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Nicarágua: Jovem relata como foi detido

Fonte: El Nuevo Diario (23/04)

“Me golpearam, me puseram as botas sobre a cabeça, mde abril passado por cerca de 20 agentes policiais.

Yader é irmão de Jimmy  Parajón, que faleceu ao receber um impacto de bala no peito durante os protestos na Universidade Politécnica da Nicarágua (Upoli), a madrugada de 11 de maio de 2018.

Eram as 6 da manhã da terça-feira passada quando Yader se encontrava a meia quadra de sua casa, no bairro Maria Auxiliadora em Manágua, e foi levado pelos policiais.

Foi posto em liberdade nesta segunda-feira, às 11 da manhã e ainda desconhece os motivos de sua detenção.

“Eu lhes gritava: Por que me detêm? E só me diziam ‘cala a boca’. Como resisti ao sequestro, me golpearam. Me levaram até o IV Distrito e nunca me explicaram o motiva da detenção, nem sequer hoje que me liberaram”, relatou Yader, que assegura estar tranquilo porque não cometeu nenhum delito.

“Hoje (segunda-feira) que me libertaram, também o fizeram rápido, me entregaram meus pertences. Tampouco não me disseram nada sobre a detenção; me perguntaram se eu participava dos protestos e eu disse que sim”, manifestou.

Yader recorda que na última manifetação que participou foi no último 30 de março, quando a Unidade Nacional Azul e Branco convocou a realização de piquetes express em distintos pontos do país.

“Nesse último evento recodo que gritei para alguns policiais que chegaram a dissolver o piquete e eles me tiraram fotos. Também me perguntaram durante a prisão se eu era o líder e lhes disse que não me considerava dessa forma, porque para as manifestações eu levanto gente, muitas pessoas me seguem e me apoiam”, contou Parajón.

Depois do assassinato de seu irmão, Yader Parajón participou nos protestos antigovernamentais durante o ano passado.

“Antes da morte do meu irmão eu participava em algumas manifestações, levava alientos aos rapazes da Upoli; depois de sua morte, já com mais peso moral me uni a eles”, comentou Yader.

Em agosto do ano passado também participou da Caravana de Solidariedade Internacional à Nicarágua, realizada na América do Sul.

Seis dias de ansiedade

Yader, de 28 anos, assegurou que é a primeira vez em sua vida que é detido. “Nas primeiras horas não davam respostas, nem diziam a meus familiares onde estava. Antes que tirassem meus pertences, consegui enviar uma mensagem a duas primas e uma amiga que dizia ‘Me sequestraram!”. Meu pai começou a me buscar em todas as estações”, revelou.

O pai de Yader é um senhor de 63 anos somente teve dois filhos; Jimmy, que cumprirá 1 ano de morto e Yader, que esteve detido sem explicação alguma.

“Minha incerteza era que não diziam a meu pai onde eu estava. Me sentia triste porque meu pai só teve dois filhos; meu irmão já não está aqui e eu era a força para ele. O que me martirizava era seu estado de saúde, se havia comido, bebido, por isso chorei todas as noites e os dias que esteve sequestrado”, expressou.

Apoio de vizinhos

Ao ser entregue a seu pai pelos agentes da Polícia Ncaional, s do bairro María Auxiliadora, que chegaram a sua casa.

Yader considera que sua detenção esteve relacionada ao cumprimento do ano da insurreição cívica.

A 11 meases e meio do assassinato de seu irmão, Jimmy Parajón, que cumpriria 36 anos, em 17 de março passado, seus familiares continuam demandando justiça.

“A morte de meu irmão segue na impunidade, estamos esperando que a justiça e a liberdade sejam conquistadas na Nicarágua. A violência, venha de onde venha é condenável e é preciso condenar os culpados”, manifestou Yader.

Miguel Ángel Parajón, pai dos dois jovens, afirmou que “o sangue de meu menino não vai ser em vão, precisa dar fruto de qualquer maneira, porque todos estes heróis e mártires não morreram por gosto”.

Para Miguel Ángel, este um ano sem seu filho foi duro. Para ele, as celebrações familiares já não existem.

“A ausência de meu garoto (Jimmy) me causou dor, para mim já não existe mais o Natal, não existiu a Semana Santa, ainda mais com o sequestro do outro garoto (Yader). Nunca as coisas voltarão a ser iguais”, lamentou.

Jimmy deixou cinco filhos órfãos.

Duplo duelo

Yader e seu pai, Miguel Ángel, experimentaram dois golpes fortes nos últimos anos. Primeiro, a morte da mãe e esposa, respectivamente, em julho de 2017 e depois o assassinato de Jimmy, em maio de 2018.

“Foi bastante frustrante, difícil porque sou eu que dou força para meu pai. Ao morrer minha mãe, falei para ele: “vamos sair disso”. Estando Jimmy vivo, meu irmão era um pouco sentimental, igual ao meu pai, mas eu era o que os impulsionava”, relatou Yader.

Disse que seu pai chora todos os dias a morte do filho e já perdeu 14 kg de peso. Desde o assassinato de Jimmy, Miguel Ángel se refugia na música, nas recordações e nas fotografias.

“Foi difícil para mim, mas muito mais duro para ele. Eu fui o pilar da minha casa desde que minha mãe morreu, fui a força moral para meu irmão e para meu pai. Eu tive que organizar seus funerais, tanto o de minha mãe como o do meu irmão, eu gastei muitas forças”, observou Yader.

No entanto, assegurou que continuará em resistência. “Creio que na Nicarágua temos que buscar mais e melhores estratégias para poder enfrentar esta realidade que muda dia a dia na Nicarágua. Aqui ninguém se rende”, insistiu.

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