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O ataque do MPF contra Glenn é uma afronta à liberdade de imprensa

Na terça-feira, dia 21/01, o MPF, através do Procurador Wellington Oliveira, denunciou o jornalista Glenn Greenwald sem qualquer investigação em curso. Os diálogos que o MPF utilizou para justificar a denúncia, oriundos da Operação Spoofing, foram minuciosamente analisados pela Polícia Federal. A conclusão da PF foi peremptória: não identificou qualquer participação de Glenn nos crimes investigados.

Isso leva a única conclusão possível: foi um ataque orquestrado pela extrema-direita no judiciário, sem qualquer fundamento ou base fática. O procurador Wellington de Oliveira é conhecido por suas posições conservadoras, foi membro do exército e ficou conhecido por apresentar denúncia contra o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.

A imediata reação de importantes atores políticos, sobretudo dos ligados à imprensa, foi importante para não naturalizar o gesto. Toda e qualquer escalada autoritária deve ser repelida de imediato.

Os ataques à liberdade de expressão são parte de uma afronta mais geral aos elementos democráticos, na ação consciente do bolsonarismo em impor um novo regime, com características autoritárias. Vários elementos apontam nessa direção: O atentado contra o grupo Porta dos Fundos, do qual o grupo liderado pelo integralista Eduardo Falzi assumiu a autoria, foi um grave precedente. O caso mais vivo foi o pronunciamento de Roberto Alvim, imitando a estética nazista, com direito a citação de Joseph Goebbels.

Não é um tema menor. Os setores mais autoritários da sociedade testam os limites da resistência democrática. Estão se sentido mais à vontade para lutar por seu programa e suas ideias.

É preciso parar a mão do governo.

Unidade de ação ampla: defender Glenn e a liberdade de imprensa
A unidade de ação — tomando exemplo de como foi o ato da ABI no ano de 2019 — é um imperativo para defender o conjunto das liberdades democráticas.

A defesa de Glenn já foi tomada por importantes setores democráticos como Bernie Sanders, Edward Snowden, OAB, Abraji, Anistia Internacional e parcela expressiva da mídia internacional. Todos aqueles que, independente da orientação político ou ideológica, não aceitem o fechamento do regime ou ataques/restrições da liberdade de imprensa, devem se juntar nessa causa.

Publicamos junto a esse editorial a tradução de dois importantes artigos:

Edward Snowden (Washington Post)

David Miranda e Glenn Greenwald (The Guardian)

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
  • Bernardo Corrêa
  • Charles Rosa
  • Clara Baeder