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O que os socialistas latino-americanos esperamos das eleições de meio-termo nos EUA (um olhar de fora para dentro)

O triunfo de Bolsonaro no Brasil, o país com a classe dominante historicamente mais ligada ao imperialismo americano na América Latina, foi um duro golpe para a esquerda e os trabalhadores de nosso continente. Não por acaso, Bolton, principal assessor de Trump, declarou que os EUA têm agora um aliado estratégico.

Bolsonaro é filho de Trump, não existiria sem Trump; seu protofascismo se baseia numa ideologia similar, o ideólogo de ambos é o mesmo (Bannon). Bolsonaro quer também transferir a embaixada para Jerusalém, e seu filho viaja junto com o novo governador do Rio de Janeiro para Israel a fim de comprar drones exterminadores. Como Trump, pretende diminuir os impostos para os mais ricos; igual a de Trump, sua política é anti-ecológica. Enquanto Trump liberou totalmente a exploração de petróleo, gás e mineração, Bolsonaro quer desflorestar a selva amazônica e terminar com a delimitação das terras indígenas. Defendem o armamento. A lista segue… são machistas, racistas, homofóbicos e ambos se apoiam sobre poderosos setores evangélicos.  (Pátria, família, Deus e propriedade são slogans de ambos)

Trump está diretamente comprometido com as eleições de hoje. Da mesma forma que fez Bolsonaro no Brasil, seu discurso é altamente divisionista, ultra-direitista apelando para os sentimentos atrasados para impor sua autoridade. Depois de cometer o crime de lesa-humanidade de separar dos pais os filhos dos imigrantes (que ainda continua), estão mandando um exército armado para a fronteira a fim de parar os cinco desesperados imigantes que fogem da pobreza provocada pelo Império na América Latina. Está dizendo que filho que nasça de imigrantes não terá o direito à cidadania estadunidense. Está proclamando seu racismo e insultando os negros.

Por estas razões, as eleições de meio termo  tornaram um referendo nacional e internacional sobre a política de Trump. Um triunfo nas duas câmaras de Trump reforça o avanço do autoritarismo e fortalece os setores protofascistas no mundo. Se Trump perder perder, debilitam-se todos seus filhos e, em especial, Bolsonaro, o maior perigo que temos os latino-americanos que recordamos muito bem o que foi o golpe militar dos militares brasileiros comandados desde a chancelaria e a embaixada americana.

E o mais importante para os socialistas é que uma derrota de Trump, a qual obviamente significaria maior peso e protagonismo político do Partido Democrata, também vai fortalecer a onda socialista do DSA que obterá deputados nacionais e mandatos nos estados. Fortalece-se as campanhas “Medicare For All” e educação pública. Um passo importante não só para os trabalhadores dos EUA, caso se fortaleça Bernie Sander como uma opção para 2020. Também é assim para a esquerda latino-americana que necessita uma renovação profunda depois das derrotas sofridas. O autoritarismo não avançou porque “as massas são atrasadas”. Avançou no Brasil (como também na Nicarágua e na Venezuela), quando a multitudinária mobilização de 2013 por mais democracia, saúde e educação, foi ignorada pelo governo do PT que seguiu ao lado dos banqueiros, do agronegócio e das grandes construtoras. Este balanço, que tem sua importância para a formação de uma nova esquerda, não significa nenhuma obstrução para a necessária política unitária de luta contra o autoritarismo e o protofascismo. Nossas expectativas estão postas nos EUA e, especialmente, no desempenho dos socialistas.

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
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