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Argentina: um povo rebelde

A votação esmagadora contra Macri tem uma só leitura: os trabalhadores e setores populares rechaçaram de forma contundente o governo neoliberal, lacaio do FMI. Também é um voto contra Bolsonaro, Trump e os governos pró-imperialistas do continente.

É uma vitória popular que demonstra a grande resistência que existe no continente às políticas neoliberais, sem que, ao mesmo tempo, se tenha uma alternativa de poder que possa enfrentar consequentemente as mesmas.

Essa alternativa não existe ainda na Argentina, Brasil e outros países-chave do continente. O mais que provável governo de Fernandez-Fernandez já disse que não o fariam. Vai respeitar os acordos impostos pelo FMI ou, no máximo, renegociá-los. O mesmo ocorreria no Brasil, caso Lula e o PT voltassem ao poder. Por isso, a incerteza, o caos e o vazio de governo parecem instalar-se em nosso país irmão.

Sem perder de vista esta situação (falta de uma alternativa política de massas, antineoliberal e anticapitalista), é necessário aplaudir uma vez mais os trabalhadores e o povo argentino. A derrota eleitoral do macrismo não é somente o resultado de um voto de castigo contra Macri e os brutais aumentos das tarifas dos serviços públicos, o desemprego, a inflação… É também resultado de grandes batalhas que deram os trabalhadores e as mulheres contra o Macrismo. Macri conseguiu passar a reforma da Previdência. Mas na Argentina houve uma grande mobilização dos trabalhadores de mais de 250 mil pessoas e uma batalha campal contra a polícia. A igreja e Macri conseguiram parar a lei do aborto. Mas a maré verde foi massiva e segue na agenda da juventude e as mulheres; é uma onda que cresce na Argentina e na América Latina.

No dia seguinte ao nocaute, Macri reagiu. Deixou que os “mercados” fizessem disparar o dólar e que começasse a furiosa remarcação de preços. Está fazendo um novo ajuste brutal com o aumento de preços e a desvalorização do peso. E pretende fazer crer que a culpa é de não votarem nele, esperando recuperar votos para a eleição de novembro. Por ora, Fernandez não disse nada desta situação. Seguramente, o candidato do pan-peronismo especula, esperando que seja o governo de Macri quem faça o “trabalho sujo”.

Esperamos que uma vez mais os trabalhadores rompam esta situação que favorece os grandes capitalistas. Sair às ruas para exigir o controle da fuga de capitais, o congelamento dos preços e um aumento de salários é a tarefa colocado para os trabalhadores. A mobilização é que deveria passar a ser protagonista exigindo também o adiantamento das eleições e um processo constituinte que reorganize o país.

 

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
  • Bernardo Corrêa
  • Charles Rosa
  • Clara Baeder