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Imenso rechaço à corrupção, a essa maioria congressual que fez de tudo para impedir ou desvirtuar a consulta de domingo, um novo chute no traseiro de García Pérez que se pôs a fazer fracassar o Referendo e acumular evidências de que é um perseguido por suas ideias.

Com seu voto, os peruanos rejeitaram a reeleição dos políticos mafiosos que infestam o Congresso, ainda que com isso tenha impactado todos, os bons e maus. É atendível essa demanda pois em todos os casos a maioria fuji-aprista esteve de costas para os interesses do país amparando a corrupção e impunidade e legislando a favor dos grupos de poder, como quando derruba o projeto do Executivo que busca tributar os cassinos e caça-níqueis, o mais recente.

Certo que o Pdte. Vizcarra é quem melhor capitaliza este resultado pôs ao fim e ao cabo foi quem tomou a iniciativa do Referendo. Mas isso foi em resposta à indignação cidadã que se expressou em massivas mobilizações e de distintas maneiras contra a corrupção quando esta pegou um salto com os áudios que comprometem magistrados, juízes, políticos e empresários. Isso, somado ao escândalo da Lava-Jato que tem contra as cordas a todos os ex-presidentes dos últimos anos, foi o contexto de uma iniciativa audaz, mas reativa, porque se o Presidente não fazia o que fez, o mais provável é que estivesse com os dias contados. Por isso não podemos ignorar – como fazer os sectários que terminam do outro lado – que o Referendo foi, antes de tudo, uma concessão democrática como resposta ao protesto cidadão.

Contudo, Vizcarra não as tem todas consigo porque as reformas que vêm com o Referendo, embora são um passo, são insuficientes. Por isso, a luta deve continuar, porque necessitamos mudanças de fundo para acabar com a corrupção, a impunidade e o neoliberalismo que é a fonte deste câncer que une os negócios turvos dos privados, com o Estado. Mostrar as limitações do referendo e a necessidade de mudanças mais profundas, começando pela reforma política eleitoral é a tarefa depois do dia 9 dos que queremos um Nuevo Perú.  Mais do que nunca se abre lugar para a necessidade de uma Nova Constituição via uma Assembleia Constituinte, para reorganizar o país sobre novas bases onde não mande o capital nem o mercado senão o interesse nacional e o das grandes maiorias. De como articulemos a saída política para a mobilização popular dependerá definitivamente liquidar a corrupção e avançar rumo à conquista das mudanças que o país necessita.

O Congresso está deslegitimado, seguirá sendo um fator de crise. Isso não vai mudar, é parte de sua natureza. Cada dia ficará mais evidente que um penoso ressabio de um regime imposto pela Constituição de 93 justamente para garantir a corrupção e a impunidade circunstanciais ao modelo econômico neoliberal. Somente caber ter uma atitude destituinte que abra o caminho para um processo constituinte com o povo e desde o povo.

Nos toca agora sair para estar junto à cidadania que exige que se vá até o final com os julgamentos dos corruptos, doa a quem doer. Temos que estar junto aos grêmios que lutam contra a reforma laboral que impõe a CONFIEP  para cortar mais direitos dos trabalhadores, junto aos professores que seguem em sua luta, junto às mulheres e jovens que se manifestam contra a discriminação e a criminalidade incessante. E nesse processo tempos que construir, a partir do MNP, uma alternativa democrática e popular, somando vontades políticas e sociais ao redor de um programa de ruptura com um regime político imperante e com o modelo econômico que nos é imposto pelas transnacionais.

O caminho está traçado, mas a vitória não será fácil, será preciso disputá-la dia a dia.

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
  • Bernardo Corrêa
  • Charles Rosa
  • Clara Baeder