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Haiti: “Escolher entre um povo e um presidente”

Porto Príncipe – 02/10 – lepoint.fr

Nós, escritores haitianos, em resposta a uma petição iniciada pelo Centro Pen Haïti em 15 de junho de 2019, chamamos a atenção dos cidadãos do mundo sobre a situação haitiana. Depois da eleição de Jovenel Moïse para presidente do Haiti, com uma participação muito baixa, inferior a 20% dos eleitores potenciais, o Presidente e seu partido, o PHTK (Partido Haitiano Tèt Kale; Partido Haitiano “Cabeça Calva”, em criolo haitiano) que goza de uma maioria parlamentar esmagadora, administraram os assuntos do país de tal maneira que hoje em dia todas as instâncias da vida nacional, os representantes de todas as religiões, as instituições de defesa dos direitos humanos, os professores universitários, os coletivos de artistas e intelectuais, os partidos da oposição de todas as tendências, os sindicatos, as associações empresariais, reclamam sua demissão. O Presidente é acusado de corrupção por um informe do Tribunal Superior de Contas.

A juventude e o povo haitiano em seu conjunto reclamam a realização do julgamento de PetroCaribe pela desaparição de mais de três bilhões de dólares. Durante mais de sete meses, o Presidente e o Parlamento não puderam instalar um governo nas condições exigidas pela Constituição. Privada de todo apoio institucional, a população recorre há meses a manifestações às quais o Presidente somente respondeu com o silêncio e a repressão. Em Porto Príncipe e as principais cidades de província se produzem enfrentamentos diários entre centenas ou mesmo milhares de manifestantes e pessoas vestidas com uniformes de polícia, frequentemente com capuz. Jornalistas sofrem disparos e ficam feridos. Multiplicam-se os ataques aos ativistas e as detenções arbitrárias. Em reação, os manifestantes radicalizam. Na segunda-feira, 30 de setembro, a repressão policial foi particularmente feroz contra os manifestantes dos bairros populares. Foram vistos policiais obrigando cidadãos a arrastar-se como animais, para depois meter vários deles apertados na parte de trás de uma caminhonete.

Não há reconciliação possível entre o povo haitiano e a presidência de Jovenel Moïse/PHTK

O Presidente e o PHTK são criticados por não haver feito mais que um uso pessoal do poder político. Aos olhos do país, representam corrupção, repressão e exclusão. O presidente não pode se apresentar ante a população sem ser apedrejado e vaiado. Todas as atividades no país estão bloqueadas há mais de uma semana. Nada funciona. Comércio, escolas, hospitais, serviços públicos. Uma população que vive na pobreza sofre, portanto, privações que só podem conduzir a uma maior radicalização. A única maneira pela qual o presidente fugitivo consegue permanecer no poder é utilizar a polícia nacional como arma de repressão política e utilizar os recursos públicos como fonte de financiamento para a repressão contra a população. Seus chamados tardios a negociar foram rejeitados por todos os setores organizados da vida nacional.

A exigência popular é clara: a demissão do Presidente e o que resta do Parlamento; o estabelecimento de um governo de transição orientado a reduzir as desigualdades, medidas imediatas para aliviar o sofrimento dos mais pobres; a celebração de julgamentos contra todos os atos de corrupção cometidos pelos líderes do PHTK; a celebração de uma conferência nacional (cujos nomes variam) sobre os problemas do país e o caminho a seguir para se conquistar a equidade republicana. Dizemos ao mundo: não há reconciliação possível entre o povo haitiano e a presidência de Jovenel Moïse/PHTK. O único apoio para este poder criticado proviria de poderosas embaixadas estrangeiras. É às custas do sangue do povo, da radicalização e da violência repressiva que Jovenel Moïse permaneceria no poder. Fazemos um chamado aos cidadãos do mundo para que apoiem a causa haitiana. O humanismo de hoje exige uma escolha entre um povo e um presidente, entre um povo e seus carrascos.

Assinam:
Kettly Mars, Anthony Phelps, Lyonel Trouillot, Evains Wèche, Yanick Lahens, Évelyne Trouillot, Mehdi Chalmers, Gary Victor, Faubert Bolivar, Jocelyne Trouillot-Lévy, Frank Étienne, Marie-Andrée Étienne, Guy-Gérald Ménard, Jean-Robert Léonidas, Louis-Philippe Dalembert, James Noël e Joël Des Rosiers.

Fonte: https://haitinominustah.info/2019/10/03/haiti-bloqueada-sus-escritores-apelan-al-mundo/#more-19080

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