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ROQUE BENAVIDES, o perverso rosto da CONFIEP

Um dos homens mais ricos do Peru, acionista da mina Yanacocha, a maior mina de ouro da América Latina, ex-presidente da CONFIEP  [Confederação Nacional de Instituições Empresariais Privadas] e, portanto, um de seus principais representantes, falou em nome dos empresários peruanos contra o BÔNUS UNIVERSAL que a fome, em meio à quarentena, tornou imperativa.

Entrevistado pela mídia, ele disse que o pedido de Veronika Mendoza de um BÔNUS UNIVERSAL  foi “uma ideologia absurda”, ou seja, colocar dinheiro nos bolsos de milhões de peruanos que não têm que comer e que, portanto, arriscam suas vidas pondo em risco o efeito prático da quarentena é um absurdo. Bem, o governo acaba de esmagar sua absurda declaração porque anuncia um BÔNUS FAMÍLIA UNIVERSAL em consideração à gravidade que estamos alcançando e cedendo à pressão do povo e das forças que, como o Novo Peru, a têm levantado em todas as línguas. Além da relevância da medida anunciada e de seus próprios limites e abrangência que deixam muitas pontas soltas, o que queremos enfatizar é que, alguns dias antes, o também proprietário do Banco de Credito del Peru, descartou tal proposta que nem sai de seus bolsos.

Benavides e empresários como ele não hesitam em colocar seus interesses particulares acima dos interesses de milhões de compatriotas. Por isso, parafraseando Victor Raul Haya de la Torre, ele acrescentou na mesma entrevista: “Não devemos tirar riqueza daqueles que a têm, mas criar riqueza para aqueles que não a têm”. Como sabemos, o líder aprista acabou fazendo um pacto com a oligarquia. Quando perguntados sobre a possibilidade de um imposto sobre fortunas, a mídia convencida observou que “não vamos conseguir nada com o aumento dos impostos… O que temos que fazer é gerar incentivos para que haja mais atividade econômica”. E terminou falando sobre a necessidade de retomar Tía María apesar da tenaz resistência do povo de Islay.

Uma entrevista antológica, que pinta as elites ricas, o clube dos milionários e sua tremenda insensibilidade, ganância e sede de lucro, que é a razão de ser da grande comunidade empresarial nacional (e estrangeira) que resiste a ver suas fortunas diminuídas num momento em que a própria vida no planeta está em jogo.

O Peru é o país que mais milionários tem feito nos últimos tempos, graças ao modelo neoliberal em vigor. E não estamos falando das multinacionais que levam 30 bilhões de soles por ano. Estamos falando de seis grupos econômicos nacionais que têm 12 bilhões de dólares, o equivalente a 45 bilhões de soles.

Seis empresários peruanos estão na lista dos grandes bilionários publicada pela Forbes. Há entre nós 515 grandes fortunas com mais de 30 milhões de dólares em suas contas pessoais. E acontece que eles se opõem a um imposto que pode ir de 1% dos lucros como foi proposto ou até mais, a 10% de sua fortuna, como já está sendo considerado em alguns países. Afinal – voltando a Adams Smith – a riqueza é produto do trabalho humano e hoje os trabalhadores precisam de algo que lhes seja devolvido para sobreviver. IMPOSTO DE SOLIDARIEDADE SOBRE GRANDES FORTUNAS AGORA!

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

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