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Suíça: um ponto fora da quarentena europeia

Suíça. País consolidado no século XIX e localizado no centro da Europa, entre França, Alemanha, Itália e Áustria. Uma federação de cantões (semelhantes aos nossos estados); conhecida pela alta qualidade de vida, pela fabricação de relógios, pelos chocolates e uma referência na diplomacia e relações com outros países. No cenário político, um dos momentos no qual a Suíça costuma ganhar destaque nos noticiários brasileiros é durante os Fóruns Econômicos Mundiais, que reúnem líderes de todo o mundo uma vez por ano nos Alpes Suíços.

Neste país tido como modelo para muitos, a crise do corona vírus tem demonstrado que a estabilidade propagandeada não possui bases de sustentação tão sólidas ou, pelo menos, não tão acessíveis como imaginávamos. Na Suíça não há um sistema de saúde público; lá, a população é obrigada por lei a ter um plano de saúde privado sob pena de multas em dinheiro. Quanto às medidas de prevenção ao vírus, o congresso seria a instituição capaz de organizar ações nacionais de saúde pública, no entanto, este se encontra em quarentena, diferente da maioria da população do país que está sendo obrigada a continuar trabalhando normalmente.

Sob o manto do diálogo e da diplomacia, as classes poderosas na Suíça vem há anos impondo duras condições de trabalho à população: não há direito a greve, não há um piso nacional para o salário mínimo ou sequer algum controle sobre a carga horária exercida pelos trabalhadores, acarretando, por vezes, em cargas que ultrapassam 60h semanais. Pela narrativa dos de cima, tudo pode ser resolvido num diálogo diplomático entre patrão e empregado, mas, na prática, são crescentes os índices de adoecimento mental e suicídios de trabalhadoras e trabalhadores.

É no meio deste cenário quase paradoxal que milhares de pessoas tem feito suas primeiras experiências com a política, num país que, até pouco tempo não havia tradição de mobilizações populares, mas, que na história recente passou a ser palco de constantes manifestações por diversas pautas e temas, com destaque para a luta das mulheres expressa nas massivas greves feministas nos últimos anos, no dia 8 de março e nas greves em defesa do clima – ambas demonstrando a necessidade de se organizar coletivamente e com intensa participação e inserção de nossas companheiras e companheiros do SolidaritéS.

Agora, na ausência de uma força nacional, a disputa se dá para que em cada um dos chamados cantões se tomem medidas para proteger a população do COVID-19, incluindo não só a quarentena horizontal, mas, também, a organização de um grupo de trabalho nacional formado por deputados federais para coordenar as ações anti- coronavírus, a implementação da renda básica para população, bem como a injeção de dinheiro do estado para prevenção e cuidados dos doentes, nas mesmas proporções que este tem injetado em forma de auxílio para as empresas privadas, etc.

Da nossa parte, fica nossa mais sincera solidariedade aos aguerridos companheiros do Solidarités!

Uma nova página para apoiar e construir novas alternativas na América Latina e no mundo, defendendo o poder dos trabalhadores e do povo contra o 1% dos ricos e poderosos, e uma sociedade sem exploração.

Secretaria de redação

  • Pedro Fuentes
  • Bernardo Corrêa
  • Charles Rosa
  • Clara Baeder