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(Publicado originalmente em The Call)

Os últimos dois dias têm sido surreais. Já estive em dois protestos – Barclays na sexta-feira à noite, depois Union Square no sábado à tarde até o início do domingo.

Vou me lembrar desses marcos da história pelos seus sons. Na sexta-feira, eu andei de uma parada de ônibus com outros principalmente em silêncio, os rumores de uma multidão a alguns quarteirões de distância. As palavras deles eram indistintas, mas quando me juntei aos camaradas mais próximos ao Barclays, eles me tocaram nos ouvidos: “DIGA SEU NOME: GEORGE FLOYD! SEM JUSTIÇA, SEM PAZ! DIGA SEU NOME: BREONNA TAYLOR! VIDAS NEGRAS IMPORTAM! Os cânticos e os aplausos me dominaram com a solidariedade que parecia quase palpável. Eu estava isolando há meses.

O som de sábado era diferente e menos coerente. Os cantos competiam uns com os outros enquanto fazíamos nosso caminho a partir da Union Square. Alguém perto de mim me disse: “Tire uma foto, estamos tomando conta da West Side Highway”. Motoristas de ônibus buzinaram, e as pessoas aplaudiram. Eu também aplaudi, porque tenho esperança de que se pessoas suficientes lutarem para que a NYPD seja desfinanciada, nós poderemos pagar pelos programas que tornam a vida das pessoas mais segura e mais estável.

O sábado também foi diferente por causa do silêncio. Enquanto a sexta-feira parecia uma coalizão diversificada de pessoas gritando em solidariedade, o sábado revelou claras clivagens: Protestos eram um espetáculo para os brancos em espreguiçadeiras bebendo spritzers no Village. Marchando pelas ruas de Manhattan, através de piqueniques no Washington Square Park, pudemos ver como soava a cumplicidade. “FORA DA SUA CASA E PARA AS RUAS!”, gritamos. A maioria das pessoas brancas ficou de lado e filmou a marcha no lugar.

Quando estávamos de volta à Union Square e os policiais atacavam a multidão, um camarada gritou meu nome enquanto corríamos, então eu sabia em que direção ir. Eu não teria me sentido seguro para estar lá sozinho.

Tarde da noite, saí do apartamento de um camarada na 13th Street. Um carro da polícia estava queimando no final do quarteirão. As ruas estavam quase calmas, mas banhadas por luzes vermelhas e azuis.

(Escrito por A. militante do DSA New York City e do caucus Bread & Roses do DSA)

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