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Resistência, luta e solidariedade no Valle del Tambo

Em 9 de agosto foi suspensa por 120 dias a licença de construção do Projeto Minerador Tía María no Valle del Tambo determinada pelo Conselho de Mineração. Cabe recordar que desde 15 de julho, a província de Islay está numa paralisação indefinida e desde a segunda-feira, 05 de agosto, a paralisação é a nível regional de forma parcial.

O ministro de Energia e Minas, Francisco Ísmodes indicou que tal decisão foi tomada com a finalidade de melhorar a comunicação entre o Governo, os moradores da região, as autoridades políticas e sociais de Arequipa. No entanto, esta decisão governamental provocou que autoridades e dirigentes da província de Islay (Arequipa) se unam para rejeitar com maior contundência o Projeto Minerador Tía María.

Não somente se trata da preocupação ambiental que geraria a exploração mineradora a céu aberto, afetando os campos de cultivo do Valle del Tambo e seu ecossistema em geral, mas também há muita indignação pela forma como o Governo tomou tal decisão: sem que o Executivo dialogue previamente com autoridades e representantes de organizações sociais da zona de influência do projeto.

Desde o início, autoridades e dirigentes pediram que o presidente Martín Vizcarra vá ao  Valle del Tambo para buscar uma solução ao conflito, mas até o momento o mandatário não se faz presente. Agora, autoridades, dirigentes e população em geral não baixam a guarda nem um milímetro sobre a medida de suspensão de construção do PMTM, ao contrário, consideram a medida como uma distração do Governo ante a exigência de cancelamento do PMTM.

O conflito social que gera o projeto Tía María é rechaçado pela população do Valle del Tambo desde 2010. Os agricultores de Islay lideraram os protestos de 2011 e 2015, quando lamentavelmente faleceram oito pessoas durante enfrentamentos com a Polícia. Sete delas foram vítimas de projéteis de armas de fogo disparados por agentes estatais. Apesar destes antecedentes, o governo de Vizcarra decidiu outorgar a licença sem diálogo anterior com os cidadãos da zona de influência, ou seja, sem licença social.

Em Tacna, se organizaram diferentes ações de apoio e solidariedade aos moradores do Valle del Tambo. Se não somos solidários com nós mesmos, que futuro social e político nos espera como povo? Há alguns dias houve uma “bicicletada” onde jovens de diferentes coletivos ciclistas participaram expressando sua solidariedade aos moradores do Valle del Tambo fazendo um percurso pelas principais artérias da cidade. Vale recordar que estes gestos se arvoram com ações prévias (vigílias de conscientização) de outras organizações juvenis e cidadãs.

A solidariedade não é um valor que germina espontaneamente na solidariedade como qualquer outro valor. É preciso cultivá-la na sociedade desde diferentes âmbitos, tanto: interpessoais, comunitários, sociais, etc. A solidariedade é um valor relacional porque sua existência depende fundamentalmente do outro.

Portanto, a resistência e a luta dos moradores do Valle del Tambo em Islay, também é nossa.

*(Fonte: Diario Caplina 12/08/19 Pag. 06)

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