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Manifesto da Huancayo – “VOZES PARA MUDAR O PERU”

Na cidade de Huancayo, autoconvocamos para o Encontro de Organizações de Esquerda “Vozes da Mudança” as organizações políticas Perú Libre, MAS Democracia, El Movimiento Nuevo Perú, o Partido Comunista Peruano, Frente de Integración Regional – FIRME e o Movimiento Mi Región Puno com o objetivo de começar a dialogar e sentar as bases de um projeto democrático, popular e cidadão que ofereça ao país uma alternativa política e uma saída democrática e constituinte para a crise atual.

Todas as forças que apostamos pela mudança, as forças de esquerda, progressistas nos comprometemos a contribuir para articulação de uma grande maioria política e social que nasça das bases e dialogue com amplos setores da cidadania, com as demandas e anseios populares, com as grandes maiorias que uma e outra vez demandaram mudanças para superar a desigualdade, conseguir uma vida digna, recuperar a soberania sobre nossos recursos, desenvolver o agropecuária, a economia camponesa, a segurança alimentar, a defesa dos direitos humanos, a liberdade de expressão, a igualdade de gênero, defender a autodeterminação dos povos, derrotar a corrupção e a impunidade, em suma derrotar o neoliberalismo.

Este grande processo deve se tornar numa força e poder constituinte que permita refundar o país, democratizando o Estado, descentralizando-o e recuperando-o dos lobbies e máfias, gerando um novo modelo de desenvolvimento econômico social baseado nos interesses nacionais, com uma regionalização transversal que supere a perspectiva centrada na desconcentração administrativa e permita um desenvolvimento regional, assim como o bem-estar de cidadãos e cidadãs num país mais igualitário, onde se garantam os direitos dos trabalhadores, as mulheres, os jovens, os povos indígenas, as comunidades camponesas.

Vivem uma situação excepcionalmente dramática pela crise que corrói todas as instituições do Estado, mas ao mesmo tempo é uma oportunidade histórica para construir desde as esquerdas, os setores organizados do povo e da cidadania uma potente ferramenta política capaz de disputar e derrotar a direita tradicional e todas as forças continuistas que buscam sustentar uma ordem de coisas que não vai mais.

Depois da queda de PPK e a chegada de Vizcarra ao governo se evidenciou a corrupção que representa o fujimorismo, o aprismo e os lobbies mafiosos reunidos na Confiep que capturaram o estado; mas também o continuismo neoliberal que pretende o atual governo aprofundando ainda mais a flexibilização laboral, buscando impor projetos extrativos, entregar nossos recursos naturais e energéticos, tirando competências de governos descentralizados, continuando com um esquema tributário favorável às grandes empresas, e permitindo que as mulheres sigam morrendo vítimas do feminicídio.

Frente a isso se produziu uma sustentada mobilização cidadã e popular que várias vezes questionou ou que se revertam estas medidas e leis, no entanto, não conseguiu se traduzir numa proposta política que garanta de maneira integral que se necessitam. O povo se converteu num protagonista de primeira linha exercendo um poder real que tenta ser reduzido. Estamos num processo destituinte que deve dar lugar para um processo constituinte pois necessitamos mudanças de fundo iniciando por nos dotar de uma nova constituição.

Em Huancayo começamos uma discussão de diversos temas sobre o processo constituinte como uma saída para a crise, o papel das esquerdas e seu caminho para a conquista de um governo e a construção de poder para 2021 e o conjunto de nossos desafios para o bicentenário. Outras iniciativas que se possam ocorrer e que somaremos no caminho. Esta não é uma iniciativa excludente de outras que impulsionaremos, mas constitui um passo inicial importante.

Este processo se dará sobre a base do respeito e a confiança mútua, a tolerância, o exercício da paridade e a alternância, entendendo a unidade de maneira mais ampla possível, ou seja para além da esquerda articulando com as organizações sociais, setores populares, setores progressistas e patrióticos, movimentos descentralistas, movimento andino e amazônico, setores de mulheres, setores produtivos, agrários e outros setores da cidadania entre eles os jovens, os movimentos pela diversidade. Assegurar que este tipo de espaços se realizam em forma descentralizada em diferentes regiões e aglutinar mais líderes sociais, políticos, sindicais, organizações cívicas, coletivos de cidadãose e cidadãs, frentes de defesa que consolide esta ampla unidade nacional, democrática impulsionado as assembleias regionais e nacionais que concluam numa estrutura política orgância com vistas a 2021.

Assumiremos um programa que aspira à refundação da república a partir de uma nova constituição compatível com os novos tempos, visto que o neoliberalismo se demonstrou em todo o mundo não só sua caducidade mas também seu fracasso. A constituição de 1993 cumpriu um papel estruturador do modelo econômico que propiciou o surgimento de crises entrelaçadas de caráter sistêmico, moral e ético. Neste panorama de caos urge a construção de uma nova constituição, como um processo que nasça desde as bases e a cidadania que reúna a aspiração e os sonhos das classes populares de conseguir um país distinto, o momento constituinte onde nos encontramos exige a participação das forças de esquerda e progressistas para a inauguração de uma nova república de cidadãos e trabalhadores.

Somos daqueles que afirmamos, dos quais temos fé, ilusão, vontade de luta e de poder, dos quais acreditamos que é possível construir um Peru novo, dentro de um mundo novo. Desde estas terras de populares e trabalhadores rebeldes fazemos um chamado a todo o povo peruano a mudar a história, a organizarmos e mobilizarmo contra a corrupção e a impunidade, em defesa dos direitos laborais e cidadãos. A Assembleia dos Povos de 16 de fevereiro será um evento fundamental para construir uma maioria social e política orientada para a mudança e a refundação da Nação. E o momento é agora.

Huancayo, 26 de janeiro de 2019

Perú Libre. Vladimir Cerrón

Movimiento Nuevo Perú. Verónika Mendoza

Partido Comunista Peruano. Luis Villanueva

MAS Democracia. Gregorio Santos.

FIRME. Zenón Cuevas

Movimiento Mi Región. Richard Huacoto

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

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