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Boletim Especial do Portal da Esquerda em Movimento: Rebelião no Equador

Equador pode inaugurar um novo ciclo na América Latina

Equador está passando por uma insurreição indígena e popular que traz novos ventos ao conjunto do continente latino-americano. Em Quito, multidões desafiam o Estado de Exceção imposto pelo governo traidor de Lenín Moreno. Há greve geral nos transportes. Centenas de vias trancadas, protesto permanente nas ruas e uma situação de duplo poder embrionário não somente nas áreas indígenas que funcionam sob justiça própria e impedem (sob pena de detenção) que policiais entrem nas áreas ou tentem prender e agredir os povos. Até mesmo as forças armadas começam a dar sinais de divisão, especialmente após uma ação de repressão brutal na Casa de Cultura da capital, onde estão alojados os milhares de lutadores que ocupam Quito, resultando inclusive na morte de uma liderança da CONAIE, principal organizadora dos protestos.
A revolta tomou as ruas das principais cidades do país desde quinta-feira (2/10), quando o presidente anunciou um pacote a mando do FMI. O aumento (de 123%) preço dos combustíveis. Uma Reforma trabalhista (bastante semelhante à vivida pelo Brasil em 2018), privatizações generalizadas e cortes dos gastos sociais. Lenín Moreno, que não honra o nome que tem, foi eleito para fazer o oposto. Mentiu nas eleições, contou com apoio de setores indígenas e populares, mas traiu seu programa, como se acostumaram a fazer os políticos lá e aqui.
A importância desse processo é enorme. Como no final dos anos 90, quando Equador iniciou a rebelião antineoliberal no continente latino-americano, que resultou na onda de governos bolivarianos e progressistas, esta insurreição pode ser a chave para uma mudança na situação política do continente. Certamente a insurreição equatoriana influenciará os rumos da crise política que passa o Peru e, somada à derrota de Macri nas eleições argentinas e uma possível derrota de Trump nos EUA, podem levar Bolsonaro a uma situação de isolamento político que favorece tendências mais à esquerda. No fechamento deste Boletim ainda não tínhamos o desenlace da mobilização no Equador, mas é muito provável que o governo não tenha forças para continuar. Acompanhar ativamente este processo e fortalecer as tendências que emanam dele é tarefa número um dos revolucionários latino americanos.

Resumo das decisões tomadas pelo movimento indígena na Ágora Casa de la Cultura.

* A paralisação segue firme e sem acordos com o Governo.

* Existirá abertura ao diálogo quando o governo revogar o Decreto #883 com o qual se instaurou o #Paquetazo ao povo equatoriano.

* Se o Governo não elimina o Decreto #883 e seus acordos com o FMI, “que se vayan todos” para suas casa.

* 3 dias de luto nacional pelas vítimas mortais dos protestos sociais nesta jornada de 7 dias.

*Renuncia imediata dos ministros inimigos do povo, a de Governo e o da Defesa.

*Reconhecer o ataque brutal e a violação dos direitos humanos durante os dias de protesto.

* Solicitação à Defensoria do Povo para apresentar uma demanda internacional contra o Estado pela repressão, vulnerabilização de direitos e ataques ao direito à resistência na jornada de protesto.

Secretaria de Redação do Portal da Esquerda em Movimento – 11/10


1- Documentos de Análises

Uma rebelião popular contra o neoliberalismo | por Israel Dutra e Charles Rosa

As próximas horas serão decisivas para o rumo do país. O dever da esquerda é cercar de solidariedade internacional o processo com medidas práticas e repercutir a luta pela saída de Lenin, pelo fim da repressão e pela libertação dos presos políticos. Ou seja, é nosso dever apoiar com afinco o triunfo desta alvissareira rebelião popular.

Crise do regime no Equador: a queda do governo é questão de tempo | por Jorge Estrella

A queda do governo é questão de tempo, quando além do mal desempenho político, soma-se um governo de poucas virtudes intelectuais, e que frente ao descontentamento da população só teve a ideia, do mesmo jeito do que os governos atrasados das décadas passadas, assinalar como culpável da atual crise, a um ex-presidente que mora na Bélgica e a Nicolás Maduro, quem todo o mundo conhece, não consegue se sustentar no seu próprio pais.

Crise equatoriana: coordenadas de um retrocesso histórico | por Felipe Garrido Díaz

Nosso desafio é poder decifrar os sinais de transformação que o povo equatoriano está colocando bravamente em jogo, mas acima de tudo, entender que os povos não aguentam mais o retrocesso neoliberal na América Latina.


2- Solidariedade Internacional

Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal aprova moção de solidariedade ao povo equatoriano | por Deputados do PSOL

Por unanimidade, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal ratificou a moção apresentada pela bancada do PSOL. Assista ao vídeo das intervenções da deputada Fernanda Melchionna e do deputado David Miranda.

 

Movimento Novo Peru se solidariza com o povo do Equador | por MNP

Como Movimiento Nuevo Perú, manifestamos nossa solidariedade à justa mobilização do povo equatoriano e condenamos a violência desmedida e sistemática da Polícia e Forças Armadas. Exortamos às instancias internacionais e à Chancelaria peruana a pronunciar-se frente à violência desatada, procurando que se imponha o Estado de direito. A luta do povo equatoriano e suas organização é a luta de nossa América pelo bem vivem, a dignidade e a esperança. Contem conosco para que sua voz ressoe mais forte, a imposição neoliberal não passará.

Coordenadora dos Povos Indígenas do Panamá (COONAPIP) expressa solidariedade aos irmãos equatorianos | por COONAPIP

Marcelo Guerra, Presidente da COONAPIP, sustentou a necessidade de pedir à comunidade internacional e às organizações de direitos humanos que olhem atentamente para a situação dos irmãos do Equador e ajudem a levantar suas vozes para deter o confronto que hoje continua acumulando feridos, mortos e grande número de danos materiais, com consequências imprevisíveis para o futuro e a democracia deste país.

Convergência Social (Frente Ampla) se pronuncia sobre crise no Equador | por Convergência Social (FA-Chile)

Exigimos que o governo do Equador levante o Estado de Sítio e a militarização do país, para evitar uma espiral de violência, e atenda as reivindicações do povo equatoriano. Da mesma maneira, rechaçamos o papel que os organismos internacionais, como a OEA, tem jogado em nosso continente, decretando que governos devem se manter e quais devem ser derrubados de acordo com os interesses dos EUA.

Mulheres contra o pacote neoliberal e a repressão no Equador | por Organizações Feministas

Chamamos à comunidade internacional, as organizações feministas, de mulheres, populares, indígenas a que se pronunciem sobre a grave situação do Equador e a que estejam vigilantes do cumprimento dos direitos humanos.


3- Meios independentes

Fontes independentes de informação sobre a crise no Equador | por Secretaria de Redação do Portal

Lista de sites e redes sociais independentes que compartilham notícias em tempo real sobre a situação no Equador.

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
  • Bernardo Corrêa
  • Charles Rosa
  • Clara Baeder