que busca demonizar seu país e que tem como objetivo justificar uma intervenção humanitária.

Crise econômica na Argentina

Página 12 (01/10): “Pobreza dispara: Os frutos do amor“, por Raúl Delatorre (em espanhol)

A pobreza superou o índice de 29% na metade do ano (segundo as cifras oficiais não difundidas) e, à luz da evolução dos preços e do panorama laboral destes meses, já haveria superado cerca de 30%, estimando-se que poderia terminar o ano entre 33 e 35% por segundo projeções ainda não divulgadas. Esta situação, suficientemente conhecida tanto em Buenos Aires como em Nova York e Washington, é o que explicaria o discurso de Mauricio Macri há alguns dias, depois de conhecer os indicadores do primeiro semestre, em que admitiu haver retrocedido a meta de baixar a pobreza.

The Guardian (27/09): “A Argentina consegue o maior empréstimo da história do FMI: US$ 57 bilhões” (em inglês) 

A Argentina recebeu o maior pacote de empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI), destinado a reforçar as finanças do país: US $ 57,1 bilhões, que serão desembolsados nos próximos três anos. “Este é o maior empréstimo na história do FMI”, disse a diretora do fundo, Christine Lagarde, na quarta-feira, quando o contrato final de empréstimo foi anunciado em Nova York. O empréstimo – dos quais US $ 15 bilhões já foram recebidos pela Argentina – vem com condições rigorosas, incluindo um compromisso com um déficit zero para 2019. A Argentina havia garantido inicialmente US $ 50 bilhões em um acordo fechado em junho, depois que o país sul-americano foi atingido por uma crise cambial, uma corrida pelo peso e inflação de dois dígitos.

Protestos na Catalunha

El Nacional (01/10): “O independentismo volta às ruas para recuperar o 1-O” (em espanhol)

Milhares de pessoas voltaram a tomar as ruas de Barcelona para recordar e rechaçar a violência policial do 1-O assim como para reclamar ao Govern que se implante a República. A manifestação, organizada pela Plataforma 1 de Outubro,, começou na praça da Catalunha, onde se abriu uma grande faixa com a mensagem “A auto-determinação é um direito humano”. A marcha ocorre sob o lema Recuperem l’1 d’octubre.

Referendo na Macedônia

The Guardian (01/10): “Resultado do referendo da Macedônia é outra vitória para a Rússia” (em inglês) 

A recusa dos eleitores da Macedônia em endossar uma mudança no nome de seu país parece, à primeira vista, ser uma questão de interesse puramente local. Mas o resultado do referendo de domingo será amplamente visto como uma vitória significativa para Vladimir Putin, um revés para a UE e a Otan, e outro exemplo preocupante da capacidade e disposição da Rússia em influenciar o processo democrático nos países ocidentais. No evento, mais de 90% dos votos apoiaram a mudança de nome. Mas a participação foi de cerca de 36%, menos do que os 50% necessários para tornar a decisão vinculativa no parlamento. Maior instabilidade e divisão se adequam ao plano de jogo da Rússia, segundo analistas ocidentais. Se o referendo tivesse sido bem sucedido, teria resolvido uma disputa com a Grécia que bloqueou a rota da Macedônia para a adesão da UE e da Otan. Como em outros lugares nos Bálcãs ocidentais, notadamente na Sérvia, Kosovo e Montenegro, Moscou está determinada a impedir a expansão da influência ocidental.

Orçamento italiano contraria a UE

El País (27/09): “Plano orçamentário desafia Bruxelas” (em espanhol)

O Governo italiano ignorou as advertências de Bruxelas para controlar o gasto público e seu ministro da Economia, o técnico independente Giovanni Tria. O Executivo aprovou a elevação do déficit para 2,4% do PIB, três vezes acima do limite mantido pelo governo anterior de Paolo Gentiloni. A questão orçamentária havia desatado uma feroz batalha entre a Liga e o M5S, que desejavam aumentar o gasto, e Tria, que não queria irritar a Comissão Europeia.

Palestina

The Middle East Eye (01/10): “No aniversário da Segunda Intifada, os palestinos se preparam para uma greve geral” (em inglês)

Esta semana, os palestinos em toda a histórica Palestina, pela primeira vez como um só povo, comemoram o 18º aniversário da Segunda Intifada organizando uma greve geral conjunta e outras atividades. Os refugiados palestinos, cuja situação foi exacerbada desde os Acordos de Oslo e a Primavera Árabe, provavelmente se unirão. A greve, convocada pelos líderes da comunidade palestina em Israel, reflete o crescente papel dos palestinos em Israel na luta nacional mais ampla. , que evoluiu muito desde a insurreição de 2000. Independentemente da sua eficácia, esta greve será significativa para unir os palestinos em ambos os lados da Linha Verde, em meio à fragmentação em curso. Vale ressaltar que a decisão por ação política coordenada foi iniciada por palestinos que foram historicamente excluídos do processo decisório da Organização de Libertação da Palestina – a saber, os 1,5 milhão de palestinos com cidadania israelense que sobreviveram à limpeza étnica realizada pelas forças sionistas em 1948. .

Al Jazeera (30/10): “Real Madrid homenageia a ativista palestina Ahed Tamimi” (em inglês)

A ativista palestina Ahed Tamimi, cuja prisão no ano passado foi condenada internacionalmente, foi homenageada pelo clube de futebol espanhol Real Madrid depois que ela foi libertada da prisão israelense. A jovem de 17 anos foi presa em dezembro de 2017, depois que um vídeo dela batendo e batendo em dois soldados israelenses fora de sua casa na aldeia de Nabi Saleh, na Cisjordânia ocupada, se tornou viral.

Disputa entre China e EUA

El País (28/09): “Inteligência artificial: a disputa do século XXI“, por Ana Fuentes Fernandez

O Partido Comunista fez da inteligência artificial uma prioridade. Em verão de 2017, Pequim revelou seu plano de se tornar uma referência mundial neste terreno, para uso militar e civil, em 2030. Conta com infraestrutura privilegiada: 200 milhões de câmeras de vigilância e a maior base de dados do mundo, 1,4 bilhões de pessoas, para treinar seus algoritmos E com três gigantes, Baidu, Alibaba e Tencent, empresas privadas que cotizam na bolsa, mas que por sua estreita relação com o Governo têm uma enorme vantagem competitiva. Entre outras coisas porque alguns de seus principais rivais estadunidenses (Google, Twitter, Facebook) estão censurados na China. Entre o Governo e os investidores privados financiam centenas de startups nacionais e estrangeiras.

Conflitos no Sudão do Sul

Washington Post (27/09): “Número de mortos no Sudão do Sul: Novo relatório diz que 383 000 pessoas já foram mortas na guerra civil” (em inglês)

Anos de brutal guerra civil no Sudão do Sul deixaram pelo menos 382 mil pessoas mortas, segundo uma estimativa de um novo estudo financiado pelo Departamento de Estado que supera em muito uma cifra anterior das Nações Unidas e aponta os horrores de um conflito muitas vezes negligenciado. . As descobertas do estudo, conduzidas por uma pequena equipe da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, mas encomendadas pelo Instituto para a Paz dos EUA em parceria com o Departamento de Estado, foram divulgadas na quarta-feira. O Washington Post obteve uma cópia antecipada do relatório. Em março de 2016, as autoridades da ONU estimaram que o conflito matou cerca de 50.000 pessoas e, por anos, faltou uma contagem de mortes mais precisa como  uma medida para medir o derramamento de sangue, mesmo com o conflito. Especialistas dizem que um número exato de mortes pode ser uma ferramenta crítica para os formuladores de políticas.

ARTIGOS E DEBATES DA ESQUERDA INTERNACIONAL

Crise do capitalismo

Viento Sur (30/09): “Crise econômica e desordens mundiais“, (em espanholpor Michel Husson

Em vez de serem reabsorvidos, os efeitos da crise de 2008 se agravaram. A razão de fundo é que não existe modelo que possa substituir o que entrou em crise há dez anos, que seja aceitável para a oligarquia mundial. Todos os princípios de organização da economia mundial se desmoronam pouco a pouco, em particular sob os violentos golpes de Donald Trump. Somente a China dispõe de um programa coerente de reestruturação de uma parte da economia mundial.

Sin Permiso (30/09): “Voltar à normalidade?“, por Michael Roberts (em espanhol)

Argentina e Turquia mostram agora que o problema não era a zona euro, como tal, mas as forças do capitalismo global. Tanto a Argentina como a Turquia controlam sua política de tipos de câmbio e taxas de juros. Buenos Aires optou pelo controle do FMI e Ancara o rechaça. Mas não haverá nenhuma diferença: os trabalhadores e as trabalhadoras em ambos países que pagar o preço da crise de suas economias.

Rebelion.org (26/09): “A década de ascenso da China“, por Jenny Clegg (em espanhol)

As indústrias chinesas não só estão se aproximando da tecnologia de vanguarda em setores convencionais como a eletrônica, a maquinaria, a automação, o trem de alta velocidade e a aviação, mas também estão liderando inovações tecnológicas. Entre os setores de novas tecnologias que estão se desenvolvendo se encontram o da inteligência artificial, a Internet das coisas, os veículos autônomos, a nanotecnologia, a biotecnologia, a ciência de materiais, o armazenamento avançado de energia e a informática quântica. Atualmente a China está desafiando o monopólio dos países desenvolvidos em robótica e impressão 3D. O governo está investindo em campos como os chips eletrônicos avançados e os motores de aviação avançados. De fato, a China logo superará os Estados Unidos em investimentos em  Pesquisa e Desenvolvimento.

SWP (26/09): “Jeremy Corbyn promete “soluções radicais” dez anos depois do crash bancário“, por Nick Clark (em inglês)

O líder do Partido Trabalhista Jeremy Corbyn atacou a ganância do capitalismo e prometeu mudanças econômicas radicais. Seu discurso na conferência do Partido Trabalhista em Liverpool protestou contra os resgates durante o crash financeiro de 2008 – e a década de austeridade que se seguiu. Corbyn atacou os políticos e o “establishment corporativo” que “coagulou todos os nervos para salvar e sustentar o sistema que levou ao crash em primeiro lugar”. “O preço disso não foi apenas estagnação”, disse ele. “Isso também estimulou o crescimento do racismo e da xenofobia e levou a uma crise na democracia, tanto no país quanto no exterior”.

Crise argentina

Rebelión.org (01/10): “Poucos ganhadores e muitos perdedores ante o novo acordo de Macri com o FMI“, por Julio Gambina (em espanhol)

Não se trata somente de economia e políticas econômicas, mas de política e consensos sociais no bloco do poder para reestruturar regressivamente o funcionamento do capitalismo na Argentina. O discurso ortodoxo assumido pelas novas autoridades do BCRA converge com as críticas discursivas pela direita ao macrismo e acelera os tempos do ajuste fiscal e a mudança de preços relativos para favorecer o lucro em prejuízo dos ingressos populares. Consolida-se assim a ofensiva do capital contra o trabalho.

Esquerda.net (26/09): “A Argentina na tormenta“, por Jerôme Duval (em português)

O peso argentino está em queda livre, os preços disparam, o consumo reduz-se ao minímo, incluindo para a classe média, muitas lojas e empresas fecham e despedem em massa, a fome propaga-se nos bairros periféricos e os especuladores entram em pânico, sem saber o que inventar para evitar o afundamento anunciado. No entanto, podíamos ter aprendido com as crises do passado para não as repetir: a Argentina já passou por isto… as pessoas recordam-se de 2001, da fome, do barulho das panelas vazias entre as batidas das colheres nas fachadas dos bancos … fechados. É o “corralito”1. Do outro lado, os capitais fogem discretamente na expectativa de um alívio para um eventual retorno. O cenário orquestrado pelo FMI nos quatro cantos do globo repete-se até ao infinito, o que não impede que continue a destilar as suas próprias recomendações nauseabundas, qualquer que seja a latitude do país em causa.

Questão palestina

Viento Sur (28/09): “Os acordos de Oslo aceleraram a colonização israelense” , entrevista com Gilbert Achcar (em espanhol)

Os acordos de Oslo criaram uma calma que era propícia para a aceleração da colonização. O controle do lado palestino pela Autoridade Palestina reduziu consideravelmente os riscos de atentados e de manifestações. O movimento sionista se aproveitou disso para intensificar a colonização.

Brett Kavanaugh

Jacobin Magazine (28/09): “A banalidade de Brett Kavanaugh“, por Meagan Day (em inglês)

Kavanaugh é provavelmente culpado de agressão sexual. Essa é a minha leitura, depois de analisar os testemunhos disponíveis e também trinta anos de experiência com pessoas. Mas o que realmente me espanta não é a brutalidade excepcional de homens poderosos – a crueldade de Kavanaugh ou seus amigos da escola ou dos republicanos fulminantes que protestaram contra seus maus tratos ontem, referindo-se à investigação de alegações de abuso sexual contra um nomeado da Suprema Corte, como “injustas” e “insinuações”. Não, não é a monstruosidade deles que se destaca. É a mesquinharia comum deles, o desejo desesperado deles de impressionar um ao outro e, quando a merda bate no ventilador, para salvar a cara juntos.

Democracy Now (29/09): “O corpo das mulheres não deveria ser um campo de batalha“, por Amy Goodman (em espanhol)

Basta ver um caso recente no qual o juiz Kavanaugh emitiu uma sentença em relação a uma jovem de 17 anos de idade, referida como “Jane Doe”, que fugiu de seu país para escapar de uma situação de abuso e descobriu que estava grávida enquanto permanecia sob custódia da autoridade de imigração dos Estados Unidos. Ela decidiu interromper a gravidez, o que teria sido algo rotineiro durante o governo de Barack Obama. Entretanto, o governo de Trump tentou detê-la e Kavanaugh apoiou essa tentativa.

Solidariedade com os manifestantes nicaraguenses

Viento Sur (27/09): “São os direitos humanos uma moeda de troca? Perguntem às mulheres“, por Mathias Schindler (em espanhol)

Com que argumento poderia se provar que o apoio de um ditador como Ortega seria compatível com o respeito aos direitos humanos e à dignidade de todos os seres humanos? Que justificativa poderia ser dada para apoiar politicamente um estuprador notório, quando a luta contra a opressão patriarcal da mulher foi escrita nas bandeiras?

 

 

 

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