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Sim, é uma primeira vitória! Mas contra o golpe, nossa mobilização operária e popular continua!

Declaração do PST (Partido Socialista dos Trabalhadores, Argelia)

Sim, é uma primeira vitória!

Mas contra o golpe, nossa mobilização operaria e popular continua!

Enquanto os trabalhadores tinham iniciado domingo uma greve geral nacional que ameaçava paralisar a economia de todo o país, e depois de mais de duas semanas de protestos contra a continuidade do regime e seu quinto mandato, as decisões anunciadas por Bouteflika nesta segunda-feira, 11 de março, mesmo que constituam uma primeira vitória do nosso movimento operário e popular, não passam de um mero golpe desajeitadamente disfarçado em “concessões”. É ume baile de máscaras sem precedentes.

Ao mesmo tempo que anuncia simulacro de concessões, no fundo Bouteflika se dá o direito de continuar a ser presidente, sem ser eleito, após o término de seu mandato em seis semanas. Ele decide adiar a eleição presidencial para ganhar tempo e reorganizar seu poder por um lado e, por outro lado, impor um roteiro de um período de transição controlada e feito sob medida para garantir a continuidade do sistema.

Assim, e sem ter nenhum mandatado, Bouteflika nomeará um novo governo de “competências” instalará “uma conferência nacional”, cujos membros ele mesmo designará, e que será dotada de prerrogativas que pertencem a uma assembleia constituinte soberana. De fato, e sem qualquer legitimidade democrática e popular, esta conferência nacional decidirá nosso destino. Desenvolverá e adotará reformas, incluindo econômicas e necessariamente ultraliberais, e esboçará uma nova constituição. E para completar esse truque de mágica incrível, Bouteflika só vai deixar o poder após a eleição de seu sucessor, se tudo correr bem, em 2020.

Muito além da deriva monárquica e autoritária que caracterizou seu reinado, Bouteflika está tentando um verdadeiro golpe. É um atentado contra a vontade popular que exige sua saida, como também o fim de todo o sistema liberal e corrupto, e que reivindica um novo poder popular capaz de realizar suas aspirações democráticas e sociais!

Para o PST, Bouteflika e seu regime não têm mais legitimidade. Eles são claramente rejeitados pelos trabalhadores e por todo o povo argelino. As decisões anunciadas na segunda-feira são nulas e sem efeito e devem ser denunciadas tanto na forma e como nos detalhes.

Para o PST, nem Bouteflika e seu odiado regime, nem aqueles que se dizem “oponentes”, mas que já estão esfregando as mãos para compartilhar o poder com seu regime autoritário e neoliberal, podem decidir no lugar do povo argelino. Para o PST, nenhuma personalidade providencial, nenhum “Comité de Sábios” e outro “governo neutro, interino, tecnocrata”, etc., podem ser uma solução. Eles não terão legitimidade, uma vez que serão designados pelo regime, e não eleitos pelo povo com base em um confronto democrático e leal entre os projetos e os programas políticos das diferentes correntes.

Para o PST, a única alternativa democrática é a eleição de uma Assembleia Constituinte Soberana representativa das aspirações democráticas e sociais dos trabalhadores e da maioria do nosso povo.

Nesta perspectiva, o PST apela à manutenção e expansão do processo de auto-organização dos trabalhadores, mulheres, estudantes, desempregados, cidadãos, etc. O PST apela à manutenção da mobilização de massas e manifestações populares, especialmente para esta sexta-feira, 15 de março, e também para manter a opção da greve geral que acaba de provar que a irrupção da classe trabalhadora nessa batalha política será decisiva. O PST, que saudou a mobilização dos trabalhadores, saudou as posições altamente progressivos e combativos do sindicato local UGTA1 Rouiba e manifesta o seu total compromisso com a batalha urgente para de um lada expulsar Sidi Said e sua turma corrupta e burocrática, e por outro, avançar na reapropriação da UGTA para torná-la um sindicato democrático, combativo e independente.

O PST, também envolvido na mobilização e reconstrução do movimento estudantil, aplaude o crescimento de estruturas democráticas autônomas e apela à ampliação da mobilização para todas as universidades do país.

Pelo Partido Socialista dos Trabalhadores:

O Secretário Geral: Mahmoud Rechidi

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

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