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A solidariedade do DSA com o Brasil e o PSOL

Organizado pelo Comitê Internacional do DSA, o PSOL teve a possibilidade de participar de um rico debate sobre a crise do Brasil e a solidariedade internacional. Pôsteres do EleNao e “Marielle vive” se faziam presentes do placo.

Esteve em debate o novo regime que surgiu a partir do trunfo da reação direitista no Brasil com o Bolsonaro. A paternidade de Trump sobre este processo de avanço do protofascismo no Brasil; as características comuns e as diferenças entre o Trump e Bolsonaro; as ameaças e os perigos que significam, e as forças de se resistência que temos para enfrentá-los. (Vale destacar que uma das diferenças importantes é a boa situação econômica dos Estados Unidos)

O triunfo de Trump completa dois anos neste novembro. Aconteceu próximo ao golpe parlamentar que levou a Temer ao poder, e à época tivemos a oportunidade  de participar de um debate convocado pela revista Jacobin, que tinha um público parecido de militantes do DSA. Nesse momento se vivia a comoção e preocupação que havia com o governo do Trump recém-eleito. Essa preocupação se transformou logo em resistência que sob diferentes formas não pararam.

E nesse processo começou também a crescer o DSA. O debate de ontem me permitiu ver esse avanço, esse processo de maturação e crescimento do socialismo que está acontecendo nos Estados Unidos e a preocupação solidária e internacionalista com os que pode ocorrer no Brasil. Parece-me que no Brasil (salvando as diferenças), vai acontecer o mesmo, o PSOL vai crescer e a ocupar um papel destacado na resistência como a esta fazendo o DSA.

Dentro de quatro dias se realizarão as eleições intermediárias. O DSA está disputando posições com a possibilidade de escolher candidatos independentes. O resultado das eleições parece não indicar (como nós desajávamos) uma derrota esmagadora contra Trump que o obrigue a sair do poder. A tendência é que saia enfraquecido, perca na Câmara de Deputados, e em alguns governos estaduais, mas permaneça majoritário no Senado. Se isto ocorrer, será um passo positivo para os trabalhadores dos Estados Unidos e também para os latino-americanos.

Há vários anos estamos dizendo da importância que tem para o Sul o desenvolvimento da luta de classes no Norte; que a América somos todos; que a conexão se está fazendo mais estreita; que o grande país do Norte está absorvendo todas as contradições que têm nosso continente e o mundo. A caravana de centro-americanos que segue avançando para a fronteira tem um profundo sentido. Procuram no Norte aquilo que a elite imperialista americana lhes tirou de seus países.

No debate se falou da necessidade de um internacionalismo solidário mais estreito. De solidariedade contra os ataques do próximo governo do Bolsonaro, da campanha de Justiça para o Marielle Franco, de estendê-la também a solidariedade com a resistência nicaraguense frente os crimenes da Ortega. Um primeiro passo está dado e terá que seguir por esse caminho.

Vale la pena leer el boletin “The Call”, escrito por compañeros del DSA, (ou o sitio web do DSA) sobre a situação e as possibilidades eles têm nestas eleições. Aqui traduzimos alguns parágrafos sobre a importância das eleições intermediárias.

“Outubro foi duro. As cartas bombas enviadas por um fanático partidário do Trump e os disparos antissemitas em uma sinagoga em Pittsburgh são terríveis avisos de que nossos inimigos se estão voltando mais audazes e mais perigosos. Y como cobrimos neste número de nosso boletim mensal, a eleição de um fascista no Brasil sublinha que o avanço da direita não se limita aos Estados Unidos”.

“No DSA, estamos trabalhando horas extras para construir uma poderosa alternativa de esquerda que pode vencer a direita. E nós em The Call estamos tratando de fazer nossa pequena contribuição a esse projeto”.

“Conforme a pesquisa os democratas tem a possibilidade dos 60 aos 70% de tomar a Camará de Deputados, porém quase não há possibilidades de ganhar a maioria no Senado. Os democratas provavelmente também ganharão novos governos estaduais (..) “A nível nacional, a Partido Democrata decidiu realizar a eleição principalmente com a política de opor-se ao Trump”. Mas sem um programa agressivo de redistribuição e transformação social, o que nós no DSA estivemos defendendo durante anos. A campanha dos democratas parece que não conseguiu inspirar asmilhões de pessoas da classe trabalhadora que precisariam ter de seu lado para ganhar de maneira definitiva. Dada a falta de um programa claro, como adverte com astúcia Bernie Sanders, quase não está garantido a mudança na Câmara. Entretanto, à medida que se aproxima o dia das eleições, Bernie Sanders esteve em um grande percurso por todo o país, em alguns casos, literalmente, levando aos votantes às urnas. Esta excursão é a evidência mais significativa até agora do que nós e outros argumentamos durante muito tempo: Sanders planeja postular-se para presidente em 2020, e DSA necessita desenvolver um plano de inmediato para saber como relacionar-se com sua campanha”. (,,,) “Sanders e os socialistas democráticos terão o vento a favor a nossas costas. Nas eleições de 6 de Novembro, o bloco socialista democrática na Câmara de Deputados Nacionais crescerá de zero a duas com a eleição da Alexandria Ocasio-Cortez (Nova Iorque) e Rashida Tlaib (Michingan). Mas é a nível estatal que os socialistas democráticos podem obter os melhores resultados. Julia Salazar (New York), Amy Perruso (Hawai), Vaughn Stewart (Mariland), Gabriel Acevero (Mariland), Sara Innamorato (Penisilvania) e Summer Lê (Penisilvania) (desculpa se tiver esquecido que alguém mais poderia ganhar!). É provável que se unam Lê Carter (Virginia), Mike Sylvester (Maine) e alguns outros como legisladores estatais respaldados pela DSA. Jovanka Beckles (Califórnia) y Kristin Seale (Penisilvania) enfrentam eleições mais disputadas mas esperamos que também se unam a elas. Beckles recebeu recentemente El respaldo do Bernie Sanders , e devido ao sistema de eleições único em Califórnia, está-se confrontando contra a democrata corporativa Buffy Wicks nas eleições gerais. La disputa é uma prova importante na luta entre os candidatos ao estilo do Sanders e a ala do partido Obama-Clinton”. (…)

“Também haverá muitos referendos importantes no 6 de novembro, mas nenhum é mais emocionante que a Proposição 10 de Califórnia, que abriria a porta para expandir o controle de aluguéis e bloquear os despejos. Uma vitória para a Proposição 10, recentemente respaldada pelo Bernie Sanders e DSA a nível nacional, seria um grande avanço para a demanda socialista de que todos têm direito a um vivenda”.

Como se pode apreciar os dados dos companheiros são objetivos. O DSA passará de um punhado de eleitos estaduais que conta agora, a um número aproximado de quarenta. Para os EUA um fato novo de enorme importância similar aos que tem tido o PSOL em seus anos de vida e que se fortaleceram com os 2.600.000 votos a deputados na recente eleição, a duplicação no Camará dos Deputados de 5 para 10 e a eleição de 18 deputados estaduais. Para nós do PSOL saber que o socialismo se fortalece nos EUA é de enorme importância. Como twitou Tarcisio Motta “Assim que a direita acelera no Brasil, o socialismo avança nos EUA”.

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
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