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Lava Jato cobra sua primeira vítima fatal

QUEM ERA ALAN GARCÍA?

Por BERNARDO CORRÊA: Alan García Perez foi por duas vezes presidente do Peru (de 1985 a 1990 e de 2006 a 2011). Seu primeiro governo tem como marca a degeneração da Alianza Popular Revolucionaria Americana (APRA) após a morte de Haya de La Torre, seu fundador. Seu primeiro governo, apesar de uma retórica antiimperialista e medidas progressivas como a nacionalização dos bancos, foi marcado por uma galopante hiperinflação (chegou a 1.722,3 % em 1988 e 2.775 % em 1989) e por escândalos de corrupção. García terminou seu primeiro governo com 9% de aprovação popular.

Após a ditadura de Fujimori e o governo de Toledo, Alan García volta à presidência do Peru em 2006. Seu segundo governo foi marcado por escândalos de corrupção ainda mais profundos, sobretudo envolvendo relações promíscuas com a Odebrecht, a Camargo Corrêa e a OAS nas obras da Interoceânica.

Sobre ele pesavam sérias acusações: comutação de sentenças a criminosos ligados ao tráfico de drogas, encobrimento de ações criminosas, entre outras. Mas o mais grave são os assassinatos no confronto em Bagua entre povos indígenas e a polícia federal. que teve como saldo a morte de 22 policiais e 10 civis.

Conhecido como Baguazo, o confronto foi originado de decretos assinados por Alan García que visavam abrir para a grandes mineradoras investimentos na Amazônia peruana. Na ocasião os povos indígenas alertavam para a violação de direitos humanos das mineradoras, mas o ex-presidente optou pela repressão como resposta. No mesmo dia do enfrentamento em Bagua, Alan García declarou perante a imprensa que os povos indígenas não seriam “cidadãos de primeira classe”.

O povo peruano há muito que não considerava Alan García como um político progressista. Sua fama de corrupto é algo bastante popular e a APRA hoje é um partido de direita que não tem absolutamente nada a ver com o projeto inicial de Víctor Raúl Haya de la Torre. Alan García era uma espécie de “arquivo vivo” que se resolvesse entregar todos os esquemas dos quais foi parte poderia significar uma verdadeira erosão do regime político peruano. Seu suicídio não deve ser encarado como um ato heróico, mas essencialmente uma queima de arquivo.

 


LAVA JATO COBRA SUA PRIMEIRA VÍTIMA FATAL

por TITO PRADO

Vítima de si mesmo, o ex-presidente Alan García Pérez se tirou a vida de um balaço na cabeça. Justamente o contrário do que sustenta a imprensa nacional e a direita neoliberal no país, García Pérez nem é um mártir da democracia nem seu gesto último pode ser identificado como um ato de honra.

Quando as evidências entristecedoras apontavam contra ele como “patrão do mal” em uma horripilante meada de corrupção que comprometia a seus mais próximos colaboradores, García optou pela fuga novamente, esta vez, sem ingresso de retorno. Antes o tinha tentado solicitando asilo na embaixada do Uruguai logo depois de tocar as portas da Costa Rica e Colômbia.

O áspero intento por desbaratar os processos judiciais anticorrupção dos que chiam contra os fiscais que cumprindo seu dever vão fechando o círculo da mega corrupção, não pode passar. Não devemos deixar que se imponha a IMPUNIDADE ante graves delitos que abrangem a quase toda a classe política tradicional. Dois ex-presidentes presos (Fujimori e PPK), a gente fugido (Toledo), outro processado (Humala) e o quinto morto por mão própria, põem ao Peru ante os olhos do mundo como um país inviável, infestado de autoridades corruptas que coludidas com as grandes multinacionais não duvidam em roubar à mãos enche via comissione que permitem às grandes corporações estrangeiras e nacionais hipotecar os interesses do país ainda sabendo que com isso estão fechando as portas ao desenvolvimento.

Possivelmente García Pérez pôde ir antes ao cárcere se não se amparou na prescrição dos delitos em seu primeiro governo. Todos os processos por crímenes de lesa humanidade ficaram truncos. A massacre das penitenciárias, Cayara, Accomarca, Bagua e muitos mais ficarão por sempre associados a seu nome. Faenones como o trem elétrico, os dólares MUC, os Mirage, os petroaudios, os narcoindultos serão matéria de estudo por várias gerações para mostrar como comprava e vendia o poder judicial em todos esses anos em que o Apra gozava de boa saúde.

Ainda agora, que a dor embarga à família cabe perguntar-se o que será da fortuna mau havida à sombra do poder, porque de uma coisa estamos seguros, a dança de milhões que provadamente foram parar a seus colaboradores mais próximos, dificilmente será recuperada.

Com o Alan García Pérez se fecha um capítulo da história, sua esteira está muito longe dos anos primitivos do Apra quando se propunham enfrentar ao imperialismo, nacionalizar terras e indústrias, unir a América Latina. Pelo contrário a Aliança do Pacífico que se formou sob seu governo foi usada para dividir a nossos países e facilitar os planos imperialistas de USA.

Se tivermos chegado a este ponto onde os corruptos estão todos fazendo fila ante os tribunais é porque há um povo que não deixou de tomar em suas mãos a luta contra a corrupção. Esta é a maior garantia e possivelmente a única de que se vá até o final.

Os fiscais tem que seguir fazendo seu trabalho e a justiça tem que chegar a todos os que se emprestaram para esses negociados sob a mesa que favoreceram sempre às multinacionais. Lhe chama modelo neoliberal, a mãe do cordeiro neste festim de empresários coludidos com o Estado para fazer do bota de cano longo chamado o Peru. Basta já!!

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
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